Confira um roteiro com 20 pontos culturais de Itajaí, que se consolida na produção cultural em SC - Hora

Tour das artes03/03/2017 | 10h44Atualizada em 03/03/2017 | 14h44

Confira um roteiro com 20 pontos culturais de Itajaí, que se consolida na produção cultural em SC

Principal porta de entrada de novidades, cidade portuária é hoje destaque na cena cultural de Santa Catarina, com programação de vanguarda e contínua nas artes visuais, música, teatro

Confira um roteiro com 20 pontos culturais de Itajaí, que se consolida na produção cultural em SC Betina Humeres/Agencia RBS
Arte Sonhar Pode, de Mauro Caelum, que viralizou na Internet, é um dos destaques na cidade Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Cidades portuárias são assim: tudo chega antes, de mercadorias às novidades do resto do mundo — e junto com elas aquilo que flerta com o proibido. Por isso, são lugares de vanguarda. Itajaí, erguida no encontro do Rio Itajaí-Açu com o mar, além de ter um dos maiores complexos de porto do país, é hoje referência na cena cultural de Santa Catarina. A programação é continuada, os artistas ousados, o fomento público é satisfatório e o público é criterioso e aberto ao novo. Por isso, se você incluía apenas a vizinha Balneário Camboriú na rota da diversão, repense e considere Itajaí para ter uma experiência histórica e artística.

Durante algum tempo Itajaí sofreu preconceito por causa da má fama associada ao porto e a tudo de ilícito que ele traz junto com o comércio, como tráfico de drogas, contrabando e prostituição.  Mas isso que seria uma chaga é justamente uma das causas de a população ser tão aberta ao novo.

 — Itajaí está a 80 quilômetros de 70% da população de Santa Catarina. Era mais cosmopolita que as outras cidades do entorno e onde tinha mais gente louca. Sempre conviveu com o profano e, ao mesmo tempo, sempre buscou tudo que era mais vanguardista — avalia o poeta e produtor cultural Antonio Carlos Floriano, orgulhosamente itajaiense.

— Às vezes, nos apresentamos em cidades maiores que são muito mais conservadoras — acrescenta Max Reinert, ator, diretor e dramaturgo.

Além disso, a antiga elite da cidade, descendente de alemães e portugueses, deixou como legado uma sólida base cultural. As famílias Konder e Bornhausen, das quais nasceram alguns dos governadores de Santa Catarina, sempre tiveram contato estreito com a música erudita e popular.

Para uma cidade com 201 mil habitantes, ter 20 grupos de teatro, oito dos quais com atuação profissional, é razão de orgulho. Há um mercado de produção constante e companhias que trabalham juntas há décadas. É o caso da Téspis Cia de Teatro, fundada há 23 anos, e da Cia Experimentus, de 17 anos.

Festivais como o Itajaí em Cartaz, que ocorre já há 10 anos, e o coletivo Rede Itajaiense de Teatro, reforçam a vocação natural para as artes cênicas.

Em relação a outras cidades, Itajaí tem uma posição confortável diante da política pública municipal para cultura.

— A Lei Municipal de Cultura funciona desde 1997. É um importante estímulo na profissionalização dos artistas. Ter recursos possibilita criar mais mercado — afirma a atriz, diretora e professora de teatro Denise da Luz.

A diferença é que, em Itajaí, a classe artística fez força para que essa cultura acontecesse. Em muitas cidades acontece o contrário.

— Nos anos 90 foi criada a campanha "Itajaí tem talento, mas não tem teatro". Esse movimento uniu muito a classe e culminou na construção do Teatro Municipal em 2004 — conta a atriz.

Na opinião de Max Reinert, a cidade foi erguendo uma estrutura pública para dar conta dessa demanda, muito porque os artistas sempre tiveram muita produção:

— Seja no vídeo, no teatro, na música ou nas artes visuais, os artistas nunca se colocaram como passivos. A classe pressiona. O público? É um vai e vem.

Foi o Festival de Música de Itajaí, a partir de 1997, que regou e viu os frutos de uma nova e talentosíssima geração de músicos amadurecer em Santa Catarina. O evento é tido como um dos mais importantes do Brasil e ocorre todos os anos, sempre com shows e oficinas. Em 2016, trouxe ao Estado Yamandú Costa, João Bosco, Vitor Ramil e Arismar do Espírito Santo. Os principais instrumentistas do Estado, entre eles o contrabaixista Rafael Calegari e o violonista Felipe Coelho, passaram pelo festival e até hoje reverenciam a cidade como referência.

Um dos frutos é o Conservatório de Música Popular, criado em 2007, que oferece cursos gratuitos.

Décadas antes, nos anos 1970, o extinto Festival de Inverno foi um catalisador da cultura local e semente que cresceu e frutificou.

A reabertura do Mercado do Peixe, em 2013, deu vida nova ao prédio histórico. Além de cafés e choperias charmosas, tem lojas de artesanato, de produtos típicos e palco para apresentações. É praxe curtir música no sábado de manhã. Até o apelido de "cidade peixeira", que soava pejorativo, passou a ser legal.

Ao contrário de Balneário Camboriú, onde as atrações turísticas centram-se nos bares da orla da Avenida Atlântica e nas baladas, Itajaí oferece um mergulho na história — a cidade foi porta de entrada de colonizadores portugueses, no século 18, e alemães no século 19. Tem casarios antigos, praias, a avenida Beira Rio com seus barcos de pesca, o vai-e-vem dos navios no porto.

Mas para quem quer ter uma experiência artística e cultural, este é o roteiro  que percorremos durante um dia. Numa sexta ensolarada de novembro, o poeta e produtor Antonio Carlos Floriano recebeu a equipe do Diário Catarinense para mostrar por que Itajaí está na vanguarda.

Museu Histórico de Itajaí

Rua Hercílio Luz, 681, Centro. (47) 3348-1335

Localizado no suntuoso Palácio Marcos Konder, o Museu Histórico de Itajaí oferece uma visita ao passado da região. E agora, prestes a reabrir renovado, terá uma nova expografia aliada a tecnologias modernas de áudio, vídeo, luminotécnica e computação.

Casa da Cultura Dide Brandão


Rua Hercílio Luz, 323, Centro. (47) 3349-1665

Bem ao lado do Museu Histórico, a Casa da Cultura é um ponto central e fundamental para irradiação das artes em Itajaí. Foi inaugurada em 1982, na antiga Escola Básica Victor Meirelles, com o objetivo de ser um centro cultural. O nome é uma homenagem ao pintor, desenhista, gravurista, entalhador e escultor Dide Brandão, que morreu em 1976 aos 52 anos. A instituição hoje oferece cursos e oficinas, abriga galeria de arte, tem palco para apresentações de teatro e música, além de ser um espaço de convivência.

— Todos os grandes artistas, pintores, escritores e músicos passaram por aqui. É um ponto de encontro — diz a diretora Ane Fernandes.

Casa-ateliê Mauro Caelum

Rua José Tedeo, 169, Bairro São Judas. (47) 99717-8114 e mauross.f@gmail.com

É de Mauro Caelum a arte urbana Sonhar Pode, frase que viralizou na internet . As palavras estão pintadas em diversos lugares de Itajaí e simbolizam o carinho que o artista tinha pela cidade e vice versa. Ele morreu há dois meses, mas está mais presente que nunca nas tantas intervenções e obras de arte espalhadas pela região. Sua casa-ateliê, no bairro São Judas, pode ser visitada mediante agendamento prévio. A visita guiada pelo filho do artista, o ator Mauro Filho, é uma imersão no universo pictórico de Caelum e emociona. Caelum chamava seu trabalho de "arte da transformação" por usar materiais reciclados.

Itajaí Criativa - Residência Artística

Rua Dr. Pedro Ferreira, 222, Centro. (47) 9990-1516

Trata-se de um espaço aberto para compartilhamento de produções artísticas. Inaugurada no começo deste ano, a Itajaí Criativa ocupa a histórica Casa Almeida e Voight, erguida em 1928, e segue a tendência contemporânea de ser espaço cultural sem paredes ou camarim. Alinha-se também com o movimento, seguido em cidades como Florianópolis, de reocupar o centro histórico e marginalizado. O local é a sede da Téspis Cia. de Teatro e é aberto para espetáculos de música, dança, teatro, exposições.

—A Itajaí Criativa é um ponto de acupuntura, principalmente numa área degradada, na beira do cais, que é marginal em qualquer cidade. A tendência é que daqui irradiem ideias, porque tem muitos imóveis tombados — prevê Antonio Carlos Floriano.

— Aqui não tem paredes e nem camarim. É um espaço de aconchego, sem a hierarquia dos grandes teatros. A pessoa vem, conversa, fica próxima do artista — destaca a atriz Denise da Luz.

 Vila Sete Zero Cinco – Casa de Arte

Rua Getúlio Vargas, 705, Vila Operária

Residência de três grupos de teatro, espaço de ensaio e saraus.

Painéis de Edmundo Campos na Beira-Rio

Avenida Ministro Victor Konder

Além de ser um passeio agradável e fresco, com o visual dos barcos de pesca artesanal, a beira-rio de Itajaí tem quatro painéis cerâmicos feitos pelo ceramista Edmundo Campos. As obras valem a visita.

Mercado do Peixe

Praça Felix Busso Asseburg, Centro. (47) 3346-4526

Teatro Municipal de Itajaí

Rua Gregório Chaves, 110, Fazenda. (47) 3349-6447

Conservatório de Música Popular

Rua Felipe Reiser, 200, Bairro São João. (47) 3344-3895

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