No retorno do Guns N' Roses a Porto Alegre, Slash ofusca Axl Rose e a esperança de vê-lo em forma - Hora

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Crítica09/11/2016 | 02h51Atualizada em 09/11/2016 | 20h13

No retorno do Guns N' Roses a Porto Alegre, Slash ofusca Axl Rose e a esperança de vê-lo em forma

Banda tocou com três de seus membros clássicos na noite desta terça, no Estádio Beira-Rio, para mais de 47 mil pessoas

No retorno do Guns N' Roses a Porto Alegre, Slash ofusca Axl Rose e a esperança de vê-lo em forma Felipe Nogs/Agencia RBS
Axl Rose, Slash e seus companheiros de Guns N' Roses tocaram na noite desta terça-feira no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre Foto: Felipe Nogs / Agencia RBS

Uma das bandas que ajudam a resumir o que se entende por rock 'n' roll, o Guns N' Roses sempre teve como elemento de equilíbrio a relação praticamente perfeita entre o vocalista sensual e carismático Axl Rose e o guitarrista de visual bruto e habilidade extraordinária Slash. Mais do que cantor e instrumentista, a dupla é um ícone. Duas décadas depois do auge, no entanto, o segundo mantém a postura que o deu fama – e entende sua importância na dinâmica que fez o Guns mais do que uma banda, um símbolo – mas o primeiro parece ter ficado para trás.

Slash mudou pouco. Axl mudou demais. Slash não erra. Axl, mesmo quando tecnicamente impecável, não consegue empolgar. Os solos de Slash geraram, sempre que tocados, aplausos da plateia antes mesmo de acabarem. Os momentos em que o brilho era de Axl deixaram na língua da plateia um gosto amargo.

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Não há dúvidas de que a terceira passagem da banda por Porto Alegre foi a melhor – em 2010, a banda subiu ao palco quase cinco horas depois do previsto, enquanto, em 2013, um Guns repleto de coadjuvantes teve o show marcado por problemas sonoros (seja de equipamento ou de voz). 

Também é evidente que Axl Rose está melhor do que estava há três, seis, mesmo 10 anos atrás. É notável seu esforço para alcançar o seu melhor estado físico, mas mais claro ainda é seu fôlego escasso. Don't cry, tocada no bis, dá ares de um Axl de 20 anos atrás quando o vocalista sussurra as primeiras estrofes (com direito a suspiro em "give me a whisper"), mas quando as notas graves viram agudas e a parte final exige potência, o vocalista some. O hino November rain é outra que passa quase batida na apresentação, em uma performance apressada, sem capricho.

Por outro lado, assim que emenda o riff da trilha de O poderoso chefão com as clássicas notas de Sweet child o'mine, Slash arranca berros enlouquecidos (talvez os únicos que mereçam adjetivos tão fortes em três horas de show) das 47 mil pessoas do estádio. Ou quando executa os infinitos e incríveis solos de November rain. Não à toa, o guitarrista é quem passa a maior parte do tempo na parte mais frontal do palco, mais perto do gargarejo. Respaldado por uma performance impecável, o guitarrista pode usar seu carisma e ganhar os fãs.

No fim das contas, o show desta terça mostra uma tendência que os porto-alegrenses já podiam ter previsto: em seu último show na Capital, no ano passado, Slash mostrou que mantinha-se na ponta dos cascos e que o fato de não ter parado após o colapso do Guns N' Roses o ajudara – exatamente o contrário do que parece ter acontecido com seu mais importante companheiro de banda.


 
 
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