Inter empata com o Fluminense e está rebaixado para a Série B do Brasileirão - Esportes - Hora de Santa Catarina

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Pela primeira vez11/12/2016 | 18h52Atualizada em 11/12/2016 | 23h14

Inter empata com o Fluminense e está rebaixado para a Série B do Brasileirão

Time de Lisca não suportou a pressão no Giulite Coutinho, em Mesquita, no RJ, e jogará a Segunda Divisão em 2017

Inter empata com o Fluminense e está rebaixado para a Série B do Brasileirão Bruno Alencastro/Agencia RBS
Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Acabou. Os erros de um ano inteiro levaram o Inter ao rebaixamento. O clube comandado por Vitorio Piffero agora pertence à segunda divisão. O Inter trocará de turma em 2017, passando a conviver com ABC, Luverdense, Ceará, Brasil-Pel, Juventude, Paysandu, entre outros em busca de ascensão. O imponente Beira-Rio se tornará atração turística na Série B. A confirmação do descenso chegou no subúrbio carioca, o Estádio Giulite Coutinho, a casa do America, um cenário de segunda e com o Inter repetindo o mau futebol de uma temporada inteira.

O empate em 1 a 1 com o Fluminense foi o último e deprimente capítulo do pior ano da centenária história colorada. O Milagre de Mesquita não aconteceu, o Inter precisava pelo menos vencer a sua partida. De novo, não conseguiu. E, assim, o Apocalipse em vermelho não foi adiado.

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O cenário para o clássico não poderia ser pior. A cidade de Mesquita tem ruas estreitas, feias, sujas, com gatos por todos os lados nos postes de luz e um ambiente hostil. Parece uma zona de guerra. O campo do America é modesto, porém, simpático. Mas longe, muito longe da importância do jogo. O Inter encarou um palco de Série B para decidir o seu futuro. E sob um calor escaldante, com sensação térmica na casa dos 40° C, com um mormaço que deixaria Porto Alegre em janeiro parecendo o paraíso.

Assim que o Inter entrou em campo para o aquecimento — com números pretos às costas, em homenagem às vítimas do voo da Chapecoense -, foi recebido aos gritos de "ão, ão, ão, segunda divisão". Com pouca gente no estádio ( um total de 3.847 torcedores), qualquer grito de incentivo dos colorados era imediatamente rebatido pelos cariocas, com o mesmo xingamento direcionado ao time de Lisca: ão, ão, ão, segunda divisão. Os cerca de 500 bravos colorados reagiram e devolveram assim para a torcida do Fluminense: ão, ão, ão, terceira divisão — em referência à queda do clube para a Série C, em 1998. E os cariocas retrucaram: "Grêmiooo, Grêmioooo, Grêmiooooo". E assim foi a tarde inteira. E foi assim até mesmo no primeiro segundo depois do minuto de silêncio, em respeito às vítimas de Chapecó.

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Então foi hora de a bola rolar. O Fluminense leve, sem nada mais a fazer no Brasileirão. O Inter, jogando o futuro e o seu orgulhoso patrimônio de Série A. Logo a dois minutos, Vitinho invadiu a área e passou para Valdívia. O gol parecia certo, mas o cabeludo atacante não dominou a bola e, quando conseguiu se ajeitar, bateu rente à trave, para fora.

Não demorou para que o Fluminense passasse a dominar o Inter. Danilo Fernandes salvou, aos 13 minutos. Nem mesmo o sanguíneo Lisca parecia reagir. Estava sentado no banco de reservas, em vez de ficar aos berros na área técnica, como de costume. O Inter parecia aceitar passivamente o seu destino. E já chovia quando Vitinho cobrou uma falta frontal na arquibancada, perto de um torcedor que segurava uma enorme letra "B".

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Aos 42 minutos, a defesa falhou pela direita, Henrique Dourado cruzou e Alex derrubou Richarlison. Pênalti. Richarlison cobrou e Danilo Fernandes, jogando com as luvas em homenagem ao goleiro da Chapecoense, Danilo, defendeu no canto direito. Um pequeno milagre no subúrbio.

— Essa defesa foi para o Danilo — disse o goleiro colorado, no intervalo.

O primeiro tempo chegou ao final com o Inter ainda vivo. Em Recife, o Figueirense empatava em 0 a 0 com o Sport e devolvia ao Inter o investimento de R$ 2 milhões de bicho extra para não perder na Ilha do Retiro — mais R$ 2,5 milhões bancando a folha salarial em atraso dos catarinenses, bem como a viagem a Pernambuco -, resultado que combinado à vitória colorada em Mesquita impediria a queda gaúcha. Mas o Inter também empatava em 0 a 0.

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O Fluminense voltou para o segundo tempo com o goleiro reserva, Marcos Felipe, uma vez que o titular, Júlio César, sentiu a coxa. Obrigado a vencer, o Inter se atirou ao ataque. Quase levou um gol aos dois minutos, em contra-ataque de Wellington. Aos 10 minutos em Mesquita, gol do Sport em Recife. A torcida do Fluminense, então, se ergueu em uníssono: "ão, ão, ão, segunda divisão" e "arerêêê, o Inter vai jogar a Série B". E os jogadores colorados ouviram e viram a sua torcida se calar. De nada adiantava pagar o Figueirense se o próprio Inter não conseguia vencer a sua decisão.

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Aos 26 minutos, Douglas arrisca de dentro da área, a bola desvia nas costas de William e engana Danilo Fernandes. O rebaixamento do Inter chegou às 18h30min desse domingo, na Baixada Fluminense. Porque com a derrota em Mesquita, nem mais interessava saber quanto acabaria o jogo entre Sport e Figueirense. Aos 43, Gustavo Ferrareis chegou a empatar a partida, o que não serviu para absolutamente nada. 

A temporada 2016 ficará marcada pelo entra-e-sai no departamento de futebol, que teve: Vitorio Piffero, Carlos Pellegrini, Marcos Marino, Argel Fucks, Paulo Roberto Falcão, Fernando Carvalho, Ibsen Pinheiro, Newton Drummond, Celso Roth e Lisca — esse último, contratado para treinar o time a três jogos do fim.

O Inter terá a chance de recomeçar, agora possivelmente sob o comando do técnico Antônio Carlos Zago, e poderá ficar apenas um ano na Série B. Mas o rebaixamento em 11 de dezembro de 2016 será eterno.

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