Oscar: "La La Land" e "Moonlight" levam principais estatuetas; premiação tem mico histórico - Hora

#OscarsTãoConfuso27/02/2017 | 03h01Atualizada em 27/02/2017 | 04h03

Oscar: "La La Land" e "Moonlight" levam principais estatuetas; premiação tem mico histórico

Única dúvida autêntica quanto ao Oscar deste ano era como os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas iriam contemplar os dois grandes destaques entre os finalistas dessa 89ª edição

Oscar: "La La Land" e "Moonlight" levam principais estatuetas; premiação tem mico histórico FREDERIC J. BROWN/AFP
O diretor e roteirista Barry Jenkins e o roteirista Tarell Alvin McCraney, de "Moonlight" Foto: FREDERIC J. BROWN / AFP

Não houve surpresas no Oscar 2017: os favoritos La La Land: Cantando Estações e Moonlight: Sob a Luz do Luar levaram os principais prêmios, as piadas e os discursos denunciaram as atitudes e declarações do caricato presidente norte-americano Donald Trump, as mulheres estavam glamourosas em seus vestidos, a cerimônia foi longa e aborrecida. 

Tudo dentro do roteiro, não fosse a confusão armada no final com Warren Beatty e Faye Dunaway na hora de revelarem o melhor filme: o nome anunciado por eles foi La La Land, mas na verdade o ganhador era Moonlight — entregaram um envelope errado para os veteranos atores. A equipe do musical já tinha subido ao palco quando se deram conta do erro, provocando uma situação constrangedora e jamais vista antes na história do principal prêmio do cinema mundial.

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Em uma seleção de filmes muito bons mas não necessariamente arrebatadores, cumpriu-se apenas o protocolo de ecoar as escolhas de premiações anteriores e listas de melhores da temporada, sem muitos sobressaltos. Estreando no comando da festa, o comediante e apresentador de televisão Jimmy Kimmel entrou em cena depois da abertura com o cantor e ator Justin Timberlake interpretando a música do filme Trolls no meio do público, remetendo a La La Land.

O mestre de cerimônias fez a primeira referência política da noite ao dizer que o programa estava sendo transmitido para mais de 240 países "que agora nos odeiam". Lá pela metade do evento, Kimmel brincou reclamando que o presidente ainda não tinha se manifestado no Twitter a respeito do Oscar. 

O tom crítico, aliás, perpassou toda a transmissão — tanto em depoimentos explicitamente contra Trump quanto em momentos mais sutis, como um simpático clipe ecumênico em que pessoas de diversas nacionalidades, incluindo os atores brasileiros Lázaro Ramos e Seu Jorge, falaram sobre sua paixão pelo cinema e citaram seu filme norte-americano favorito.

Mico histórico: Jordan Horowitz, produtor de "La La Land", abraça o diretor e roteirista Barry Jenkins, de "Moonlight" Foto: Kevin Winte / GETTY IMAGES NORTH AMERICA

A única dúvida autêntica quanto ao Oscar deste ano era como os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas iriam contemplar os dois grandes destaques entre os finalistas dessa 89ª edição — a cativante homenagem aos musicais e, por extensão, à fábrica de sonhos hollywodiana representada por La La Land e a comovente história de denúncia comportamental, racial e social do drama Moonlight.

Salomonicamente, as estatuetas foram divididas: La La Land  levou seis prêmios — disputava 14 —, incluindo direção, atriz, fotografia, trilha sonora e canção original, enquanto Moonlight ganhou melhor filme, ator coadjuvante e roteiro adaptado. As categorias de atuação não raro conseguem sacudir as certezas no Oscar, frustrando unanimidades e premiando azarões — o nível em geral alto dos indicados autoriza essas eventuais escolhas arrojadas. Infelizmente, não foi exatamente assim neste ano: em vez de endossarem o Globo de Ouro e o César e escolherem como melhor atriz a francesa Isabelle Huppert, uma das maiores intérpretes do cinema atual, pelo filme Elle, os eleitores do prêmio preferiram contemplar o trabalho competente mas nada excepcional da graciosa Emma Stone em La La Land.

Ainda que meritória, a estatueta de Casey Affleck — ator também destacado pelo Globo de Ouro com Manchester à Beira-Mar — talvez ficasse em melhores mãos com Denzel Washington, cuja performance em Um Limite Entre Nós, drama que também dirige, é um legítimo tour-de-force.

Apesar do páreo duro, Mahershala Ali, de Moonlight, e Viola Davis, de Um Limite Entre Nós — repetindo no cinema o papel que lhe rendeu no teatro o prêmio Tony em 2010 —, confirmaram as apostas em seus nomes e venceram como ator e atriz coadjuvantes, respectivamente. Um reconhecimento ao talento dos artistas negros, que tinham ficado de fora dos finalistas do Oscar de 2016, motivando nas redes sociais o protesto #OscarsSoWhite.

Por falar em visibilidade na festa, quatro dos cinco concorrentes de documentário de longa-metragem eram afrodescendentes, sendo que a temática de três desses filmes era ligada à segregação racial. A vitória do épico de quase oito horas de duração O. J.: Made in America prestigiou o monumental trabalho de reportagem do filme, que conta o turbulento julgamento por assassinato enfrentado pelo ex-atleta e ex-ator O. J. Simpson em paralelo à apresentação da trajetória da discriminação racial nos Estados Unidos.

Vencedor do Globo de Ouro de filme estrangeiro, Toni Erdmann perdeu o Oscar da categoria para o iraniano O Apartamento. O cineasta Asghar Farhadi — que já havia levado a estatueta dourada em 2012 por A Separação — não foi à festa, mas mandou um discurso de agradecimento em que deplorou a decisão do governo norte-americano de impedir a entrada no país de cidadãos de vários países de maioria muçulmana, afirmando que esse tipo de atitude é o que provoca a divisão entre os povos e as guerras.

Já a vitória do longa de animação Zootopia - Essa Cidade É o Bicho, logo depois que o ator mexicano Gael García Bernal declarou-se contra qualquer muro que separe as pessoas, foi outro recado a favor da tolerância e contra o reacionarismo: no filme da Disney, predadores e presas vivem juntos e em harmonia.

A seguir, confira os vencedores do Oscar 2017.

Melhor Filme:
"Moonlight - Sob a luz do luar"

Melhor diretor:
Damien Chazelle, "La La Land - Cantando Estações"

Melhor ator:
Casey Affleck, "Manchester à Beira-mar"

Melhor ator coadjuvante:
Mahershala Ali, "Moonlight - Sob a luz do luar"

Melhor atriz:
Emma Stone, "La La Land - Cantando estações"

Melhor atriz coadjuvante:
Viola Davis, "Um limite entre nós"

Melhor Filme estrangeiro:
"O apartamento " (Irã)

Melhor Animação:
"Zootopia"

Melhor curta-metragem de animação:
"Piper"

Melhor roteiro adaptado:
"Moonlight - Sob a luz do luar"

Melhor roteiro original:
"Manchester à Beira-mar"

Melhor fotografia:
"La la land - Cantando Estações"

Melhor documentário:
"O.J. Made in America"

Melhor documentário em curta-metragem:
"The white helmets"

Melhor curta-metragem:
"Sing"

Melhor edição:
"Até o último homem"

Melhor edição de som:
"A chegada"

Melhor mixagem de som:
"Até o último homem"

Melhor design de produção:
"La la land - Cantando estações"

Melhor trilha sonora:
"La la land - Cantando estações"

Melhor canção original:
"City of stars" ("La la land - Cantando estações")

Melhor maquiagem e penteado:
"Esquadrão suicida"

Melhor figurino:
"Animais fantásticos e onde habitam"

Melhores efeitos visuais:
"Mogli"


 
 
 
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