Fernanda Gentil bate um bolão em mais uma Copa do Mundo - Hora

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Muitos talentos18/06/2018 | 12h03Atualizada em 18/06/2018 | 12h29

Fernanda Gentil bate um bolão em mais uma Copa do Mundo

Muito bem humorada e espontânea, apresentadora cativa telespectadores

Fernanda Gentil bate um bolão em mais uma Copa do Mundo TV Globo/Divulgação
Foto: TV Globo / Divulgação
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Bom humor e habilidade para lidar com o inesperado são algumas das qualidades de Fernanda Gentil. Aos 31 anos, a carioca coleciona elogios e assume o desafio de participar de sua terceira cobertura de Copa do Mundo. Na Rússia, durante os mais de 40 dias de Mundial, a jornalista terá que lidar com a saudade dos filhos, as adversidades de uma transmissão ao vivo e o que vier pela frente. Mas, para ela, tudo é encarado com bom humor e o sorrisão que o público está acostumado a ver na telinha.

Logo em sua primeira cobertura de Copa do Mundo, em 2010, Fernanda protagonizou uma cena memorável: no estúdio do SporTV, na África do Sul, levantou-se da bancada e estendeu a mão na intenção de cumprimentar um entrevistado deficiente visual. Quatro anos depois, quando o Mundial aconteceu no Brasil, a então repórter da TV Globo aguardava para fazer uma entrada ao vivo no Encontro com Fátima Bernardes, quando foi flagrada às lágrimas: o assunto em questão era a eliminação da Seleção Brasileira no fatídico 7 a 1, contra a Alemanha. Mais uma vez, ela deu o que falar.

– Já percebeu que eu não deixo Copa nenhuma passar em branco, né? Estou elaborando algo bem mais impactante para chamar a atenção neste ano, pode deixar – brinca Fernanda.

Na Rússia, ela fica por 46 dias ancorando o Esporte Espetacular, aos domingos, e participando do Bom Dia Brasil, ao lado de Ana Paula Araújo, de segunda a sexta-feira: 

– Ainda bem que a gente só vai usar uniforme. Caso contrário, não teria nem roupa para fazer dobradinha com esta mulher elegantérrima. Pedi para ela não caprichar demais na produção, fazer uma maquiagem bem basiquinha, porque a pessoa aqui sofre para acertar até no corretivo das olheiras.

TESÃO PELO AO VIVO

Há três semanas, quando ficou por 52 minutos ininterruptos no ar, ao vivo durante o Esporte Espetacular, coordenando o giro de repórteres pelo Brasil na greve dos caminhoneiros, Fernanda desceu, literalmente, do salto e confessou: “Tô amando, me deixa aqui.” O áudio vazou acidentalmente para o público de casa, que foi para as redes sociais elogiar a jornalista.

– Eu acabei descalça no estúdio, não estava mais sentindo meus pés, de tanta adrenalina. É cansativo, mas o “ao vivo” me dá muito tesão. Cheguei em casa com a sensação de ter ganho a Copa do Mundo. O improviso, para mim, é o suprassumo do jornalismo. Fui criada para não me guiar por TP (teleprompter, monitor que fica exibindo as falas dos apresentadores), cair todo o planejado e eu ter que me virar. Esta é a vibe: confia em mim, que eu dou conta – afirma a obstinada sagitariana.

FOCO

Fernanda Gentil
Foto: Cesar Alves / TV Globo/Divulgação

Onde a apresentadora está hoje é fruto da sua determinação: 

– Foi minha teimosia que me fez chegar até aqui, não tenho dúvida disto. Sabe aquele slogan “Globo e você, tudo a ver”? Eu colei no espelho do meu banheiro. Risquei o “você” e coloquei “Fê”. Todo dia, eu lia: “Globo e Fê, tudo a ver”. Meu boxe era todo colado de páginas de textos, que eu ficava lendo em voz alta, interpretando como seria no ar. Fiz fono desde cedo, porque sou muito acelerada e falo um “carioquês” forte. Então, sabia que ia precisar um dia. Até hoje, não entro no ar sem fazer os exercícios vocais e dar uma chacoalhada na mão, para pegar no tranco. Virou ritual.

RAINHA DO INSTRAGRAM

De fato, nem sempre gentileza gera gentileza, seja no mundo real ou no virtual. Seguida por 4,3 milhões de pessoas no Instagram, Fernanda se mostra gente como a gente também ali. Mas, às vezes, não agrada:

– Nem Jesus Cristo nem Neymar são unanimidade, quanto mais eu! Claro que todo mundo tem a vaidade de querer ler ou ouvir um carinho, mas os julgamentos alheios não me afetam. Internet é terra de ninguém. A pessoa acha que tem o direito de invadir a tua página e dar pitaco da maneira que ela quiser: com palavrão, humilhando, ofendendo. Eu só bloqueio quando perdem o respeito ou mandam cantadas pornográficas. Podem me chamar de sapatão, falar que eu estou feia, que eu não ligo. Agora, não critiquem o meu caráter nem o cuidado que tenho com os meus filhos, que são a prioridade máxima da minha vida. Sou muito exigente comigo mesma para servir de exemplo para os dois. Quero que tenham sempre orgulho de mim.

100% FAMÍLIA

fernanda gentil, filhos
Foto: Instagram / Reprodução

Lucas, 10 anos, e Gabriel, dois, ganharam um textão emocionado da mãe coruja dias antes da viagem para a Rússia. Culpa da saudade, que já estava ecoando.

– Lucas está morando em Teresina (Piauí) desde o início do ano. Choro dia sim, dia não, sentindo a falta dele, que estava comigo desde um ano e quatro meses de vida, quando a mãe faleceu. Eu e o meu tio, pai dele, nos revezávamos bem no Rio, mas ele acabou transferido para trabalhar lá. Agora, a gente se vê, pelo menos, uma vez por mês. Nos dez últimos dias de Copa, ele e Gabriel vão pra lá me encontrar com a minha mãe e a Priscila (a namorada Priscila Montandon, 36 anos) – conta Fernanda: 

– Fiquei com mais vontade ainda de ter outro filho porque encontrei alguém tão parecida comigo. Estamos morando juntas há um mês, ela me ajuda muito com os meninos, abraçou a causa, comprou o pacote total. Tenho muito amor para dar. Priscila também quer. Pode ser adotando, congelando óvulo, fazendo inseminação ou fertilização... Queremos criar um serzinho nosso juntas. De onde vai sair e como não importa.

QUE OLÉ NO PRECONCEITO!

Em setembro de 2016, quando assumiu o seu relacionamento com a também jornalista – cinco meses depois de terminar o casamento de três anos com o empresário Matheus Braga, com quem estava há 15 –, Fernanda se viu à mercê das opiniões de um país inteiro. Muitas delas, preconceituosas. Mas, como de praxe, não se abalou. As pessoas que realmente interessavam – os pais, o ex-marido, o filho mais velho e o chefe – já estavam a par da novidade.

NATURALMENTE

– Tive o cuidado de dar uma satisfação no trabalho. Não que fosse necessário, mas achei de bom tom. Falei com o meu superior direto, ele levou a notícia para a direção e retornou em cinco minutos: “Está tudo bem, todo mundo avisado, #somostodosmodernos”. Já lá em casa, nunca foi proibido amar. Nunca foi proibido negro, branco, magro, gordo, mulher com mulher, homem com homem... Priscila foi a primeira, única e última mulher da minha vida. De início, eu me vi encantada pelo interior dela: o caráter, a integridade, os valores. Só depois, me dei conta: “Putz, isso tudo veio numa carcaça de mulher”. Ser gay é recente, um mundo novo. Não tenho interesse por nenhuma outra pessoa, mulher ou homem, porque estou completa, em paz – garante a apresentadora, que relembra daquele 29 de setembro com uma sensação de alívio: 

– Recebi um monte de carinho de todos os lados. A maior bandeira da representatividade que eu poderia levantar foi tornar a minha escolha pública, assumi-la e viver naturalmente.

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