George Michael saiu do armário para lutar pelos direitos dos gays - Hora

Luto na música26/12/2016 | 16h35Atualizada em 26/12/2016 | 16h35

George Michael saiu do armário para lutar pelos direitos dos gays

Cantor, morto no domingo, manteve segredo sobre sua orientação sexual até o final da década 1990

George Michael saiu do armário para lutar pelos direitos dos gays MIGUEL MEDINA/AFP
Foto: MIGUEL MEDINA / AFP
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George Michael guardou por muito tempo em segredo a sua homossexualidade, mas com uma carreira sólida e de sucesso no final dos anos 1990, o cantor britânico finalmente investiu publicamente em favor dos direitos dos gays. O artista, que morreu no domingo aos 53 anos, revelou sua orientação em 1998 — após quase 20 anos de carreira — depois de ter sido preso por atentado ao pudor em um banheiro público da cidade americana de Los Angeles.

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Muito clara no mundo do entretenimento, sua homossexualidade, no entanto, era desconhecida do público em geral. Mais tarde, ele contou que não quis se revelar enquanto sua mãe era viva.

— Para os pais, na década de 1980, ser gay costumava dizer ser soropositivo — justificou em 2007, em entrevista à rádio BBC. — Minha mãe ainda estava viva e cada dia era um pesadelo para ela pensar que eu poderia ser afetado pelo vírus da aids —, acrescentou o artista.

— Na época, os tabloides eram terríveis com personalidades homossexuais — explica Peter Tatchell, um dos principais ativistas britânicos dos direitos dos homossexuais, para quem George Michael não temia apenas a reação de sua mãe: — Eles eram difamados e sua imagem era enlameada. Ser gay era visto como um escândalo e uma vergonha.

Pior: a explosão da aids levou, segundo Tatchell, a um aumento da homofobia.

— O bullying contra os gays e os assassinatos de homossexuais explodiram. Foi uma época terrível para os gays, e até mesmo para figuras públicas. Se George tivesse revelado a sua homossexualidade naquela época, poderia, talvez, ter ajudado a lutar contra isso. Mas eu entendo por que ele não o fez — afirma Tatchell.

Foto: Reprodução

Seu primeiro amor, um brasileiro vítima da aids

Durante um show no Rock in Rio, no Rio de Janeiro, em 1991, o britânico conheceu Anselmo Feleppa, um estilista brasileiro que se tornou seu primeiro amor.

— É muito difícil afirmar sua sexualidade enquanto ela não te proporciona nenhuma alegria, mas fica menos difícil quando você encontra o verdadeiro amor — confidenciou o cantor em entrevista ao Huffington Post.

Após seis meses de relacionamento, o brasileiro descobriu que era portador do HIV, um choque para George Michael.

— Eu não podia passar por isso com a minha família, porque eu não sabia como dizer a eles, que nem sabiam que eu era gay. Também não conseguia nem falar com os meus amigos mais próximos, porque Anselmo não queria — lembrou.

Seu companheiro morreu em 1993 de uma hemorragia cerebral relacionada com o vírus.

"Os céus enviaram e os céus roubaram / Você sorriu para mim / Como Jesus para uma criança", cantou George Michael em 1996, em Jesus To a Child, uma homenagem a Anselmo.

— Para meus fãs e aqueles que realmente ouviam as letras, sentia como se estivesse saindo do armário — revelou mais tarde.

O elemento desencadeador foi finalmente sua detenção, em 1998, em Los Angeles, "um ato deliberado desencadeado por meu subconsciente", explicou à BBC, lamentando não ter revelado a sua homossexualidade anteriormente.

— Eu não acho que teria tido a mesma carreira - o meu ego poderia não ter sido satisfeito em todas as áreas - mas eu provavelmente teria sido um homem mais feliz — considerou posteriormente.

No ano em que revelou sua opção sexual, ele começou a se engajar na causa homossexual, ajudando na realização de um documentário que retrata seis jovens soropositivos.

Fora dos holofotes, o artista também financiou o Terrence Higgins Trust, uma organização britânica de luta contra o HIV.

"Seus dons ajudaram a moldar um mundo em que as pessoas que vivem com HIV, vivem saudáveis, livres de preconceito e discriminação", afirmou nesta segunda-feira a instituição de caridade no Facebook.

 
 
 

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