"Eu vivo de música atualmente porque eu faço 1001 atividades", diz Fábio Mozine, do Mukeka di Rato - Hora

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Clássico alternativo22/10/2016 | 07h01Atualizada em 22/10/2016 | 08h07

"Eu vivo de música atualmente porque eu faço 1001 atividades", diz Fábio Mozine, do Mukeka di Rato

Baixista do grupo de hardcore capixaba - que se apresenta em Florianópolis neste sábado - e empreendedor do mundo underground conversou com o DC 

Baixista do grupo de hardcore capixaba e empreendedor do mundo underground conversou com o DC  Foto: Fábio Mozine / Arquivo Pessoal

Qualquer um que curte hardcore conhece ou pelo menos já ouviu falar de Fábio Mozine, baixista do Mukeka di Rato, banda capixaba conhecida pelas letras com críticas sociais que ajudou a transformar o Espírito Santo em um polo do gênero no Brasil. Com 21 anos de estrada, o grupo se apresenta em Florianópolis neste sábado, no Célula, junto com as catarinenses Abominação, Hauser e Eutha. O show integra a programação do festival Floripa Noise, que vai até domingo (23).

Empreendedor do mundo underground, Mozine comanda a Läjä Records, selo que lança material de bandas de hardcore e punk, entre outros estilos, é criador do Crackinho, personagem que é uma pedra de crack que ganhou até livro de colorir, e integra também as bandas Os Pedrero e Merda. Por WhatsApp, de Vila Velha, Mozine conversou com o DC. Leia a entrevista:

A Wikipedia diz que o Mukeka di Rato é conhecido por seus "shows irreverentes". O que o público do Floripa Noise pode esperar?
Quer dizer que a Wikipedia falou isso aí? Então acho que é, né. São irreverentes, agressivos, energéticos. Então acho que a galera de Floripa pode esperar um show que vai abranger toda a carreira do grupo, desde os primeiros CDs até as músicas do último disco, tudo misturado. É uma seleção que a gente crê que são as músicas mais legais de cada disco, que costumam agradar a galera. E a gente espera um show com bastante resposta do público, afinal tem algum tempo que a gente não toca em Floripa.

Você se lembra da última vez que o Mukeka tocou em SC?
Sinceramente, não lembro muito bem qual foi a última vez que a gente tocou em Floripa com o Mukeka di Rato. Com outras bandas que eu tenho (Os Pedrero e Merda), tive aí recentemente. Com o Mukeka di Rato, a gente já fez bastantes shows em Santa Catarina, mas por incrível que pareça em Floripa a gente tocou poucas vezes. Mas é um público que tem bastante carinho pela gente, o Estado em si é muito presente nas nossas redes sociais, é um pessoal que compra muito CD, e apoia bastante a banda.

Como seria uma nova música do Mukeka sobre o atual momento do Brasil? Vocês estão produzindo algo novo?
A gente não produzindo nada novo por enquanto, devido a vários fatores, incluindo o fato de nosso baterista estar morando em Santa Catarina, em Balneário Camboriú, e nós em Vila Velha. Isso dificulta bastante o processo criativo. Nosso último disco (Hitler's Dog Stalin Rats, de 2014), se for pensar bem, foi meio que concebido na explosão daqueles movimentos lá, a doidera toda, o início dessa zoeira aí. Ele fala muito sobre isso, sobre esse ódio, essa direita raivosa, a esquerda também. Mas esse assunto é massivo, é uma coisa chata que difícil até de falar sobre isso.

Foto: Mukeka di Rato / Divulgação

Na loja virtual da Läjä tem fitas K7! Alguém ainda compra?
Então, algumas mídias tipo fita K7, LP, vinil, nunca saíram de uso dentro da cena hardcore. Nossas tiragens são menores, artesanais, não visam muito o lucro, são limitadas mesmo pra colecionadores. Então, vende alguma coisa ainda, não é uma venda monstruosa mas tem público, sim.

Você vai trazer produtos do selo pra vender aqui em Floripa? Quais?
Em todo show a gente leva a banquinha da Läjä, além das coisas do Mukeka di Rato vamos levar coisas das outras bandas do selo, coisas do Crackinho, que é o personagem que a gente tem.

Você é muito empreendedor. Acha que hoje é possível alguém lançar um selo e viver de música como você faz? Quais os maiores desafios de manter um selo como a Läjä hoje?
Na verdade, eu vivo de música atualmente porque eu faço 1001 atividades. Além do Mukeka di Rato eu tenho outras duas bandas, eu tenho selo, eu faço capa de disco, faço mixagem, faço assessoria de imprensa, inscrevo editais no governo, então fazendo várias coisas. Dessa forma, hoje conseguindo viver de música. Mas é difícil, foi muito difícil chegar até aqui. E às vezes eu me sinto um pouco inseguro ainda, sacou? A Läjä, por mais que pareça organizada, não é tão organizada assim, sou eu sozinho aqui. Eu vivo bem, tenho uma vida feliz, meu trabalho é muito bom, só que eu tenho sim bastante insegurança às vezes, mas acho que em qualquer trabalho é assim. Mas é isso, se o cara quiser montar um selo hoje, eu recomendo ter um pouco de carinho envolvido e não ter o dinheiro em mente, você tem que fazer música, fazer cultura, e o dinheiro vai vir depois. E recomendo que tenha um emprego paralelo também, e você só largar esse emprego depois de um tempo de atividade do selo.

Como você vê a cena hardcore brasileira atual? A galera das antigas ainda vai nos shows? As bandas antigas conseguiram conquistar o pessoal mais novo?
Acho que a cena hardcore sempre se renovando. Sei que tem bastantes bandas novas em São Paulo, que estão conquistando seu espaço, mas a gente que é véio, né, fica com aquele saudosismo dos anos 90, achando que as demos eram mais legais. Mas acho que se renovando bem e acho que o Mukeka conseguiu, além de manter parte dos véio que acompanham a gente, que são nossos amigos, conquistar um público novo. A gente vê muito moleque novo no nosso show. É uma banda muito energética, que atrai muita gente jovem, por mais que a gente seja velho.

Você acompanha alguma banda daqui, está ligado no que está acontecendo no nosso Estado?
De Santa Catarina, antigamente eu tinha mais contato com as bandas, Euthanasia, de Florianópolis, tinha também Os Caras de Marte, de Joinville, mas a gente sempre de olho em tudo que acontecendo, recebendo material de bandas de todo o Brasil. A gente sempre costuma ouvir e quando possível dar oportunidade pras bandas abrirem pra gente. Mas é isso aí. Queria mandar um abraço pra rapaziada e compareçam no show aí que a gente vai quebrar tudo, no bom sentido.

Agende-se
O quê: Floripa Noise apresenta Mukeka di Rato + Abominação + Hauser + Eutha
Quando: sábado (22), às 23h
Onde: Célula (Rodovia João Paulo, 75, Saco Grande, Florianópolis)
Quanto: R$ 20, à venda na Roots Records e no local

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