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Clube em ascensão29/11/2016 | 19h11Atualizada em 29/11/2016 | 23h49

Que Chapecoense era essa? 

Gestão como empresa e planejamento financeiro cuidadoso são segredos da ascensão rápida do clube  

Que Chapecoense era essa?  Cristiano Estrela/Agencia RBS
Em partida histórica, Chapecoense passou pelo San Lorenzo e se classificou para a final da Sul-Americana  Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Em 10 de maio de 1973, o oeste catarinense lançava uma tentativa de reverter a amarga inexpressividade local no futebol brasileiro. Os clubes amadores Atlético Chapecó e Independente deixaram de lado a rivalidade e uniram-se para fundar a Associação Chapecoense de Futebol. Nestes 43 anos, a Chapecoense profissionalizou-se e chegou a disputar duas vezes a superlotada primeira divisão do Campeonato Nacional em 1978 e 1979. Mas foi com a chegada do novo milênio que o time se tornou uma equipe emergente em meio aos tradicionais clubes brasileiros. Em meia década, saltou da Série D para a A e, nesta quarta-feira, disputaria uma inédita final da Copa Sul-Americana. No ápice de sua história, o sonho de título internacional foi enterrado em uma montanhosa localidade da Colômbia.

A expressiva ascensão da Chape, como os torcedores carinhosamente a apelidaram, deu-se a partir de 2009, quando o clube subiu para a Série C, e está relacionada ao envolvimento de uma espécie de mecenas do esporte chapecoense: o catarinense Plínio Arlindo De Nês Filho. Conhecido por Maninho, o empresário de 71 anos elegeu-se presidente do Conselho Deliberativo da Chapecoense para o biênio 2015/2016. Muito antes disso, já atuava nos bastidores. Em seu escritório, definiram-se contratações, demissões e o planejamento do Furacão do Oeste.

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Ao lado de executivos locais que decidiram investir na equipe, De Nês emprestou a sua experiência para implantar um sistema de gestão empresarial no time, razão apontada pela recente ascensão. Trata-se de um planejamento financeiro de longo prazo que prevê somente gastos equivalentes à receita, um rígido estatuto que determina o comportamento do clube e um conselho gestor.

Na contramão de times de maior tradição, a Chape não paga salários astronômicos aos seus jogadores e, como uma empresa, oferece premiações por produtividade. Diante da fórmula de sucesso que levou à conquista do Campeonato Catarinense em 2016, De Nês rejeita que o clube sobreviva de ajuda oficial e chegou a declarar que "dinheiro demais pode atrapalhar":

— Sempre fizemos questão de frisar que tudo que vem do poder público não interfira no atendimento à saúde, à educação e à segurança, porque esse é o fundamento do município.

O Furacão do Oeste mantém um orçamento enxuto. No início do ano, a Chapecoense previa um montante em torno de R$ 45 milhões para 2016, valor cinco vezes menor do que os R$ 221 milhões que o Grêmio pretendia, por exemplo.

O sucesso de gestão se traduziu em reconhecimento internacional: em um vídeo publicado em seu site, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) classificou Chapecó como a "nova capital do futebol brasileiro", e o New York Times destacou a prudência financeira do clube como "uma raridade no mundo caótico do futebol brasileiro". Nos últimos anos, a ascensão em campo motivou o envolvimento cada vez mais estreito da população de pouco mais de 200 mil habitantes com o clube e destacou Chapecó no mapa do país.

Em razão da busca de investimento para o município, De Nês não embarcou na aeronave que se acidentou. A pedido do prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, ele permaneceu em São Paulo para participar de uma reunião em busca uma parceria público-privada para o aeroporto regional da cidade. Depois, viajariam em um voo comercial, às 15h50min, para encontrar a delegação do clube em Medellín. A reunião salvou ambos da tragédia.

— Estamos preocupados com a dor das famílias, todas aquelas pessoas que estavam naquele avião são conhecidos íntimos nossos. Uma cidade de 210 mil habitantes não é tão grande assim, a gente conhece todos eles. É muito dolorido — desabafou Buligon.

 
 
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