Vereador de Florianópolis propõe audiência pública para discutir o Carnaval no Centro  - Hora

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Polêmica03/03/2017 | 17h58Atualizada em 03/03/2017 | 18h08

Vereador de Florianópolis propõe audiência pública para discutir o Carnaval no Centro 

A proposta, segundo Lela, é avaliar o evento com artistas, moradores e carnavalescos e debater segurança, estrutura e a falta de atrações locais

Vereador de Florianópolis propõe audiência pública para discutir o Carnaval no Centro  Carol Cruz/Divulgação
Foto: Carol Cruz / Divulgação

Baseada na lei municipal que prevê 30% de atrações locais em eventos que tenham recursos da prefeitura, uma audiência pública, proposta pelo vereador Vanderlei Farias (PDT), o Lela, pretende discutir o Carnaval realizado no Centro de Florianópolis pela marca de cervejas Skol. A informação foi adiantada pelo colunista Rafael Martini nesta sexta-feira. As atrações principais eram Ludmilla, Turma do Pagode, Jota Quest. 

Segundo Lela, autor da lei de 2015, a proposta é fazer uma avaliação geral do Carnaval em Florianópolis, com a participação de artistas, moradores e carnavalescos e debater principalmente as questões de segurança, estrutura e a falta de atrações locais para provocar o poder executivo no planejamento da edição 2018 da festa.

– Esse foi o último ano do contrato da Ambev com a Prefeitura. Então, antes que seja renovado, a gente quer discutir com a sociedade para entender o que ela quer e espera. O Centro recebeu grandes eventos no espaço público, com uso de segurança, iluminação, limpeza e gastos públicos, com uma empresa explorando sua marca sem dar contrapartida para artistas locais. Acaba deixando de valorizar a nossa cultura e a gente perde uma oportunidade imensa de vender um produto nosso.

A data da audiência ainda não foi definida.

– Vamos divulgar a data posteriormente para que as pessoas se mobilizem, é o momento de ouvir a sociedade e os interessados, que são os artistas da cidade, moradores, quem pula o carnaval. Vai ser a hora de falar e expor as dúvidas –explica o vereador.

Skol rebate críticas e diz que garantiu a participação de artistas locais

A Skol refuta a acusação de que não incluiu artistas locais na programação. Por meio da assessoria de imprensa, a marca afirma em nota que o evento contou com atrações como o DJ Dropack, de Balneário Camboriú, e Doozie, DJ radicado catarinense, que se apresentaram no mesmo dia do DJ Alok, no pré-Carnaval. 

Já no Carnaval, a marca defende que nos dias de show no palco da Praça Fernando Machado as atrações locais foram DJ Guilherme Krueger, Fábio Dunk, Samba Aí, DJ Anão, DJ Coy, DJ Brunão, DJ Dyve. DJ Junior Ramos, Grupo Apogeu e DJs regionais residentes da casa noturna 1007. No bloco Vem Elétrico que o Trio é Redondo, apresentaram-se os DJs regionais BLANCAh e Ely Yabu.

Quanto à questão da infraestrutura, a Skol diz que a parceria com a prefeitura inclui infraestrutura para a festa e que usou geradores para iluminação do palco e do camarote, e não pontos de energia da rede pública. Na área privada (palco e camarote), a marca afirma ter tido uma empresa terceirizada para efetuar a limpeza todos os dias. 

Além da força policial, a Skol defende ter contado com equipe particular para revistas na entrada da arena, além de brigadistas e ambulatório. A produção do evento também teria providenciado a contratação de 3,5 mil metros de grades para garantir a delimitação da arena, além de banheiros químicos.

No começo de fevereiro, uma reportagem publicada no DC trouxe ao debate a perda de força do Carnaval tradicional do Centro da Capital. Este foi o quinto ano em que a Skol patrocinou o Carnaval na Capital e promoveu festas na Praça Fernando Machado. A prefeitura da cidade não investiu neste ano, e blocos de rua e grupos de sambas locais lamentaram a falta de verba e oportunidade para tocar, enquanto o patrocinador trouxe atrações de funk e música eletrônica.

De acordo com o contrato assinado em setembro de 2012, com vigência de cinco carnavais (termina neste ano), a empresa tem a obrigação de montar a estrutura de palco e som, além de promover os shows, e tem direito a usar o espaço público, mídia e comercialização exclusiva de produtos da marca. 

O contrato, no entanto, não prevê nenhuma obrigação em seguir o perfil de festa que se consolidou no Centro da Capital. A prefeitura, por sua vez, não entra com recursos financeiros e também não recebe, mas trata das questões legais, como autorizações, trânsito e limpeza. Sobre futuros patrocínios, a Skol não comenta alegando questões estratégicas.

Em março, a Secretaria de Turismo de Florianópolis deve começar a planejar o Carnaval de 2018. A proposta principal, de acordo com o secretário Vinicius De Lucca, é modificar a forma de financiamento. Ele adiantou que pretende debater um novo modelo de captação de verbas com entidades. Sobre o fim do contrato com a Skol, disse que a previsão é de lançar em agosto um novo edital para captação de recursos.

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