Conheça 8 livros imprescindíveis de autores que vão estar no Festival do Conto, em Florianópolis - Hora

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Mapa de leitura16/11/2016 | 03h08Atualizada em 16/11/2016 | 08h25

Conheça 8 livros imprescindíveis de autores que vão estar no Festival do Conto, em Florianópolis

Escritor e colunista do DC, Carlos Schroeder selecionou as obras

Carlos Henrique Schroeder
Carlos Henrique Schroeder

carlos.schroeder@gmail.com

O 6º Festival do Conto começa nesta quarta e prossegue até sábado. Confira um pequeno guia com livros de autores que passarão pelo evento: mãos às obras.

O cego e a dançarina (Record, 142 páginas, R$ 32,99), de João Gilberto Noll

O primeiro livro do autor gaúcho recebeu os prêmios Revelação do Ano, da Associação Paulista de Críticos de Arte, Ficção do Ano, do Instituto Nacional do Livro e o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. É um dos livros de contos mais importantes dos anos 1980 e investiga a errância das relações contemporâneas. Destaque para a narrativa Alguma coisa urgentemente, adaptada para o cinema sob o título Nunca fomos tão felizes, com direção de Murilo Salles, em 1983.

Foto: reprodução / Reprodução

A máquina de ser (Bertrand, 160 páginas, R$ 23,90), de João Gilberto Noll

 São vinte e quatro contos com a tônica da solidão: o desalento de quem vive numa sociedade onde todos os gestos querem ser mecanizados. Mas o pensamento, este quieto animal da esquina, flui e mostra que linguagem é sobretudo liberdade. A disposição temática dos contos contempla uma diversidade de narradores e atmosferas cujo encadeamento confirma e, ao mesmo tempo, renova a habilidade que o autor tem de surpreender - e desestabilizar - seu leitor, na medida em que revela novas, profundas e inesgotáveis possibilidades de ser.

Foto: reprodução / Reprodução

Os anões (Cosac Naify, 59 páginas, R$ 42,90), de Veronica Stigger

A violência de existir: em cada linha, palavra ou vírgula. Na mesma medida da brevidade dessas narrativas está sua contundência. A história do casal de anões que é linchado por furar uma fila une-se a de atores que despencam de um teleférico protagonizando um espetáculo absurdo; ou mesmo com a de um rapaz que é processado por exibir um poema como tatuagem. Stigger constrói um mosaico e prova que viver é absurdo, mas também uma forma de poesia.

Foto: reprodução / Reprodução

 Sul (34, 96 páginas, R$ 35,00), de Veronica Stigger

O recém-lançado livro de Veronica Stigger reúne um conto, uma peça teatral curta e um poema, que se contrapõem e dialogam ao mesmo tempo. O primeiro texto, 2035, é um relato de tom kafkiano e sombrio situado num futuro distópico. Já na peça Mancha, duas personagens com o mesmo nome, Carol 1 e Carol 2, travam um diálogo entre cômico e absurdo em torno de uma mancha de sangue no chão de um apartamento. Por fim, o longo poema O coração dos homens se constrói sobre memórias de infância em que se confundem verdade e mentira, fato e ficção. Ligando os três textos: sangue, muito sangue, e um uso extremamente consciente e singular da linguagem.

Palavras secretas (Companhia das Letras, 174 páginas, R$ 39,90), de Rubens Figueiredo

Vencedor do Prêmio Jabuti em 1999, este livro de contos  é um tabuleiro de xadrez em que cada movimento do leitor leva para uma experiência diferente. Os caminhos abertos pelas oito histórias aqui reunidas são como corredores de espelho, onde as saídas são ilusões que se refletem umas nas outras. Esses contos dão a pista para a entrada em um mundo secreto, onde o maior prazer é se deixar levar para dentro de um labirinto de enganos e surpresas superpostos. Histórias para encontrar nosso próprio coração selvagem.

Contos de Pedro (Companhia das Letras, 216 páginas, R$ 44,90), de Rubens Figueiredo

O autor busca nas nuances e nos detalhes do cotidiano as sutilezas que conferem a cada vida o seu colorido particular. Rubens Figueiredo leva às últimas consequências sua investigação sobre o desenvolvimento dessas vidas interiores, criadas pela sua imaginação literária, em confronto com as condições concretas de existência modeladas por essa mesma imaginação. Cada um de seus Pedros, no campo ou na metrópole, na favela ou na mansão, nos comunica uma pulsação particular, uma experiência única e perturbadora. As narrativas contidas nesta obra se passam em grande parte dentro da consciência dos personagens; a experiência do real é filtrada, em cada caso, por uma inteligência e uma sensibilidade particulares.

Reza de mãe (Nós, 104 páginas, R$ 30,00), de Allan da Rosa

Uma abordagem linguística e literária que contempla a dura vivência na periferia sob o prisma afro-brasileiro, dos movimentos negros que germinam nas franjas da metrópole, que já estabeleceram uma produção cultural de inédito colorido poético.

Não se trata apenas de dar voz ao excruciante cotidiano daqueles que vivem à margem do sistema. Allan o faz através de uma revolução estética que perpassa vários níveis, desde um trabalho de fixação de sonoros vocábulos e nomes de origem africana (malunga, requenguela, Mutalambô e outros) até uma sintaxe original na fatura das narrativas, que possuem grande poder de encantamento graças tanto ao lirismo pungente do destino dos personagens quanto ao entrelaçamento de algumas histórias.

Ainda orangotangos (Bertrand, 82 páginas, R$ 39,90), de Paulo Scott

Os textos de Paulo Scott relatam um mundo observado com as únicas lentes capazes de encarar a realidade: os olhos da loucura. O prefácio é assinado pelo escritor e crítico literário José Castello, que afirma que ¿os contos de Scott perseguem o ser humano ali onde ele é mais humano, e mais desumano também. Ali onde tudo fracassa e, em meio à derrota, num sopro de coragem, o homem, apesar de tudo, vence¿. Temas considerados desagradáveis, como epidemias, torturas, obsessões e perversões, são recorrentes na prosa de Scott, repleta de uma poesia antilírica tirada do feio e do lúgubre. Ainda orangotangos, prossegue Castello, ¿sempre orangotangos: homens da floresta virgem, lançados no abismo da origem. Homens do início, precursores, mas também estigmas, fardos a carregar. Um passado que pesa.¿

Foto: reprodução / Reprodução

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