Grupo Entre Elas leva o samba de Floripa pelo Brasil - Hora

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Música10/11/2018 | 08h00Atualizada em 12/11/2018 | 11h27

Grupo Entre Elas leva o samba de Floripa pelo Brasil

Banda completa 12 anos e é uma das primeiras de Santa Catarina formada só por mulheres

Elas começaram como uma brincadeira entre amigas. Uma tocava cavaquinho, a outra percussão, se reuniam em eventos de família, aniversários, churrascos, animavam qualquer festa. Até que um dia o tio de uma delas, dono de um bar, as convidou para tocar para a galera. A casa lotou e novos convites surgiram. Não tinha um número certo, quem tinha disponibilidade comparecia, às vezes, eram cinco, às vezes eram 10.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 08/11/2018: Grupo Entre Elas. Na foto: Juliana de Medeiros, 31 anos, de São Paulo, pandeiroAmanda Fernandes, Neguinha, 37 anos, de Florianópolis, percussãoGicella Guedes da Fonseca, 33 anos, a Gi, de Florianópolis, vocalJéssica Antunes, 27 anos, de Criciúma, cavaquinhoManoela Pires, 24 anos, de Florianópolis, violão. (Foto: CRISTIANO ESTRELA / DIÁRIO CATARINENSE)
Na foto, as sambistas Juliana, Neguinha, Gi, Jéssica e Manu, que formam o grupo Entre ElasFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

– Eram só amigas, quem tinha um chocalho já fazia parte da banda, se tinha um tamborim fazia parte da banda, se sabia cantar também fazia parte da banda – conta a vocalista Gicella Guedes da Fonseca, de 33 anos, mais conhecida como Gi.

Em menos de um ano, elas cresceram e percorreram o Estado quebrando barreiras e preconceitos. A brincadeira virou coisa séria. Nem todas seguiram em frente, mas quem ficou, por amor ao samba, por amor à música, se dedicou e se profissionalizou. Assim nasceu o grupo Entre Elas, uma das primeiras bandas de samba formada só por mulheres no Brasil e que completou 12 anos de estrada no dia 18 de outubro. A festa já está marcada para o dia 30 de novembro, no bar Ilhéus.

– Viajamos muito no primeiro ano, principalmente depois que passamos na TV, na coluna do Cacau (Menezes). Foi uma loucura, a gente teve que aprender a ser uma banda na estrada, a nossa empresária teve que aprender na prática a ser empresária – relembra Gi.

Da primeira formação, ainda permanecem firmes e fortes a vocalista Gi e a percussionista Amanda Fernandes, a Neguinha, 37. Depois entrou Manoela Pires com o violão, hoje com 24 anos, mas que tinha 14 quando começou na carreira musical. Juliana de Medeiros, 31, fazia parte de uma banda em São Paulo, onde morava, mas acabou sendo convidada pelo Entre Elas. Há nove anos, ela é a responsável pelo pandeiro na composição. Por último se integrou ao grupo a criciumense Jéssica Antunes, 27, com o cavaquinho.

– Nós penamos um pouco no começo, mas com a certeza de que quem estava era para de fato trabalhar e nesses sete anos com elas (última e atual formação da banda) foram só conquistas e não trocaríamos nada nessa história – diz Gi.

Hoje, elas têm dois CDs e um DVD gravados. São cinco composições próprias. A música Aqui é o Meu Lugar, título do segundo CD, foi a composição vencedora no Prêmio Santa Catarina de Música em 2015 e é tema da campanha de verão da NSC Comunicação. Elas também foram homenageadas no Cacique de Ramos, o maior reduto do samba do Brasil, pelo próprio Bira Presidente.

– Essas coisas não têm preço, esses reconhecimentos fazem a diferença, é para isso que a gente trabalha, nosso objetivo é viver da música, não apenas para ganhar homenagens de instituições, mas de ganhar o respeito do público.

O último sucesso recentemente lançado pelo grupo é Olhos Vendados. O Entre Elas já percorreu o Estado inteiro e o país. São em torno de 15 shows por mês.

Juntas, formam uma grande família

Elas são colegas de trabalho, mas nas horas vagas são amigas. Costumam se encontrar em dias de folga para tomar uma cerveja e colocar o papo em dia. Apesar de passarem tanto tempo juntas por causa dos shows, em torno de 15 por mês em todo o país, não se desgrudam nem nos momentos de lazer. O apoio que vem dentro de casa é o mais importante para que tudo dê certo.

– Sempre tivemos o apoio da nossa família, isso é fundamental – diz Manu.

– É fundamental por apoiarem e também por entenderem as nossas ausências. Mas o legal é que temos uma boa relação uma com a família da outra – completa Gi.

Foi dentro casa também e com a influência dos pais e parentes músicos que o amor pela música nasceu nessas meninas, que curtiam uma roda de samba desde pequenininhas. A Manu, por exemplo, mal conseguia segurar o violão quando aprendeu a toca-lo, Neguinha adorava uma roda de samba desde criança, a Ju e a Jéssica cresceram vendo os pais tocarem.

Antes do Entre Elas não há registro de grupo de samba formado só por mulheres em Santa Catarina. A novidade teve consequências positivas e negativas, como o preconceito. Gi conta que o grupo sofreu com a desconfiança das casas e até dos músicos mais velhos, que duvidavam do grupo e tinham forte resistência em aceita-las.

– Hoje todos são admiradores do nosso trabalho. Preconceito existe, de certa forma toda vez que a mulher ocupa uma posição que nunca foi ocupada por ela, mas a gente sempre tirou isso de letra – diz Gi.

– E o esquema é trabalhar com respeito, conquistamos o nosso espaço de forma digna,  sem precisar passar por cima de ninguém – completa Neguinha.

Por outro lado, o fato de ser um grupo só de mulheres era algo novo e isso abriu muitas portas para o grupo. O que não dá para negar é a influência que essas sambistas exercem.

– Tem muitas que se espelham na gente e ficam felizes por se sentirem representadas por mulheres como nós, que ocupamos um espaço antes só de homens – diz Neguinha.

Serviço
O quê?
12 anos do Entre Elas
Quando? 30 de novembro, a partir das 22h
Onde? Bar dos Ilhéus (Rua Dom Jaime Câmara, 118 , Centro, Florianópolis).

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