Homossexuais são agredidos em ensaio da União da Ilha da Magia, e movimento LGBTs protesta na Lagoa - Hora

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Em Florianópolis27/02/2017 | 20h18Atualizada em 28/02/2017 | 12h38

Homossexuais são agredidos em ensaio da União da Ilha da Magia, e movimento LGBTs protesta na Lagoa

Vítimas relatam que foram jogadas no chão, sofreram arrastadas no chão, sogreDois homens teriam apanhado após beijo em praça na Lagoa da Conceição, em Florianópolis

Homossexuais são agredidos em ensaio da União da Ilha da Magia, e movimento LGBTs protesta na Lagoa Victor Pereira / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Victor Pereira / Agência RBS / Agência RBS
Diário Catarinense
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Cerca de 50 ativistas do movimento de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgênero (LGBTTT) de Florianópolis protestaram nesta segunda-feira à noite, 27, contra a agressão sofrida por um casal de homens ainda na madrugada, após um ensaio da escola de samba União da Ilha da Magia (UIM), na praça Bento Silvério, no Centrinho da Lagoa da Conceição. O espaço escolhido para a manifestação, organizada pelo Conselho Municipal dos Direitos LGBT, é o mesmo onde o episódio ocorreu. 

As vítimas, Vítor Delboni, 25 anos, e Leomir Bruch, 23 anos, contam que foram agredidos depois de Bruch ter dado um beijo em seu amigo ao deixar o local. 

— Quando eram umas 2h30min um amigo [Leomir] veio se despedir de mim e a gente se beijou, aí um cara me empurrou por trás, e ele falou 'vocês não podem se beijar aqui, vai embora'", afirma Vitor.

— Eu olhei para ele tentando entender, deixei para lá e continuei beijando meu amigo, porque sou livre, posso, não estava fazendo nada demais. O cara veio, me puxou pelo cabelo, me arrastou — continua. 

Leomir também foi agredido e jogado no chão, de acordo com Vitor. Quando estava caído, o jovem levou socos e chutes. Vitor afirma que o homem que começou a briga fazia parte da União da Ilha da Magia. De acordo com o agredido, a pessoa estaria usando uma camiseta que indicava que era da escola. 

Quando conseguiram, os dois saíram correndo e foram para longe da confusão. Mais tarde, a dupla foi à 10ª Delegacia de Polícia da Capital registrar um boletim de ocorrência sobre o caso. De acordo com o documento, as vítimas foram agredidas com socos e chutes e ameaçados de morte pelos agressores.

A escola de samba, no entanto, nega que os autores da violência integrem a bateria e sequer façam parte da agremiação, conforme teriam garantido as próprias vítimas. Durante o protesto do movimento LGBTs também foi lido a mensagem oficial que a escola publicou em sua página no Facebook. No texto, a UIM "repudia qualquer atitude homofóbica". 

UIM repudia a agressão

O presidente da União da Ilha da Magia, Valmir Braz de Souza, mais conhecido por Nena, confirma a confusão, mas nega que o agressor seja membro da escola de samba. 

— [A agressão] aconteceu depois da 1h. Nossa apresentação oficial aconteceu até 23h. Eu vi quando aconteceu, tanto é que ajudei a separar o tumulto que se deu entre dois grupos. Não estavam usando camiseta da UIM. Não sabia que [a agressão] tinha sido possivelmente por homofobia, fui saber hoje de manhã por movimentos sociais. Eles estão se manifestando. E têm todo o direito. Só é um equívoco dizer que era da UIM. Eles sabem quem foi, e as pessoas não fazem parte da escola — defende. 

Sobre a manifestação em repúdio à agressão, Nena garante espaço:

— Volto a dizer que [a praça] é espaço público para todo mundo se manifestar. Espero que o movimento tenha entendimento de que a UIM não tem responsabilidade sobre isso. Se fosse um membro da escola envolvido na agressão, eu tomaria atitudes necessárias. Sou do movimento social, sindical e defensor do movimento [LGBT]. Não teria porque a UIM receber carimbo de homofóbica, se todos os nossos samba-enredo promovem a reflexão — pondera. 

No início da noite, a agremiação divulgou uma nota onde repudia a agressão motivada por homofobia. 

"A União da Ilha da Magia repudia qualquer ação neste sentido [da homofobia]. Tanto é que os casais gays que estavam dentro do nosso pavilhão não sofreram nenhuma repressão de nossa parte", escreveram nas redes sociais. 

Com informações da Agência Estado

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