Saiba como foi a primeira noite de desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro - Hora

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Começou a festa27/02/2017 | 06h30Atualizada em 27/02/2017 | 11h34

Saiba como foi a primeira noite de desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro

Grande Rio ficou entre os destaques da madrugada na Sapucaí

Zero Hora
Zero Hora

Um acidente marcou negativamente o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí na madrugada desta segunda-feira. A escola Paraíso do Tuiuti teve um problema com seu último carro que deixou 20 pessoas feridas — entre elas jornalistas que cobriam o desfile.

A noite contou com seis escolas de samba nesse domingo e manhã de segunda-feira. As escolas trouxeram para a avenida temas como o livro "Iracema", de José de Alencar (Beija-Flor), a riqueza da fauna e flora do Xingu (Imperatriz Leopoldinense) e a aguardada homenagem para a rainha do axé, Ivete Sangalo, na Grande Rio. O grande destaque da noite ficou para o desfile da Salgueiro, que tratou do livro "A Divina Comédia", de Dante Alighieri.

PARAÍSO DO TUIUTI

Foto: VANDERLEI ALMEIDA / AFP

Após 15 anos longe da elite, a campeã da Série A do carnaval carioca de 2016, Paraíso do Tuiuti volta ao grupo Especial. O enredo apresentado pela escola foi intitulado como "Carnavaleidoscópio tropifágico". Alusão ao movimento tropicalista e o "Manifesto Antropofágico", liderado pelos compositores baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, na década de 1960, e o marco do modernismo brasileiro dos anos 1920.

O objetivo da Tuiuti foi mostrar que a Tropicália faz parte da cultura do brasileiro desde o descobrimento do país. A escola desfilou com 3,1 mil componentes, em 32 alas, e com seis carros.

Destaques do desfile:
— Acidente com o último carro alegórico da escola deixou 20 feridos e comprometeu a evolução da escola.

— Figuras híbridas se fizeram presentes em quase todo o desfile, representando ideias do movimento antropofágico, do poeta Oswald de Andrade, um dos pilares do Tropicalismo.

ACADÊMICOS DO GRANDE RIO

Foto: Yasuyoshi Chiba / AFP

A Grande Rio resolveu "levantar poeira" na Marquês de Sapucaí. Segunda a desfilar na avenida, a escola apresentou o enredo "Ivete do rio ao Rio" para homenagear uma das cantoras mais populares e admiradas do Brasil.

Com 3,2 mil componentes espalhados em 29 alas e seis carros, a Grande Rio contou a história da baiana desde sua infância em Juazeiro. Apresentando lendas e personagens nordestinos, além de trios e afoxés do carnaval baiano.

A cantora foi o grande destaque da apresentação. Ela apareceu em dois momentos no desfile — na comissão de frente e depois no último carro, ao lado do filho, Marcelo, e do marido, Daniel Cady. A Grande Rio terminou o desfile com 1h14min, dentro do tempo limite.

Destaques do desfile:
— Como principal estrela da escola, Ivete incendiou a Sapucaí, correu de um lado para o outro e trocou de roupa duas vezes durante o desfile.

— O penúltimo carro, sobre a consagração de Ivete, contou com diversos artistas. Porém, uma das esculturas estava quebrada, o que pode custar alguns décimos à escola.

IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

Foto: VANDERLEI ALMEIDA / AFP

Terceira escola a entrar na Sapucaí, a Imperatriz Leopoldinense mostrou a riqueza da fauna e flora do Xingú para dar vida ao enredo sobre a resistência da cultura indígena na Amazônia.

Com o enredo "Xingu, o clamor que vem da floresta", a escola se apresentou com carros grandiosos e alas exuberantes. O objetivo foi mostrar tradições conectadas a natureza e as ameaças que o povo indígena enfrenta.

Com 3,2 mil componentes, 29 alas e seis carros, a escola homenageou em suas alas a diversidade cultural ao mostrar 16 etnias que vivem no Parque do Xingu.

Destaques do desfile:
— A atriz Cris Viana, madrinha da bateria, se despediu do posto e dos desfiles.

— Indígenas participaram do desfile. O carro abre-alas trazia como um dos destaques o Pajé Sapain, de 102 anos, principal liderança do Xingu.

UNIDOS DE VILA ISABEL

Foto: VANDERLEI ALMEIDA / AFP

A Unidos de Vila Isabel levou à avenida os ritmos de influência negra: samba, jazz, rock, cumbia, reggae, tango e o candomblé. Com o enredo "O Som da Cor", a escola levou 3,2 mil componentes, 26 alas e oito carros. Vila Isabel está em busca de seu quarto título na história, o último foi conquistado em 2013.

Em menos de uma hora de desfile, a escola passou por um contratempo que pode custar no quesito evolução. O carro abre-alas ficou preso na dispersão, e as alas precisaram desviar da alegoria.

Com óleo na pista, a entrada da Salgueiro atrasou, pois a escola não queria começar a apresentação antes da pista ser limpa.

Destaques do desfile:
— Rainha da bateria, Sabrina Sato desfilou com roupa bastante ousada. Com fantasias com iluminação de LED, a bateria brilhou junto com a apresentadora.

— A iluminação foi um importante elemento durante todo o desfile. A luz foi fundamental em muitas alas e alegorias.

SALGUEIRO

Foto: VANDERLEI ALMEIDA / AFP

O Salgueiro trouxe para a Sapucaí a releitura de um clássico: "A Divina Comédia do Carnaval", inspirada na obrada "A Divina Comédia", de Dante Alighieri. Na ansiedade pelo título, que não conquista há oito anos, a escola investiu em carros, fantasias e alegorias luxuosas. 

Ao longo do desfile, os 3,5 mil componentes, divididos em 34 alas, contaram os três estágios do livro: o inferno, purgatório e paraíso. As fantasias e temas de alegorias lembravam personagens como fantasmas, morcegos, diabos, arlequins, colombinas e pierrôs. A escola também representou os pecados capitais.

Destaques do desfile:
— Rainha de bateria do Salgueiro há 10 anos, Viviane Araújo, representou a Medusa.

— Por questões de segurança, o desfile do Salgueiro atrasou pois a escola só iniciou sua passagem após funcionários usarem serragem para cobrir as poças de óleo deixadas pelos carros da Vila Isabel


BEIJA-FLOR

Foto: Yasuyoshi CHIBA / AFP

A Beija-Flor de Nilópolis fechou com chave de ouro a primeira noite de desfiles no Rio de Janeiro. Utilizando a história do livro "Iracema", de José de Alencar, a escola fez um desfile diferente e arriscado. 

Ao ritmo do samba-enredo "A virgem dos lábios de mel - Iracema", a azul e branco optou por dividir seu desfile em setores ao invés das tradicionais alas. A falta de brilho nas roupas dos 3,3 mil componentes foi compensada pelas cores e riqueza de detalhes nas fantasias, além da sincronia dos atos entre as alegorias: todos os setores da escola eram coreografados.

Destaques do desfiles
— Porta-bandeira da escola há 15 anos, Selminha 'Sorriso' representou a índia Iracema.

— Pequenos detalhes fizeram com que os 3,3 mil componentes da escola usassem fantasias únicas: segundo a Beija-Flor, nenhuma fantasia era igual a outra.

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