Em novo espetáculo, polêmico ERRO Grupo propõe um debate público e ironiza discursos políticos  - Hora

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Teatro08/11/2016 | 03h00Atualizada em 08/11/2016 | 03h00

Em novo espetáculo, polêmico ERRO Grupo propõe um debate público e ironiza discursos políticos 

23º Debate Público (nome artístico) / Jogo Ágora (nome completo) é o nome da peça, que será apresenta terça no estacionamento da Udesc e nos dias 11 e 14 de novembro no Centro de Florianópolis

Em novo espetáculo, polêmico ERRO Grupo propõe um debate público e ironiza discursos políticos  Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Escolha o político: nomes como Donald Trump, Martin Luther King e políticos catarinenses Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

A nova montagem do premiado ERRO Grupo, como praxe, provoca o público a sair do ponto de observador para participar e, dessa vez, de uma peça-debate no Senadinho, a conhecida esquina democrática no Centro de Florianópolis. 23º Debate Público (nome artístico) / Jogo Ágora (nome completo) — o nome é grande assim mesmo — propõe um evento político real e ficcional ao mesmo tempo, em que atores em cena convidam o público a representarem figuras políticas de Santa Catarina, do Brasil e do mundo. A temporada de estreia terá apresentações terça, onde excepcionalmente será na Udesc, e nos dias 11 e 14 de novembro.

A estreia oficial foi dois dias antes da votação para o segundo turno das eleições municipais, e de propósito, já que a ideia é que o público escolha representantes fictícios, embora os nomes sejam reais, dos mais diversos ideias, ideologias políticas e opiniões. Nessa linha, o grupo experimenta ou ironiza as dinâmicas de discurso político e suas estratégias de retórica discursiva.

— O espetáculo faz parte da pesquisa que a gente realizou ao longo de 22 debates públicos na rua, quando percebemos os vícios de ação das pessoas e como a democracia se dá num debate. Desde as distribuições de função e a questão das representatividades. É um trabalho bem vivo e diferente a cada dia — diz a atriz Luana Raiter.

Primeira apresentação foi antes da votação para o segundo turno na Capital Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

A obra é o desdobramento do projeto de manutenção do ERRO Grupo, que completou 15 anos em 2016. A concepção é de Pedro Bennaton, que também assina a direção, e realiza a dramaturgia com Luana Raiter.

A REAÇÃO DAS RUAS

A peça começa já com a montagem do cenário, cadeiras de plástico organizadas em círculo no meio da rua, enquanto atores preparam-se para o debate-espetáculo. Na estreia no dia 28 de outubro, uma sexta ensolarada de pré-eleições, curiosos, transeuntes, moradores de rua, todos os que passaram pela esquina democrática interagiram com a situação de alguma forma, ainda que sem entender que se tratava de uma performance.

Em cena, os atores Dilmo Nunes, Luana Raiter, Luiz Henrique Cudo e Sarah Ferreira intercalaram funções, ora assumindo o papel de algum líder político, ora convidando as pessoas a participarem do debate ou costurando a bandeira do Brasil.

O jogo proposto foi que atores e participantes puderam escolher o nome do político — na lista estavam Getúlio Vargas, Brizola, Luiz Henrique da Silveira, Fidel Castro, Angela Merkel (chanceler da Alemanha), Cesar Souza Junior e até Martin Luther King — para representar. 

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Também sugeriram frases para substituir "Ordem e Progresso" na bandeira nacional. Uma vez no papel dos representados, os atores brincaram com a fala dos políticos, os clichês, a entonação.

Uma estudante que ficou quase todo o espetáculo encostada na parede de uma loja, olhando sem participar, comentou:

— Primeiro, eu não estava entendendo. Só agora saquei que era performance — afirmou.

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Um senhor que estava acompanhando o jogo de dominó ao lado, dizia:

—  Poderia ser em outro lugar, né?

Depois emendou:

— Esse país não tem jeito. É muito sofrimento. O povo gosta de sofrer — disse, reagindo aos discursos que ouvia.

Alguns jogadores de dominó gritavam: "vão trabalhar!" Outro senhor, acostumado a ver os ensaios e apresentações do ERRO, explicava para os outros que aquilo era trabalho, sim, e que importante é "realizar sonhos."

A atriz Luana Raiter  Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Rosa, uma moradora de rua que costuma ficar no degrau em frente à vitrine de uma livraria, continuou ali, indiferente às questões levantadas pelos artistas.Só não ficaram indiferentes as pessoas que passaram por ali. Participantes ou não, entendendo ou não que se tratava de teatro, tiveram a oportunidade de se colocar no papel de um cidadão que não apenas opina nas redes sociais, mas que é ativo. Ainda que na ficção.

Agende-se
O quê:
Espetáculo 23º Debate Público (nome artístico) / Jogo Ágora (nome completo), do ERRO Grupo
Quando: terça, 18h (na Udesc). Sexta, às 16h, e dia 14/11, às 12h (Senadinho)
Onde: estacionamento da Udesc (Avenida Madre Benvenutta, 1.907, Santa Mônica, Florianópolis). Dias 11 e 14 na esquina das Ruas Trajano e Felipe Schmidt (Senadinho), Centro, Florianópolis
Quanto: gratuito

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