Menino do Rio é 'adotado' por família para estudar no Bolshoi, em Joinville - Hora

Dança06/02/2017 | 18h54

Menino do Rio é 'adotado' por família para estudar no Bolshoi, em Joinville

Luis é um dos 60 novos alunos da escola e irá morar na casa de uma colega da instituição

Menino do Rio é 'adotado' por família para estudar no Bolshoi, em Joinville Salmo Duarte/Agencia RBS
Luis e Camyla no primeiro dia de aula do carioca no Bolshoi Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS
Gabriela Florêncio

gabriela.florencio@an.com.br

Os olhares ansiosos e a leveza do balé se misturaram no primeiro dia de aula da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Luis Fernando Daniel Rego, 16 anos, saiu do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, para realizar o sonho de ser bailarino e encontrou uma oportunidade em Joinville.

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A concretização só foi possível porque o jovem foi acolhido por um lar social. Ele é um dos 60 novos estudantes vindos de todos os cantos do Brasil e do exterior com a expectativa de se tornarem bailarinos profissionais. Ao todo, 240 alunos iniciaram as aulas nesta segunda-feira.

O jovem se apaixonou pela dança ao acompanhar a irmã mais nova em aulas de balé ofertadas através de um projeto social na comunidade. Por receio que a mãe, Tânia Cristina Daniel, tivesse algum preconceito com a nova paixão, Luis começou a frequentar as aulas de surfe que o projeto oferecia. O balé foi usado por ele como uma desculpa.

— Eu disse para minha mãe que ia ser surfista, mas para isso eu precisaria de equilíbrio. E o equilíbrio eu conseguiria fazendo balé.

Aos poucos, ele foi pegando a confiança da mãe. Deixou o surfe de lado e começou a dedicar-se integralmente a dança. O reconhecimento veio em poucos meses. Luis conseguiu vaga para a Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. O preconceito e as dificuldades que enfrentou no início foram transformados em força de vontade para realizar o seu maior desejo. Luis sempre sonhou em estudar no Bolshoi.

— Assim que entrei na dança o que me veio em mente foi o Bolshoi, eu queria ser aluno do Bolshoi — conta Luis.

O jovem sabia que não adiantava ficar apenas sonhando. Fez o primeiro teste para entrar na escola no ano passado. A boa notícia veio uma semana depois. Ele foi convidado para fazer uma vivência de três dias na escola e o resultado foi novamente positivo. E a mudança para Joinville teve ajuda de uma antiga amiga de Luis.

Aline Coelho Braga Barbosa abriu de imediato as portas do seu lar para o bailarino. A família de Aline também morava no Complexo do Alemão, onde a filha mais velha, Camyla Victoria, de 13 anos, fazia balé no mesmo projeto de Luis. Eles se mudaram para Joinville no ano passado, para realizar o sonho da filha de estudar no Bolshoi.

—- A gente acolheu ele para retribuir. Na verdade, ele sempre ajudou muito a Camyla. No preparo para entrar no Bolshoi, ele vivia lá em casa, se alongavam juntos — diz Aline.

Entre um abraço e outro na nova irmã, o sorriso de Luis demonstra a importância da acolhida da “família postiça” nessa nova fase. O fato de ter um lar na cidade nova com cheirinho de terra natal aquieta um pouco o coração.  Segundo ele, a saudade da família que vai ficar no Rio será o seu principal combustível para lutar e ser um bailarino de sucesso. A ideia é dedicar-se ao máximo hoje para dar um futuro melhor a eles.

— Eu vou sentir muitas saudades, mas é o meu futuro profissional. Tenho certeza de que no final vai dar tudo certo — acredita Luis.

 
Lares sociais ajudam a realizar sonhos

A necessidade de suprir a demanda de alunos que vêm de fora da cidade e não têm onde morar motivou a Escola Bolshoi a encontrar famílias que pudessem acolhê-las. Conforme Patricia Schweder, assistente social do Bolshoi, a função da escola é fazer o meio de campo entre quem precisa do lar e quem abriga as crianças. Mas o gerenciamento das casas, os custos e a decisão da onde a criança vai ficar alocada é feita entre a família do aluno e o lar social.

— A gente não gerencia. A família da criança que precisa de um lar que decide onde ela vai morar, se identifica com a casa — conta Patricia.

Ao todo, 12 famílias voluntárias abrem as portas para ajudar a realizar o sonho das crianças que querem viver da dança. No ano passado, uma média de 82 alunos moraram nesses lares sociais.

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