Desenho do artista catarinense Valdi Valdi é destaque em publicação escocesa sobre grafite - Hora

Street art21/02/2017 | 15h00Atualizada em 21/02/2017 | 18h21

Desenho do artista catarinense Valdi Valdi é destaque em publicação escocesa sobre grafite

"Crown of flora" está pintada em um tapume no Córrego Grande e foi encomendada  por uma construtora

Desenho do artista catarinense Valdi Valdi é destaque em publicação escocesa sobre grafite Coletivo Odara/Divulgação
Thiago Valdi se divide entre a arte e os negócios - ele é sócio de uma barbearia na Capital Foto: Coletivo Odara / Divulgação

É só bater o olho em uma das mulheres-sereias do artista Thiago Valdi, o Valdi Valdi, para reconhecer rapidamente seus traços entre os tantos espalhados por muros de Florianópolis. Uma de suas últimas criações, o grafite Crown of flora, localizado em um tapume de uma obra no Córrego Grande, foi selecionada uma das 10 melhores do mundo no mês de janeiro pela publicação escocesa Street Art 360.

— O cara (Laurent Jacquet) pesquisou e me encontrou. Ele cria conteúdo sobre murais no mundo todo e fez essa seleção espontânea. Fiquei bem surpreso porque tem uns caras muito bons naquela lista. Posso citar o Obey (Giant), um nome bem forte no mundo todo. Estar numa lista do lado do cara já é uma conquista — conta o grafiteiro em conversa com o DC por telefone.

Grafite "Crown of flora" que foi destaque na publicação internacional Foto: Thiago Valdi / Arquivo pessoal

Com 10 anos de experiência no grafite (além de artista, ele é um dos sócios de uma barbearia no Centro), Valdi já perdeu a conta de quantos desenhos fez em Florianópolis. Quem quiser conferir de perto pode encontrar alguns na Ponta da Ilhota, em Coqueiros, no Trevo da Seta, sul da Ilha, entre outros locais da cidade. Ele também já criou murais em Nova York, Nova Jersey, Milão, Barcelona e até em Mumbai. Em 2016, desenhou atletas brasileiros pelo Rio de Janeiro em um projeto da Caixa Econômica Federal. Também já trabalhou com marcas como Medley e Agip, além de construtoras que o contratam para pintar tapumes — o do Córrego Grande é um exemplo.

— Elas gostam porque dá bastante mídia espontânea. Ele não fica só decorativo, fica uma obra de arte, as pessoas tiram fotos. É bem efêmero, mas acostumado já, faz parte da arte urbana.

Foto: Thiago Valdi / Arquivo pessoal

Valdi começou a desenhar rostos femininos há cerca de seis anos, e hoje suas obras integram a série que ele denomina Mermaid face (rosto de sereia).

— Tem a ver com a questão do mar e com a beleza feminina. O mar é bem versátil, às vezes tem um azul escuro, profundo, e tá revolto, e em outras tá claro e calmo. Faço essa relação com a cor do mar também, além de trabalhar muito o olhar feminino — explica.

Foto: Thiago Valdi / Arquivo pessoal

Além do Street Art 360, seus trabalhos também já apareceram em publicações internacionais como Global Street Art, Very Private Gallery e Look4ward.

— Meu trabalho tá ganhando notoriedade porque o estilo de street art brasileiro e manezinho é muito vibrante e colorido, ousado e dinâmico. É belo, não é agressivo, mas não deixa de ser contemporâneo. Lá fora isso tá chamando muito a atenção, porque a estética em outros países é diferente, mais gráfica — acredita.

Valdi comenta a decisão da prefeitura de Balneário Camboriú de apagar pichações e grafites 

A polêmica decisão do prefeito de São Paulo, João Doria, de apagar grafites — entre eles o que era reconhecido como o "maior mural de grafite a céu aberto da América Latina", um muro na Avenida 23 de Maio pintado por cerca de 200 artistas — e endurecer a punição a pichadores (grafites agora deverão ser autorizados previamente) respingou em SC.

Em Balneário Camboriú, a prefeitura está catalogando todos os grafites e pichações da cidade e vai mandar apagar tudo o que foi feito sem autorização. Uma curadoria da Fundação Municipal de Cultura e do Conselho decidirá o que será apagado e o que fica depois de os donos dos imóveis particulares pichados ou grafitados se posicionarem sobre a autorização. Valdi acredita que esse tipo de política não funciona:

— Enquanto no Brasil a arte de rua é vista como uma depredação ao patrimônio, lá fora as prefeituras incentivam ainda mais os artistas a produzir, criando eventos, apoiando, dando espaço com galerias e mostras de arte pública. Combatem o vandalismo de uma maneira bem mais inteligente do que sair apagando como se fosse resolver. Não tem como excluir a arte de rua. Quanto mais eles apagarem, mais as pessoas vão querer se expressar. É uma estratégia errada.

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