Cantos de ofício: festival apresenta músicas tradicionais que expressam o trabalho no campo e na cidade  - Hora

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Em Santa Catarina16/11/2016 | 12h39Atualizada em 16/11/2016 | 12h39

Cantos de ofício: festival apresenta músicas tradicionais que expressam o trabalho no campo e na cidade 

Sonora Sesc Brasil é o maior projeto de circulação musical do país e será apresentado em 23 cidades catarinenses até 16 de dezembro

Cantos de ofício: festival apresenta músicas tradicionais que expressam o trabalho no campo e na cidade  Marco Vasconcelos/Divulgação
Grupo Quebradeiras de Coco Babaçu (MA) é formado por oito mulheres que trabalham na quebra do coco babaçu Foto: Marco Vasconcelos / Divulgação

Cantos de trabalho são aqueles que nasceram coletivamente, durante alguma prática de trabalho. Foi assim que surgiu o blues, nos Estados Unidos. As ¿worksongs¿ eram entoadas pelos trabalhadores do campo para embalar as intermináveis e sofridas jornadas. No Brasil, os cantos de trabalho cumprem funções diferentes, dependendo do tipo de ofício e da região. Essas manifestações tradicionais são o tema da edição 2016 do Sonora Sesc Brasil, maior projeto de circulação musical do país. O festival chega a Santa Catarina nesta quarta e será apresentado em 23 cidades até o dia 16 de dezembro. 

São Miguel da Oeste e Chapecó são as primeiras cidades a receber o projeto. Grupos do Nordeste e do Sudeste que representam formas tradicionais relacionadas a trabalhos rurais foram selecionados: Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa, de Alagoas; Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente, da Bahia; e Quebradeiras de Coco Babaçu, do Maranhão; já o Grupo Ilumiara, de Minas Gerais, é formado por músicos pesquisadores de diversas vertentes do tema. Em formato de mostras musicais, o festival promove três apresentações gratuitas em cada município, uma por dia. 

Ainda que a função e a forma dos cantos de ofício variem de acordo com aspectos culturais e sociais de cada localidade, normalmente é uma maneira de aliviar o desgaste físico e, mais que isso, serve como forma de externar lamento e crítica.

— Essa edição do Sonora nos proporciona conhecer algumas das sonoridades tradicionais do país, toda a influência musical dos povos originários e as transformações que as comunidades foram vivenciando ao longo do tempo com as migrações e imigrações. Esses cantos dão ritmo ao trabalho — afirma a gerente de cultura do Sesc em Santa Catarina, Maria Teresa Piccoli.

Conheça os grupos

Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa (AL)

Destaladeiras de Fumo de Arapiraca é um grupo formado por cinco mulheres e tem como característica o canto arrastado Foto: Frederico Ishikaw / Divulgação

Formado por cinco mulheres da região de Sítio Fernandes, município de Arapiraca, e por Nelson Rosa, mestre de coco de roda. Os cantos das destaladeiras são entoados em várias vozes, com uma só voz no improviso dos versos tirado pelas líderes do salão. São em forma de trovas rimadas e têm como característica serem arrastados e sem acompanhamento instrumental. 

As Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente (BA)

As Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente (BA) têm repertório de cantigas conhecidas desde a infância  Foto: Robson di Almeida / Divulgação

Formado por seis mulheres e dois homens da região de Valente. O repertório das cantadeiras, entoado em grupo durante a produção do artesanato, é formado por cantigas conhecidas desde a infância e outras de uma memória mais recente. Já o aboio ¿pé duro¿ é a ferramenta de trabalho dos aboiadores e as toadas são sua companhia das horas de descanso no campo. 

Quebradeiras de Coco Babaçu (MA)
Formado por oito mulheres que trabalham na quebra do coco babaçu e também exercem um importante papel de liderança na defesa e valorização do trabalho das quebradeiras. São cânticos entoados com voz firme e potente, e marcados pelo ritmo do machado e do porrete. As letras refletem uma postura crítica e questionadora diante das condições de vida das trabalhadoras.

Ilumiara (MG)

Grupo Ilumiara, de Minas Gerais Foto: Tarcisio de Paula / Divulgação

Formado por cinco músicos pesquisadores de diversas vertentes do tema. O espetáculo contextualiza os cantos de trabalho no Brasil e interpreta vissungos, cantigas de ninar, canto de lavadeiras, entre outros, em arranjos elaborados a partir de uma visão estética contemporânea.

PROGRAME-SE

São Miguel do Oeste 
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 16/11
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 17/11
Ilumiara: 18/11

Chapecó
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 17/11
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 18/11
Ilumiara: 19/11

Xanxerê 
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 18/11
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 19/11
Ilumiara: 20/11

Concórdia
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 19/11
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 20/11
Ilumiara: 21/11

Joaçaba
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 20/11
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 21/11
Ilumiara: 22/11

Caçador
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 22/11
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 23/11
Ilumiara: 24/11

Lages
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 23/11
Quebradeiras de Coco Babaçu: 24/11
Ilumiara: 25/11

Lages – Pousada Rural
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 24/11
Quebradeiras de Coco Babaçu: 25/11
Ilumiara: 26/11

São Joaquim
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 25/11
Quebradeiras de Coco Babaçu: 26/11
Ilumiara: 27/11

Rio do Sul
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 26/11
Quebradeiras de Coco Babaçu: 27/11
Ilumiara: 28/11

Vidal Ramos
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 27/11
Quebradeiras de Coco Babaçu: 28/11
Ilumiara: 29/11

Criciúma 
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 29/11
Quebradeiras de Coco Babaçu: 30/11
Ilumiara: 01/12

Capivari de Baixo
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 30/11
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 01/12
Quebradeiras de Coco Babaçu: 2/12

Laguna
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 01/12
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 02/12
Quebradeiras de Coco Babaçu: 03/12

Florianópolis
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 02/12
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 03/12
Quebradeiras de Coco Babaçu: 04/12

Porto Belo 
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 03/12
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 04/12
Quebradeiras de Coco Babaçu: 05/12

Brusque
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 04/12
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 05/12
Quebradeiras de Coco Babaçu: 06/12

Blumenau
Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa: 06/12
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 07/12
Quebradeiras de Coco Babaçu: 08/12

Balneário Camboriú
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 08/12
Quebradeiras de Coco Babaçu: 09/12
Ilumiara: 10/12

Itajaí
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 09/12
Quebradeiras de Coco Babaçu: 10/12
Ilumiara: 11/12

Jaraguá do Sul
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 10/12
Quebradeiras de Coco Babaçu: 11/12
Ilumiara: 12/12

São Bento do Sul
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 11/12
Quebradeiras de Coco Babaçu: 12/12
Ilumiara: 13/12

Canoinhas
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 12/12
Quebradeiras de Coco Babaçu: 13/12
Ilumiara: 14/12

Joinville
Cantadeiras do Sisal e Aboiadores de Valente: 14/12
Quebradeiras de Coco Babaçu: 15/12
Ilumiara: 16/12

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