Banda Skrotes se apresenta no Sesc Instrumental em SP e prepara novo disco para este ano - Hora

Vídeo20/02/2017 | 15h17Atualizada em 21/02/2017 | 09h40

Banda Skrotes se apresenta no Sesc Instrumental em SP e prepara novo disco para este ano

Mais maduro, grupo de rock instrumental de Florianópolis chega aos oito anos e prepara-se para lançar novo álbum até a metade de 2017

Banda Skrotes se apresenta no Sesc Instrumental em SP e prepara novo disco para este ano Leo Munhoz/Agencia RBS
Chico Abreu, Guilherme Ledoux e Igor de Patta  Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Com a maturidade vem a plenitude. Caminho que pode ser infindo, ou pelo menos até quando durar o estoque de antídoto para o tédio, os Skrotes percorrem uma rota ascendente. Com oitos anos de formação e experimentações sonoras, dinâmicas surrealistas, jazz, rock, piano clássico, percussão e solos, o grupo de rock instrumental de Florianópolis, que já era disruptivo, está melhor. Nesta segunda-feira, com a apresentação no Sesc Instrumental, em São Paulo, palco onde ídolos da banda já pisaram, eles selam uma fase mais madura, que será reafirmada com o lançamento do segundo álbum até a metade deste ano.

O trio formado por Chico Abreu (baixo), Guilherme Ledoux (bateria) e Igor de Patta (teclados) nunca foi convencional. Com certa vocação para a desconstrução de gêneros, desde o começo, em 2009, eles vêm transitando por estilos diversos, com a premissa de ser instrumental sem ser pedante.

—Agora está mais fácil de entender, tem menos solos. Estamos melhores — diz o pianista e criador obstinado Igor de Patta.

— Acho que esse novo disco deu uma simplificada no som. Agora bate mais rápido.  Antes era mais jazz, tinha mais improvisos. Agora está mais popular e fácil de entender — acrescenta o baterista Guilherme Ledoux.

Confira, em primeira mão, a música Amuleto, do novo álbum:

Novo disco terá nove faixas

Gravado no final do ano passado, o álbum batizado Tropical Mojo teve a mão do produtor Edu K, músico que desdobrou a banda e conseguiu a façanha de criar um banco de samplers dos três instrumentistas. Foi como gravar mais deles próprios.

— O disco é uma versão mais madura de nós. Trabalhamos com a ideia de ter mais tempo para desenvolver a música. Dentro do instrumental, sempre fomos mais pop. Estamos mais digeríveis que o jazz ¿cabeçudo¿ de antes — opina o baixista Chico Abreu.

Tropical Mojo é o segundo disco dos Skrotes e único produzido em estúdio — foi todo gravado no The Magic Place, em Florianópolis. O primeiro álbum foi Nessum Dorma, gravado em 2013, além dos três EPs anteriores. Algumas das nove faixas já são conhecidas do público, já que vêm sendo feitas e tocadas desde o lançamento de Nessum Dorma.

A data do lançamento ainda não está definida, mas deve ser até a metade de 2017. A ideia era lançar também uma edição em vinil. Por enquanto, eles soltar alguns singles.

Criação

O método de criar dos Skrotes é bem livre. Um e outro propõem um início, mas afinal acaba sendo coletivo, o som vai se transformando. Inspirações são diversas. O nascimento de um filho, a morte de um ente querido, Florianópolis ("depois da tempestade vem a calmaria... a cidade tem muito a ensinar", conforme poetiza Guilherme Ledoux), um filme.

— Começo criando uma melodia, proponho um tema. Mas às vezes a música nasce numa levada da bateria, um groove — diz o pianista.

—A gente tenta sair do tédio e mudar a dinâmica. Tem influência eletrônica nos teclados, os sintetizadores, o afro da bateria, jazz por causa do improviso, o clássico —comenta o baterista.

E quando chega a hora de encaixar os Skrotes num gênero?

—Acho que é rock. O público que nos acompanha é mais universitário — assumem.

Nosferatu

Uma das faixas do novo disco chama-se Nosferatu, de 10 minutos, e foi composta a partir do projeto Cinema ao Vivo, do Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC). Os Skrotes criaram uma trilha sonora original para o filme mudo de 1822, um terror inspirado em Drácula, de Bram Stoker. O trio trabalhou por 40 dias para compor a trilha e executá-la ao vivo.

Perrengues never more

Depois de penar no circuito underground, viajar pelo Estado e tocar em inferninhos, dormir em espeluncas, tocar e seguir no prejuízo, os Skrotes agora gozam da maturidade e de ter construído um público.

— Estamos preenchendo uma lacuna de público que nós mesmos criamos. A gente criou esse circuito. E agora cansamos um pouco do ciclo underground de rock. A gente trabalhou muito. E não tem mais tanta energia para se meter em qualquer roubada — diz Chico Abreu.

Não quer dizer que nunca mais os Skrotes vão se apresentar no Taliesyn Rock Bar. É apenas uma outra etapa.

Sesc Instrumental

A primeira vez que os Skrotes tocaram em São Paulo foi em 2011, numa festa de aniversário da revista Rolling Stone. Todo ano eles voltam para alguns shows na capital paulista. No começo era meio de "bico", hoje são convidados.

O convite para o Sesc Instrumental surgiu depois de uma espera de dois anos de contatos e expectativa.

— Todos os nossos ídolos já tocaram nesse palco. Vejo esse programa há mais de 10 anos. Assistia e pensava que era tão distante. Jamais imaginei que ia tocar lá. Acho legal poder participar de um acervo cultural do país — diz Ledoux.

O show será às 19h no Sesc Consolação e será transmitido ao vivo pela internet neste link.

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