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Os campeões01/12/2016 | 20h37Atualizada em 01/12/2016 | 20h37

Atlético Nacional, um time forjado na solidariedade

Clube colombiano comoveu o mundo com suas demonstrações de solidariedade após a tragédia com a Chapecoense

Atlético Nacional, um time forjado na solidariedade RAUL ARBOLEDAAFP/STR
Foto: RAUL ARBOLEDAAFP / STR

Um cena se repete 69 anos depois: colombianos se unem para reerguer um clube de futebol. O ato de solidariedade que ganhou o mundo e uniu cerca de 130 mil pessoas no estádio Atanasio Girardot e arredores na noite de quarta-feira, em homenagem às 71 vítimas do voo da Chapecoense, lembra como o Atlético Nacional nasceu.

Era 1947. Mas não havia as lágrimas e a dor que consomem o mundo desde a madrugada de terça-feira. Apenas a junção de forças e a vontade de 500 apaixonados pelo futebol em criar um clube. Cada um, à época, doou cem pesos colombianos. Não imaginavam que plantavam a semente de uma das camisas mais tradicionais do futebol latino-americano.

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A veia solidária do povo da Colômbia que testemunhamos nesses dias de coração apertado e muita tristeza pelo desastre com a Chapecoense foi posta à prova quase 30 anos depois de a fundação do Nacional. No início dos anos 80, Medellín passou a viver sob as leis do narcotraficante Pablo Escobar. Apaixonado por futebol e pelo Nacional em especial, Escobar também era um sujeito frio e cruel. Calcula-se seu envolvimento em mais de 6 mil homicídios à época. Os assassinatos desmedidos fizeram com que os colombianos aprendessem da pior forma a intensidade da dor e do que precisam para se reerguer.

— O gesto do Nacional foi o reflexo da tristeza que embarga todo o povo colombiano por esta tragédia. Foi um ato de solidariedade com todo Brasil. Mas não foi só o Nacional. Muitos clubes colombianos e suas torcidas se uniram, deixaram suas rivalidades de lado para se despedir destes heróis — conta Pablo Romero, repórter do jornal El Tiempo, de Medellín.

Escobar era amigo dos ídolos do Nacional campeão da América em 1989. Recebia-os para peladas e festas em seu sítio e na prisão que ele construiu para si próprio, em um deboche às leis colombianas e uma mostra de poder.

Por isso, a conquista da Libertadores em 2016 também serviu como um ato final de descolamento do passado nebuloso, pontuado por suspeitas. Que eram sempre lembradas pelos rivais do Indepediente. Nas histórias contadas por eles apareciam sempre a influência do traficante na compra de árbitros que pavimentaram a conquista da América em 1989. Havia ainda a eterna suspeita pela mudança da sede da final contra Olímpia de Medellín para Bogotá. Pela versão oficial, ela aconteceu porque o Atanasio Girardot tinha capacidade inferior a 34 mil pessoas e, por isso, o jogo foi no El Campín, para 50 mil torcedores.

Apesar dessas contradições, o Nacional avançou e se tornou o maior campeão colombiano de todos os tempos. São 15 títulos nacionais e três da Copa Colômbia. Na última década, sob a gestão empresarial da Organização Ardilla Lülle, do bilionário Carlos Ardilla Lülle, o clube virou referência no continente dentro e fora de campo.

Por isso, não surpreendeu quando o presidente do Nacional, Juan Carlos de La Cuesta, anunciou o envio à Conmebol para que a Chapecoense fosse declarada campeã da Copa Sul-Americana. Trata-se de um clube diferente. E forjado na solidariedade. Que como vimos na homenagem aos brasileiros de quarta-feira, é uma virtude que fez vicejar na sua torcida. 

*ZHESPORTE

 
 
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