Escritor catarinense Demétrio Panarotto bate um papo com o argentino Carlos Ríos - Hora

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Entrevista12/10/2016 | 06h05Atualizada em 12/10/2016 | 06h05

Escritor catarinense Demétrio Panarotto bate um papo com o argentino Carlos Ríos

Poeta e novelista argentino é um dos participantes do FLIC, que começa nesta quarta-feira, na Pedra Branca em Palhoça

Escritor catarinense Demétrio Panarotto bate um papo com o argentino Carlos Ríos Carlos Ríos/Arquivo Pessoal
Poeta e novelista argentino é um dos participantes do FLIC, que começa nesta quarta-feira, na Pedra Branca em Palhoça Foto: Carlos Ríos / Arquivo Pessoal

O FLIC - Festival Literário Internacional Catarinense, que ocorre até domingo (16) na Pedra Branca, em Palhoça, tem participação de oito escritores estrangeiros e mais de 50 nacionais. De fora do país, o festival receberá os escritores Fabián Severo e Gustavo Espinosa (Uruguai) - premiado recentemente pela Câmara Uruguaia do Livro, por sua nova novela Todo Termina Aquí -, Carlos Ríos e Ana Porrúa (Argentina), Harrie Lemmens (Holanda), Ana Carvalho, Nuno Camarneiro e Afonso Rocha (Portugal). 

Além de participar da mesa Irreverência na literatura latino-americana, na sexta-feira, ao lado dos colegas uruguaios e argentinos e do brasileiro Antonio Carlos Gonçalves dos Santos, com moderação de Marlon Aseff, o poeta e novelista argentino Carlos Ríos também fará o lançamento do livro Manígua (novela suaíli), com tradução de Antonio Carlos Santos e Jorge Wolff. 

O escritor e músico catarinense Demétrio Panarotto esteve com Ríos em Buenos Aires na última semana durante a oitava edição do Festival Internacional de Literatura de Buenos Aires (FILBA), onde o argentino apresentou um texto passando-se por seu duplo na literatura, o mexicano Mario Bellatin. Durante um café, os dois escritores conversaram sobre a obra de Ríos e sua vinda ao Brasil. 

Confira a entrevista: 

Quem é o escritor Carlos Rios na condição de duplo – para não dizer dublê! –  de Mario Bellatin? Como foi a experiência?
Nessa condição de duplo de um escritor admirado, posso dizer que fui pouca coisa mais que uma sombra, uma voz aproximada. Foi como me escutar dizendo, diante de um auditório, o que Mario diz de seus livros e, ao mesmo tempo, o que penso de sua obra. Uma grande experiência, recomendo (procurar um escritor favorito e ser o seu duplo, ainda que seja por um momento)! Em certos livros, o prazer da leitura pode se transformar num prazer de escritura. Nesse ponto há uma outra condição de duplo e sua contraface. 

De onde vêm as expressões castelhanas com acento mexicano que atravessam a literatura de Ríos?
Vivi vários anos no México. Há rastros dessas marcas nos livros que escrevi há mais de uma década. Tem a ver com leituras de escritores de lá e com certas modulações da língua que continuam soando, desde então, no meu ouvido. Assim acontece também com o português que escuto no Brasil: as palavras desenham ambientações sonoras que vão se tencionando no arco da literatura, naquilo que a literatura pode dizer da maneira que só ela pode dizer. 

Até que ponto o texto do livro Manigua (2009) - que foi traduzido para o português por Antonio Carlos Santos e Jorge Wolff (selo Armazém) e que será lançado no 1º Festival Literário Internacional Catarinense, em Palhoça -, difere do texto de Rebelión en la ópera (um de seus trabalhos mais recentes)?
Poderíamos dizer que são dois extremos; Manigua, essa primeira novela que ao ser traduzida para o português encontrou uma beleza insólita, é muito mais poética, mas tem um tom neutro em suas palavras, ao contrário de Rebelión en la ópera, que vem a ser a exposição de uma linguagem crispada, áspera, desgarrada e em contínua fricção. As dinâmicas - uma obra ancorada nos deslocamentos de clãs em vastos territórios, a outra dentro de um cárcere - estão distantes uma da outra, tornam-se estranhas, contudo há alguns elementos que as aproximam, como as encenações de ações vinculadas com o mundo da arte contemporânea. 

Já que estamos falando de duplos, quem seriam os duplos (ou o duplo), se é que os há, de Carlos Rios?
Pode-se dizer que o duplo de Carlos Ríos habita em cada livro. Ali ocorrem os desdobramentos e as multiplicações. Em cada livro habita uma versão do Ríos anterior. Nesses mundos narrados há diálogos e oposições que definem estéticas ou simplesmente estão ali para atestar que entre palavras, contra vento e maré, um projeto faz o possível para não se diluir e sobrevive encontrando amparo nessas vocês duplicadas. 

Agende-se
O quê: 1º FLIC - Festival Literário Internacional Catarinense
Onde: Praça Central e Auditório do Atrium Offices (Rua Jair Hamms, 38, Cidade Criativa Pedra Branca, Palhoça)
Quando: de 12 a 16 de outubro
Quanto: Evento gratuito

Santa Catarina recebe o 1º Festival Literário Internacional Catarinense
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