Avião que levava a Chapecoense não deveria ter feito a rota sem parar para abastecer, dizem especialistas  - Esportes - Hora de Santa Catarina

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Desastre29/11/2016 | 17h16Atualizada em 29/11/2016 | 18h17

Avião que levava a Chapecoense não deveria ter feito a rota sem parar para abastecer, dizem especialistas 

Análise das imagens do local onde caiu o avião apontam que a aeronave estava com os tanques secos, pois não há indícios de explosão 

Avião que levava a Chapecoense não deveria ter feito a rota sem parar para abastecer, dizem especialistas  Raul ARBOLEDA,AFP/Agencia RBS
Foto: Raul ARBOLEDA,AFP / Agencia RBS

Apesar de as causas da queda do avião que transportava o time e a comissão técnica da Chapecoense ainda não terem sido esclarecidas, especialistas apontam que a aeronave utilizada para o trajeto não deveria ter feito a rota sem uma parada para abastecimento por não ser indicada para um voo direto tão longo. 

A hipótese mais provável, — e contrária às especulações iniciais, de queo piloto teria liberado combustível para evitar uma explosão após uma pane elétrica —, é a de que o avião tenha sofrido uma pane seca, ou seja, tenha caído pela falta de gasolina.

— Em primeiro lugar, uma pane elétrica não justificaria jogar combustível fora porque ela não faz necessariamente o avião cair. Alijamento (descarte) de combustível não tem nenhuma lógica neste caso, até porque esta aeronave não possui um dispositivo para isso. É um avião de etapas curtas, para fazer trajetos de uma hora, duas horas. Este trajeto era de mais de quatro horas — afirma o professor de Ciências Aeronáuticas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e comandante de aviação comercial aposentado, Cláudio Scherer.

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Para efeito de comparação, Scherer afirma que o avião seria indicado para trajetos como Porto Alegre-Florianópolis ou Porto Alegre-Curitiba, e o voo da Chapecoense estaria percorrendo uma distância semelhante a Porto Alegre-Recife.

Conforme o diretor da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUCRS, Elones Ribeiro, a hipótese de que tenha se tratado de uma pane elétrica, como informou um comunicado oficial do aeroporto José María Córdova à imprensa, é improvável, pois o avião possui quatro motores. Além disso, as imagens do acidente mostram que não houve explosão com a queda, reforçando a hipótese de que os tanques estavam secos.

A autonomia do avião que transportava a delegação catarinense, o Avro RJ85 da companhia aérea LaMia, era de aproximadamente 1.670 milhas náuticas, e a distância entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e o Aeroporto Internacional José Maria Córdova, na cidade de Rio Negro, região metropolitana de Medellín, é de 1.598 milhas. 

Segundo Ribeiro, é improvável que a aeronave teria possibilidade de comportar combustível suficiente para concluir o trajeto com as reservas legais, que incluem, entre outras coisas, a possibilidade de ficar cerca de 45 minutos a mais do que o tempo de rota no ar como alternativa:

— Para estipular o trajeto e o combustível, é preciso contar com diversas variáveis, como o vento, possibilidade de desvio, chuva, porque tudo isso consome combustível. Ninguém faria uma rota dessas com esta aeronave em tiro direto, pois não cobriria as medidas de segurança. Ela pode rodar o mundo, mas com paradas de tanto em tanto tempo.

Ainda segundo Ribeiro, a hipótese mais plausível, levando-se em consideração que o tempo estava ruim no trajeto, é a de que a queda teria sido causada pela falta de combustível no avião.

— Mas não por que ele liberou o combustível, e sim porque a gasolina acabou. Se a aeronave ainda estivesse com combustível naquele momento, estaria no limite pela capacidade dela.

De acordo com dados do Flight Radar 24, site que acompanha o tráfego aéreo mundial, o Avro AR85 estava a cerca de 30 quilômetros do Aeroporto Internacional José María Córdova, em Medellín quando percorreu duas órbitas (voltas) a uma altitude de 21 mil pés de altitude, cerca de 6,4 mil metros, a uma velocidade média 250 nós (cerca de 460 km/h).

Conforme Sérgio Machado, professor da graduação de Pilotagem Profissional de Aeronaves da Ulbra, o procedimento é de rotina, mas normalmente os aviões costumam percorrer apenas um círculo antes da aterrissagem. A manobra pode sinalizar que o piloto estaria com algum problema.

Em seguida, o avião começa a diminuir velocidade e altitude gradativamente. No último registro de voo, à 0h55min (de Brasília), o avião está a 15.550 pés de altitude (4.739 metros), a uma velocidade de 142 nós (262 km/h).

Pela imagens dos destroços no local do acidente, concentrados em uma pequena área numa região montanhosa do departamento de Antioquia, Machado acredita que o avião colidiu com o solo em "ângulo bem acentuado, mas não verticalmente".

— Se fosse um pouso de emergência, os destroços estariam espalhados em uma extensão de 1 mil, 1,5 mil metros. A caixa preta vai determinar a causa do acidente. Em caso de pane seca, possivelmente o avião estaria planando e não teria conseguido vencer um aclive bem acentuado, como se pode ver nas imagens do local do acidente — disse Machado.

O avião tinha 17 anos e era de fabricação inglesa. Zero Hora tentou contato com a companhia aérea, porém o site estava fora do ar durante a tarde de terça-feira. 


 
 
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