"Não há previsão de quando vamos sair do hospital, tomara que seja antes do Natal", diz Rafael Henzel em entrevista ao DC - Esportes - Hora de Santa Catarina

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DESASTRE AÉREO12/12/2016 | 14h02Atualizada em 12/12/2016 | 15h06

"Não há previsão de quando vamos sair do hospital, tomara que seja antes do Natal", diz Rafael Henzel em entrevista ao DC

Na véspera de voltar ao Brasil, o jornalista Rafael Henzel, conversou no início da tarde desta segunda-feira com a reportagem do Diário Catarinense

"Não há previsão de quando vamos sair do hospital, tomara que seja antes do Natal", diz Rafael Henzel em entrevista ao DC Arquivo Pessoal/Divulgação
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

 Na véspera de voltar ao Brasil, o jornalista Rafael Henzel, conversou no início da tarde desta segunda-feira com a reportagem do Diário Catarinense via mensagens de áudio pelo WhatsApp. Com sete costelas quebradas, Rafael, que deve desembarcar em Chapecópor volta de 21h desta terça-feira, revelou que não há previsão sobre quando receberá alta hospitalar definitiva, mas confirmou que irá direto para o Hospital da Unimed em Chapecó e disse esperar estar em casa ao lado dos familiares antes do Natal.

— Eu tenho sete costelas quebradas, de repente em Chapecó algumas já estejam fixadas, pois os médicos me falaram que isso vai ocorrer. De repente não precisa nem de cirurgia e eu estou torcendo para isso. Mas não há ainda uma previsão de quando nós vamos sair do hospital completamente, tomara que seja antes do Natal — falou, após ser questionado pelo DC se havia previsão dos médicos sobre quando poderia ir para casa.

Rafael relatou que o voo que levava jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas saiu de São Paulo para Santa Cruz de laSierra com uma hora e meia de atraso. Ao chegar na cidade boliviana, a aeronave da LaMia já os estava esperando. Todos estavam alegres, conta Rafael. Ele revela que o voo transcorria normalmente, até que com duas horas de voo, o avião passou por uma forte turbulência. 

— Foi o único alerta dos comissários de bordo durante a viagem — reforça.

Já próximo a Medellín, Rafael diz que os passageiros do voo 2933 perguntavam insistentemente sobre a chegada do avião ao aeroporto de Rio Negro. As respostas da tripulação eram de que faltavam 10 minutos. Logo após uma delas, as luzes da aeronave se apagaram, e os passageiros nesse momento não tinham absolutamente nenhuma informação do que estava acontecendo naquele momento a quase 10 mil pés de altitude.

 — Não houve absolutamente nenhuma informação da cabine ou dos comissários dizendo que nos estávamos sem combustível, que deveríamos nos preparar para um pouso forçado, que nos deveríamos utilizar algum equipamento de segurança. Em nenhum momento isso ocorreu. Eu não sei dizer quando tempo teve entre o momento em que se apagaram as luzes até a queda do avião — conta Rafael.

O jornalista afirma que notou a aflição da comissária de bordo boliviana Ximena Suarez, uma das seis sobreviventes, que estava sentada com o cinto de segurança. Rafael acredita que ela também não sabia ao certo o que estava acontecendo naquele momento. Em seguida, veio a batida no alto de um morro.

— O silêncio tomou conta da aeronave. Nem o barulho dos motores se ouvia. Ficamos extremamente preocupados naquele momento – recorda.

O resgate seis horas depois da queda do avião

Rafael Henzel foi o penúltimo sobrevivente a ser resgatado com vida, antes ainda do zagueiro Neto. Preso em duas árvores, com os bancos de seus colegas de voo ao lado, e pedaços de árvore presos nas pernas, Rafael acordou exatamente no momento em que socorristas passavam perto ao local em que ele estava. Rafael gritou por socorro, e a partir daí novamente dificuldades para retirá-lo do local, de difícil acesso.

— Muita dificuldades para me retirar do local. Foi muito complicado para me tirar dali, porque o terreno não tinha trilha, era muito íngreme, muitas pedras e o solo não era firme. Mesmo assim, com o esforço dos socorristas conseguiram me tirar dali. Carros tracionados então me levaram para o hospital, onde cheguei 40 minutos depois para realizar o primeiro atendimento — recorda.

Desde então, Rafael está lúcido. Pediu para avisar sua família, inclusive sobre o fato de que havia outro Rafael no voo, e um dos dois estava morto. Ele lembra que seu filho, de 11 anos, dizia para a família em Chapecó que o pai estava vivo, que a criança sentia isso.

— Isso foi muito marcante para mim. Por um milagre de Deus hoje estamos aqui conversando. E a gente pretende voltar para Chapecó, terminar a recuperação para que a gente possa seguir a nossa vida profissional — destaca.

Rafael diz que não reclama deste ano de 2016 e nem do acidente. Afirma que está ao lado da família, e muitas outras famílias não estão mais com seus entes queridos.

— Que toda essa tragédia, que comoveu e uniu o mundo, que uniu Colômbia e Brasil, possa minimamente entrar nos corações dos torcedores e lembrar que futebol é isso: é irmandade, não é briga, não é morte, não é violência. Eu fiquei muito feliz com a recepção do povo colombiano e ansioso para pousar em Chapecó — reforça.

Companheiros de voo, Djalma, da RBS TV, e Renan, mudaram de lugar ao longo do trajeto 

Rafael estava sentado ao lado do cinegrafista da RBS TV, Djalma Araújo Neto, e do jornalista Renan Agnolin, colega de Rafael na Rádio SuperCondá. Ele revela que a turma da imprensa estava mudando constantemente de lugar. Djalma, conta, estava mais à frente e depois que se sentou na penúltima fileira, ao lado de Rafael. 

— Nós ficávamos de pé também, para o tempo passar conversando com os amigos. Depois eu e o Djalma sentamos e conversamos bastante, sobre ao acompanhamento da Chapecoense, sobre o momento que todos nós estávamos vivendo, acompanhando uma final de Copa Sul-Americana. E o Renan estava de pé, e ao lado, o comissário de bordo da LaMia falou para o Renan que o lugar em que ele estava era o lugar onde o Messi sentava quando a LaMia fazia os translado da Seleção Argentina. A gente bricou bastante sobre isso – conta.

Pouco depois disso, explica, as luzes se apagaram e o avião bateu contra um morro na proximidades do aeroporto de Rio Negro, na Região Metropolitana de Medellín.

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