Aulas de jiu-jitsu mudam realidade de crianças e adolescentes do Morro do Horácio - Esportes - Hora de Santa Catarina

Florianópolis02/01/2017 | 18h16Atualizada em 02/01/2017 | 18h16

Aulas de jiu-jitsu mudam realidade de crianças e adolescentes do Morro do Horácio

Há quase quatro anos, professor ensina no amor a arte marcial enquanto pais buscam apoio para o projeto  

Aulas de jiu-jitsu mudam realidade de crianças e adolescentes do Morro do Horácio Leo Munhoz/Agencia RBS
Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

O tatame já ficou pequeno para tanto aluno. São quase 50 crianças e adolescentes do Morro do Horácio que se reúnem duas vezes por semana no ginásio da Escola Desdobrada Osvaldo Galupo para treinar jiu-jitsu. O espaço fica no alto do morro e é privilegiado com uma vista deslumbrante do mar. Lá é tocado o projeto Lutar Para Vencer. A iniciativa é financiada apenas pela comunidade, e o desejo dos pais e do professor Jacson Botelho é conseguir maior apoio para 2017.

— Bota a perna em V, levanta o amiguinho do chão, derruba e depois imobiliza — orienta Jacson, cinegrafista e professor voluntário de artes marciais nas horas vagas, e que já foi campeão catarinense de jiu-jitsu.

Ele toca no amor desde 2013 o projeto no Horácio. Não há convênio com prefeitura ou qualquer ONG. No começo eram menos de 10 alunos. Os pais também abraçaram a causa. Durante as aulas, eles fazem uma pequena plateia do lado de fora do tatame. Ronaldo Vieira, 36 anos, faz parte do conselho de pais e corre atrás de recursos para financiar o projeto. Ele é pai do Roger, de 11 anos, há dois lutando. 

— Desde que começou, esse projeto mudou a comunidade, porque tirou a criançada da rua, a gente mora num lugar complicado. E o Roger não falta a nenhum treino — destaca o pai.

Em dois anos, a criança já tem uma medalha de ouro e outra de prata no Catarinense. E ele começou por causa dos amigos.

— A gente leva eles para um monte de campeonatos, tudo sem lucro nenhum. Eles precisam ter uma oportunidade na vida. O dia em que essa criançada for faixa preta, eles podem viajar o mundo como lutadores ou professores de jiu-jitsu, é uma faixa que vale em qualquer lugar do planeta — deseja o professor Jacson.

Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Sonhos

É o sonho também de Douglas Arthur de Oliveira, de 14 anos e que começou em 2016, mas já ostenta duas medalhas em campeonatos estaduais.

— Eu fazia o jiu-jitsu junto com a escolinha de futebol. Mas tive que começar o reforço escolar e precisei optar por um. Acabei ficando no jiu-jitsu — explica o adolescente, que vai tentar a faixa amarela no ano que vem.

Já o Erick Carvalho Correa, de 11 anos, começou somente no mês passado. Mas o garoto já faz judô há cinco anos. Aproveitou conhecimento de queda e finalização nas aulas.

— Eu resolvi entrar no jiu-jitsu também porque minha mãe estava fazendo, e eu fiquei curioso. Agora não saio mais — conta o menino.

Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Por dias melhores

Em setembro, quando um policial militar foi morto em confronto no Morro do Horácio, as aulas do Lutar para Vencer foram suspensas. Naqueles dias, se recorda Jacson, o esporte perdeu para a violência. Por isso, antes de encerrar a última aula do ano, o professor reuniu os lutadores em uma roda e todos rezaram um Pai Nosso. O professor lembra as dificuldades que todos enfrentaram em 2016 e deseja um ano de 2017 melhor para todas as famílias. Depois todos se mobilizaram, desmontaram e guardaram as peças do tatame. 

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