Edsoul: falta de recursos torna disputa das escolas de samba acirrada em Florianópolis - Hora

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Carnaval 201726/02/2017 | 11h39Atualizada em 27/02/2017 | 10h09

Edsoul: falta de recursos torna disputa das escolas de samba acirrada em Florianópolis

Confira as impressões de Ed Soul sobre o desfile das escolas de samba de Florianópolis

Rolê com o Edsoul
Rolê com o Edsoul

edsoul.amaral@rbstv.com.br

Edsoul, repórter da RBS TV e colunista do jornal Hora de Santa Catarina, acompanhou toda a noite de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial de Florianópolis.

Confira quais foram as impressões sobre cada desfile:

Consulado

A Consulado entrou na avenida para brigar pelo título. São mais de 1,6 mil corações apaixonados distribuídos em 21 alas e três alegorias e o carnavalesco Raphael Soares foi de uma sensibilidade extrema no que diz respeito à criatividade.

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

O enredo "Mô quirido, aqui é meu lugar!" é um misto que conta a história açoriana junto com a história da própria agremiação, o que ficou perfeito, muito bem casado. Não houve nenhum buraco, em nenhum momento, muito pelo contrário, a escola desfilou compacta, no tempo, e, sinceramente, veio para brigar pelo título.

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Os Protegidos da Princesa

A escola entrou na avenida por volta de meia-noite. A aldeia do Mocotó trouxe para a passarela uma história linda, que emocionou desde o início. O intérprete Alan Cardozo puxou a escola para a emoção.

Maria Luiza Passos, que é da harmonia das passistas, estava aos prantos, muito emocionada. Ela declarou que esse Carnaval da Protegidos da Princesa foi feito na raça.

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

A escola entrou na avenida com uma alegoria e 15 alas, com uma média de 1.320 integrantes, e levantou o público nas arquibancadas e nos camarotes da passarela do samba Nego Quirido do início ao fim.

Sinceramente, acredito que a disputa será acirradíssima, principalmente por conta da falta de recursos. As escolas estão limitadas, elas tiveram exatamente a mesma quantia de recursos para trabalhar. 

Lembrando que neste desfile existe o campeonato, com todas as classificações, mas não deve haver rebaixamento, já que os grupos de acesso não desfilaram.

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Nação Guarani

A escola entrou na avenida com 1.260 componentes, com duas alegorias. Muito bonita, veio para brigar e trouxe uma verdadeira aula de história sobre o povo guarani, fazendo, inclusive, alusão ao próprio nome da escola de Palhoça, que é a única que representa um outro município na Nego Quirido. 

Este ano, a Nação Guarani importou um intérprete do Rio de Janeiro, Tiganá, que era o intérprete oficial da Copa Lord até o ano passado. 

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Márcio Schutz, o presidente da escola, afirma que veio brigar pelo caneco. O que preocupa é que a Nação Guarani saiu da avenida com 1h10min32s, ou seja, 32 segundos de excesso, e não se sabe se isso vai ser prejudicial. 

Outro problema técnico que a escola teve foi com o tripé utilizado pela comissão de frente. As rodas não sustentaram o peso e a mobilidade necessária dentro da passarela. Não chegou a quebrar, conseguiu atravessar a avenida, mas talvez esse tenha sido o único pecado da Nação Guarani, além dos 32 segundos excedentes.

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Embaixada Copa Lord

A Embaixada Copa Lord reviveu o enredo de 1996, "Eu sou filho do Batuque, neto do Abatá-Koto". Foi uma verdadeira aula de africanidade, inclusive com uma ala completa com todos os orixás do sincretismo das religiões matrizes africanas, com linha de atabaques na bateria. 

Uma curiosidade é que a Embaixada Copa Lord tem dois mestres de bateria, o mestre Biriba e o mestre Bokeira. À frente vem a rainha de bateria Aline Mombelli, que este ano se despede do cargo, mas não da escola. Em um dos carros estava a Miss Florianópolis, Helena Maier.

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Celinho da Copa Lord e Márcio Martins, dois dos compositores do samba que contagiou a Nego Quirido, demonstraram-se satisfeitos com o enredo repaginado pela comissão de Carnaval. O fato é que a Copa veio para brigar pelo título. Alguns profissionais que estão trabalhando na passarela falam, inclusive, que é um Carnaval já ganho.

Sinceramente, tenho a seguinte percepção: se a Embaixada Copa Lord não ficar nas pontas, porque Consulado fez um ótimo desfile e Unidos da Coloninha, que é a atual campeã está demonstrando que vem brigar pelo nono título, pode ter certeza que trouxe para a avenida uma grande homenagem aquele enredo de 1996.

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Unidos da Coloninha

Ficou claro que a escola entrou na Nego Quirido para brigar pelo bi-campeonato, o nono título da história. Desde a primeira ala, a comissão de frente dos alquimistas, que é coreografada pela Gica, tradicionalíssima no que faz. 

Comissão de frente dos alquimistas da Unidos da Coloninha Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Deu para notar que eles chegaram com garra e o que é melhor: embora tenham um desfile compacto, a exemplo das outras escolas, pelo motivo que a gente já sabe, é o Carnaval da superação. A Coloninha trouxe um desfile muito bonito para a passarela. 

A Batucada da Unidos, do mestre Du Seara, estava de inventores da música e fizerem diversas viradinhas. Inclusive, a bateria da Coloninha é a única que tem uma ala de agogô, que dá um tom totalmente diferente para o desfile. 

A escola trouxe o luxo dentro das limitações e está brigando diretamente pelo título.

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Dascuia

A Dascuia trouxe para a avenida a história de um filme, o que é muito bacana, e regatou também o boi de mamão. A escola fez um desfile muito legal, com uma boa estrutura, utilizando material reciclado. O número de componentes era menor, mas deu show. A bateria irritada do mestre Du Calixto deu um verdadeiro espetáculo da escola verde e rosa, que é a caçula de Florianópolis. 

Infelizmente, na minha percepção, não está brigando pelo campeonato porque teve problemas no início com o carro abre alas, que estava indo somente para a direita, correndo o risco de bater no meio fio ou de travar o desfile, embora isso tenha sido consertado durante a passagem pela avenida.

A primeira porta-bandeiras Teca desmaiou durante o desfile da Dascuia Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

A escola fez um ótimo tempo de desfile, mas teve um outro problema, que talvez seja o mais grave, ainda que tenha pecado na harmonia, na evolução, com o defeito do carro. O problema foi o desmaio da Teca, que é a primeira porta-bandeira. Infelizmente ela desmaiou. A fantasia muito fechada, muito quente, fez com que ela sentisse um mal-estar. O seu companheiro, o mestre-salas Wallace, chorava copiosamente, porque ali era provável que isso seria a perda do campeonato.

O carnavalesco Paulinho Trindade disse não ter problema com o público ou sair durante o dia, ao amanhecer, já que a Dascuia tem menos torcida por ser a escola mais nova. Mas esses empecilhos, principalmente o desmaio da porta-bandeira, tiraram o título da escola.

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