O baile black de Mano Brown: rapper reúne time estrelado em disco com pegada soul e funk que fala de amor - Hora

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Líder dos Racionais em álbum solo15/12/2016 | 14h01Atualizada em 15/12/2016 | 18h35

O baile black de Mano Brown: rapper reúne time estrelado em disco com pegada soul e funk que fala de amor

No centro do novo mundo de Brown está a temática do amor, traduzido numa pegada funk, soul e R&B

O baile black de Mano Brown: rapper reúne time estrelado em disco com pegada soul e funk que fala de amor Boogie Naipe Produções/Divulgação
Mano Brown chamou grandes nomes da música nacional e internacional para ajudá-lo em sua empreitada sem os outros Racionais Foto: Boogie Naipe Produções / Divulgação

Um possível ponto de partida para entender Boogie naipe, investida solo de Mano Brown lançada na semana passada, é revisitar Cores & valores, o álbum de 2014 dos Racionais MC's. Naquele disco, o líder do principal grupo de rap do país já nos brindava com uma letra romântica na qual pedia: "Baby, me dê a mão e confia em mim, eu/ Quero te mostrar um mundo novo, só meu/ Peço discrição por mais de mil motivos/ Não por nada, um pouco possessivo, perdão".

Dois anos depois, versos de Eu te proponho voltam em Felizes, a última faixa de Boogie naipe. No centro do novo mundo de Brown está a temática do amor, traduzido numa pegada funk, soul e R&B. "Não é um disco de world music, um monte de coisa misturada. Uso uma mistura que já existiu e crio uma química nova", diz o artista no material de divulgação de seu mais recente álbum. "Você pega a coisa do soul, com alguma coisa de outra época e alguma coisa de agora e faz uma outra música nova. Como quase tudo que existe hoje, é uma mistura com alguma coisa que já existiu".

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É no groove de Marvin Gaye e em outros sons de sua juventude que o músico de 46 anos se inspira. A ideia aqui é lançar um olhar para o passado.

O clima do disco é de festa, que pode ser resumido com a dançante Foi num baile black, faixa com a participação do veterano Hyldon: "Tantas vezes voltei ao baile pra rever/ Dançar outra vez com você (...) Tem que ser você/ Eu te procurei pela cidade". É, nas palavras de Brown, música romântica, mas com o espírito da rua. Esqueça, entretanto, as letras politizadas com denúncias contra as injustiças sociais que deram fama aos Racionais MC's nos anos 1990.

Em Adicto, outra faixa poderosa do álbum, o ritmo suingado de festas de música black sai de cena para dar lugar à sofrência: "De bar em bar/ Decorando o balcão/ Dessa vez não/ Aprendi a amar/ Sofro desde então/ Mas dessa vez não/ Dessa vez não, dessa vez/ Se você pensa que vai fazer de mim/ Um cão sem lucidez / Mas dessa vez não".

Mano Brown chamou grandes nomes da música nacional e internacional para ajudá-lo em sua empreitada sem os outros Racionais. Na lista figura o norte-americano Leon Ware, ex-colaborador de Marvin Gaye. Um dos destaques da lendária gravadora Motown, Ware trabalhou anteriormente com Marcos Valle, Michael Jackson, Quincy Jones e o casal Ike e Tina Turner.

Habitam ainda o universo intimista do líder dos Racionais Lino Kriss – que assina com Brown a produção de Boogie naipe –, William Magalhães, Carlos Dafé, Seu Jorge, Du Bronks, Helião (do RZO), Don Pixote, DJ Cia, os irmãos Max de Castro e Wilson Simoninha, Ellen Olléria, Mara Nascimento e Dado Tristão.

Com esse time, Brown coloca todo mundo para mexer os quadris na pista e, de quebra, consegue amolecer os corações mais duros.

Foto: Boogie Naipe Produções / Divulgação

BOOGIE NAIPE
De Mano Brown
Hip-hop, Boogie Naipe, 22 faixas, disponível para audição nos serviços de streaming.
Cotação: muito bom

Ouça o disco:


 
 
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