"Não tem limite, vou até onde o vento soprar", diz Ney Matogrosso sobre show no Psicodália 2017 - Hora

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Carnaval alternativo24/02/2017 | 12h09Atualizada em 24/02/2017 | 12h09

"Não tem limite, vou até onde o vento soprar", diz Ney Matogrosso sobre show no Psicodália 2017

Cantor é uma das atrações do festival multicultural e alternativo do carnaval de SC, que ocorre entre sexta (24) e quarta (1º), em Rio Negrinho

"Não tem limite, vou até onde o vento soprar", diz Ney Matogrosso sobre show no Psicodália 2017 Ney Matogrosso/Divulgação
Ney Matogrosso se apresenta pela primeira vez no Psicodália Foto: Ney Matogrosso / Divulgação

Pela primeira vez, Ney Matogrosso se apresenta no Psicodália, festival multicultural e o principal evento alternativo do carnaval de Santa Catarina. Há tempos que os organizadores sonhavam em trazer o cantor e toda a sua performance para o palco da Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho. Aos 75 anos, ele promete uma performance sem limites. O show é o Atento aos Sinais, que estreou em 2013. No dia 4 de abril, ele apresenta o mesmo espetáculo no Centro de Cultura e Eventos da UFSC, em Florianópolis.

Em entrevista por telefone ao DC, Ney contou que não gosta muito de Carnaval e ressaltou que o que mais preza é a liberdade de expressão artística.

Sobre a participação no Psicodália

É ao ar livre, né? Essa coisa ao ar livre me atrai muito. Acho que funciona muito bem. Já tinha feito em outros lugares, alguns maiores outros menores. E eu gosto muito, a interação é boa. Espero que as pessoas estejam receptivas e querendo ver. Se quiserem, é muito bom. Se não quiserem, eu faço também (risos). Mas se quiserem, é muito melhor. Fica tudo fácil de acontecer. E aí não tem limite, né minha filha? A gente vai até onde o vento soprar.

 Nem carnaval, nem futebol, nem religião

Não gosto tanto de carnaval. Não especialmente. Acho bonito, já fui, já desfilei, já assisti muitas vezes. Acho bonito, mas não fico no afã da coisa. Mas não sou assim com nada, né? Só com o meu trabalho. Não sou assim com futebol, com escola de samba, não sou assim com nenhuma religião. Na verdade eu gosto de tudo. Tudo liberado.

Intérprete atento às novidades

Não sou obcecado por descobrir coisas novas, mas sou atento. Presto atenção em algumas coisas que ouço. E acho que para cantar, eu pergunto a mim mesmo: você faria isso? Ou falaria isso, se você compusesse? Esse é o meu critério. E aí vou fazendo, misturo tudo. Todo mundo. Os medalhões, as pessoas desconhecidas. Não tem problema. Acho que desde que você conte uma história, vale tudo. Não sou saudosista. Sei das coisas muito boas que aconteceram antigamente, mas não fico parado lá, sabe? Estou vivendo agora e aqui.

Nova cena musical X "medalhões da MPB"

Eu sempre achei o Brasil muito potente em criatividade, sempre achei. Sabe quando todo mundo dizia que não tinha nada acontecendo? Tinha. Então é só quem tem boa vontade e quer, vai atrás e encontra, descobre. Agora, se quiser ficar só em casa esperando que os figurões mandem coisas maravilhosas... Isso acabou, né? É bom a gente botar a mão na massa.

Ney compositor? Não, não

Eu já compus, mas sou muito crítico. Nunca cantei as minhas músicas. Uma delas tinham duas letras estranhas. Uma era de um encontro com um extraterrestre. A outra era um encontro sexual. O Paulo Ricardo juntou os dois e virou uma coisa doida, que não tinha o menor sentido. Imagine, encontro sexual com extraterrestre? Ficou esquisito. A outra, que fiz com Leoni, eu até gosto. Chama-se Dívidas de amor, mas eu nunca cantei. Ficou guardada. Eu gravei num disco, Bugre, mas nunca cantei.

"Atento aos Sinais" estreou em 2013 Foto: Marcos Hermes / Divulgação

Brasil encaretou?

Isso é verdade. Eu concordo. Está careta mesmo. Para todo o lado. Outro dia li uma notícia, de uma história conhecida que teve que ser mudada porque passou a ser politicamente incorreta. Mas continuo fazendo o que sei fazer, tá? Não fico preocupado com isso não.

Mas sempre tem o outro lado (sobre músicos que trazem a performance e a questão de gênero)

Acho que é sempre assim. Não existe só uma coisa no domínio. Sempre tem o outro lado, o lado que se liberta. E tem que se libertar sim. Ninguém tem que viver submetido a nada. Nada. As pessoas têm que viver submetidas à consciência delas.

A sensualidade no palco 

Eu me libero, apenas. E não estou e não pretendo ofender ninguém, mas exercitando a minha liberdade criativa e de expressão. Só. E isso eu exijo: a liberdade criativa e de pensamento. Não pode deixar na mão de governo decidir isso.

AGENDE-SE
O quê: Psicodália 2017
Quando: 24 de fevereiro a 1º de março
Onde: Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC)
Quanto: ingressos esgotados
Informações no site do festival 

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