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Um ano depois22/10/2016 | 06h01Atualizada em 24/10/2016 | 14h09

5 razões: por que o Tralharia virou referência cult e boêmia no Centro de Florianópolis

Bar, café ou antiquário? Teatro, museu ou restaurante? Com um mix de atrações, espaço completa um ano na ativa

5 razões: por que o Tralharia virou referência cult e boêmia no Centro de Florianópolis Charles Guerra/Agencia RBS
Luiz Henrique Cudo (E) e Guto Lima: sócios, amigos e loucos por tralharias, arte e bom papo  Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

O Tralharia desconstruiu definições do que é um boteco em Florianópolis. Antiquário, café e bar, não segue a regra de ser especificamente só uma coisa. É uma porção delas. Mas, principalmente, é ponto de convergência de artistas, intelectuais, escritores, boêmios, curiosos que gostam de papear, tomar uma boa cerveja e ouvir histórias. Em certa medida, ocupou o vazio deixado por outros pontos de convivência e trocas de ideias da cidade, como o extinto Café Matisse, que funcionava no Centro Integrado de Cultura (CIC) e congregava artes e seus amantes.

No sábado (22) o querido "Tralha" completa um ano, já como referência no Centro Histórico da Capital. Veja o que fez do Tralharia  um reduto cult e  boêmio e por que vale a pena conhecer:

1. Tudo começou ainda antes da Charlotte...

Todo grupo de amigos um dia sonhou montar uma banda ou abrir um bar. O Tralharia era um plano antigo dos amigos de longa data, o produtor Guto Lima e o ator Luiz Henrique Cudo, muito embora até a inauguração em outubro de 2015 muita água tenha rolado. É aí que entra a Charlotte, uma Kombi estilizada com a qual eles viajavam em busca de velhas tralharias e participavam de feiras de antiguidades, entre elas a do projeto Viva a Cidade, que começou em 2013 com a proposta de revitalização do Centro da Capital.

Tralharia inaugurou novo espaço no segundo andar, antes reservado para exposição do acervo e agora com mais mesas Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

— Teve a ver com o conceito de tudo que vinha acontecendo na região central e a ideia era contribuir para uma mudança do Centro Histórico e de forma orgânica — diz Guto Lima.

Com o acervo de antiguidades em mãos, eles elegeram o velho sobrado número 104 da Rua Nunes Machado para ali criar um lugar de convivência, arte, cultura e de comercialização de objetos antigos.

Livros, discos, quinquilharias e curiosidades: tem peças para todos os gostos Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

2.  Boteco que é boteco tem o balcão da democracia

O designer Sandro Clemes já conhecia os garimpos e antiguidades vendidos por Guto Lima na Kombi Charlotte. Foi então convidado a pensar no design interno do Tralharia quando saiu das ruas para se transformar num bar.

— Tinha a intenção de estabelecer um diálogo com o entorno, porque já existia essa vontade de redescobrir o centro histórico. O Tralharia tem uma narrativa bem clara que mostra a relação dos proprietários com a cidade e com os clientes — diz ele.

Guto Lima no balcão do Tralha Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Essa relação se percebe na maneira como as antiguidades são expostas na essência, sem restauração. Está explícita também no grande banco coletivo, inspirado em bancos de praça, que favorece as amizades e criação de novos laços. Está nos balcões antigos que convidam a papos acalorados e reflexões.

Após um ano, o Tralharia está maior. O primeiro andar, onde antes ficava exposto o acervo de raridades, ganhou mais mesas e espaço para clientes.

3. Antiguidades a partir de R$ 20

Já na entrada do bar fica a vitrine com uma amostra dos objetos à venda no interior: discos de vinil, móveis, miniaturas, pôsteres, luminárias, instrumentos musicais, aparelhos de som, latas. Tudo faz parte da decoração e a maioria está à venda. Os valores vão de R$ 20 até R$ 9 mil.

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

4. Um museu-galeria-teatro, tudo junto

Desde que abriu as portas, o Tralharia sediou eventos culturais de toda sorte. Exposições de arte agora são mensais — e a agenda já está fechada até 2017. É um dos bares com maior número de lançamentos de livro, além de promover leituras dramáticas e o que a imaginação de artistas e parceiros permitir.

Exposição de fotos comemora primeiro aniversário do bar Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

A mostra mais recente, inaugurada no último dia 18, é comemorativa ao primeiro aniversário. Circuito dos Afetos reúne 120 imagens dos fotógrafos Sergio Vignes, Ayrton Cruz, Bruno Ropelato e Márcio Henrique Martins. As fotografias 10x15 cm são registros de encontros, passagens, pessoas e momentos prestigiados por eles nesse ciclo.

— É como a sala da minha casa. Às vezes eu venho só para descansar. Ou para usar o WI-FI.  Tem gente que faz reuniões, festa de aniversário. É aquele lugar para bater papo, observar as pessoas, falar de arte, fotografia, sobre a cidade — diz o fotógrafo Sérgio Vignes. Ele frequenta o Tralha pelo menos quatro vezes por semana.

— É o tipo de lugar que nem precisa ligar para ninguém para combinar. Pode ir sozinho que vai encontrar alguém conhecido para conversar — acrescenta o designer Ayrton Cruz, que bate ponto no bar de três a quatro vezes por semana.

5. Cerveja artesanal e um delicioso hambúrguer vegano

O Tralharia não tem cozinha e a ideia no começo era nem ter cardápio.

— Mas fomos nos especializando na medida em que a demanda aumentou — diz Luiz Henrique Cudo, um dos sócios.

Vale a pena experimentar o burguer vegano da Picnic Foods Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Hoje o cardápio de cervejas artesanais é um dos chamarizes, além dos cafés, vinhos e petisquinhos clássicos de boteco (amendoim e aipim chips). O arrebatador burguer vegano virou até clássico. Trata-se de uma parceria com o Picnic Food, de Asdra Martin. Os sanduíches sem carne são produzidos numa rua bem próxima ao Tralharia e levados fresquinhos conforme a demanda.

Preços
Cerveja a partir de R$ 8
Cervejas artesanais de 500 ml a partir de R$ 26
Café expresso a partir de R$ 3,50
Água a partir de R$ 3,50
Hambúrguer Vegano Picninc Food - R$ 18

Horário de atendimento
Segunda-feira, das 16h às 22h
Terça a sexta, das 16h à meia-noite
Sábado, das 10h às 20h

Endereço
Rua Nunes Machado, 104, Centro, Florianópolis.
Informações: (48) 3028-3787

Roteiro obrigatório do Centro de Florianópolis

Onde começa o agito não importa. Fundamental é que estejam no roteiro algumas paradas obrigatórias: Tralharia, Taliesyn Rock Bar, Kibelândia e Gato Mamado. Dependendo da noite, vale uma esticada na Travessa Ratcliff, curtir o samba do Canto do Noel ou cervejas nos pubs. Para quem quiser encarar a noitada madrugada adentro, vale seguir o trajeto para as casas noturnas 1007 e Blues Velvet, no outro lado do Centro histórico.

Quando tem edição da Feira de Arte de Florianópolis, a FAF, aos sábados, a rota começa com uma passadinha na feira. Já quando é noite de abertura de exposição na Fundação Cultural Badesc, na quinta, então a romaria boêmia sai do casarão da Fundação e segue ladeira abaixo pelas ruas centrais.

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