"Eu sempre vou ser o goleiro da Chapecoense", diz Jackson Follmann - Esportes - Hora de Santa Catarina

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Entrevista18/02/2017 | 07h30Atualizada em 18/02/2017 | 07h30

"Eu sempre vou ser o goleiro da Chapecoense", diz Jackson Follmann

Ele foi um dos seis sobreviventes do voo da LaMia, em que 71 pessoas morreram na Colômbia, em novembro do ano passado

"Eu sempre vou ser o goleiro da Chapecoense", diz Jackson Follmann Marcio Cunha/Especial
Foto: Marcio Cunha / Especial
darci debona

Depois de 10 dias, o goleiro Jackson Follmann voltará para São Paulo nesta segunda-feira para seguir o trabalho de adaptação para a prótese definitiva que vai usar na perna direita, amputada após o acidente aéreo ocorrido com a delegação da Chapecoense, em novembro. Na semana passada ele cumpriu uma rotina de ir pelas manhãs ao clube para fazer fisioterapia e ganhar massa muscular na coxa direita. Também faz exercícios para diminuir a contratura no pescoço, em virtude de ter utilizado um colar cervical durante 45 dias.

O goleiro foi um dos seis sobreviventes do voo da LaMia, em que 71 pessoas morreram na Colômbia. A previsão é de que entre três e quatro meses será colocada a próteses definitiva, importada, em fibra de carbono. Além disso, Follmann recupera-se de uma lesão no tornozelo esquerdo, outro machucado devido ao acidente.

Na sala de imprensa da Arena Condá, ele concedeu entrevista ao DC. Falou da emoção de cantar ao vivo na televisão com Galvão Bueno, do apoio da família e da previsão de casamento para este ano com a noiva Andressa.

Como foi voltar a caminhar depois de tanto tempo?
Estava bobo feito uma criança. Fazia muito tempo que queria ficar em pé. Às vezes, pensava em sair caminhando mesmo sem poder. Eu olhava para a minha mãe e ela chorando. Olhava para minha noiva e ela dando risada. Meu pai rindo. Foi muito bom.

Como está a adaptação?
Ainda canso muito com as muletas. Mas não sinto dor no coto. O que me incomoda é o pé esquerdo. Dói os ligamentos. Semana que vem vou tirar a bota.

E a prótese definitiva vai demorar quanto tempo?
Vai uns três a quatro meses. Estou usando uma prótese de acrílico que pode ser moldada ao coto. Só depois que o coto estiver bem fino é que poderei colocar a prótese definitiva, em fibra de carbono. Ela vai ter movimento no tornozelo que vai me permitir ir à praia, praticar esportes, fazer tudo que eu fazia antes.

Como está fazendo para passar o tempo?
Leio bastante, converso bastante com a minha noiva, que mora comigo. No momento a recuperação é lenta e estou procurando me ocupar com outras coisas. Leio de tudo. Estou lendo o livro de uma menina que não tem os pés.

Foto: Marcio Cunha / Especial

E o violão?
O violão não está em casa. Tenho que buscá-lo em Porto Alegre.

Como foi cantar junto com o Galvão Bueno no amistoso do Brasil contra a Colômbia?
Foi bacana pra caramba, foi prazeroso. A gente ouvia ele narrando os jogos e agora poder ficar do lado dele e ele te pedir para cantar uma música, gostei muito. Vai ficar marcado na minha vida.

De onde vem esse gosto pela música?
Meu pai era músico. Eu também cantava em festivais, música popular, música nativivista. Gosto bastante de sertanejo.

Quando você chegou de São Paulo em dezembro, ainda na maca, você balançou os braços para a torcida, como foi aquilo?
Quando vi a torcida queria mostrar para eles que eu iria lutar, que eu iria vencer. Na verdade eu venci. Estou muito feliz.

O que foi mais difícil até agora?
O mais difícil foi perder os irmãos no acidente. Nós éramos como irmãos. Doeu muito pensar nos pais de família que se foram. Mas eu procuro pensar só nas coisas boas dos irmãos que foram, das coisas boas que vivemos juntos.

O que o ajudou a superar tudo isso?
Vem da base familiar. Minha família e minha noiva sempre estavam junto me dando força. Isso me ajudou bastante. Estou sendo o Follmann que era antes do acidente. Tive uma segunda chance. Foi um milagre e agradeço a Deus por isso. Vou comemorar minha segunda chance sempre sorrindo.

Numa entrevista você disse que não quer que sintam pena, não foi?
Dias atrás me perguntaram: Não te incomoda ser chamado de ex-goleiro, ex-atleta? Disse que não pois eu não vou ser um ex-atleta. Eu sempre vou ser o goleiro da Chapecoense.

E o futuro?
Não cheguei a pensar no futuro, estou realmente focado na recuperação e poder fazer o que fazia antes. Talvez faça um curso de gestão. Mas isso é depois.

Pretende ser um atleta paralímpico?
Pretendo voltar a praticar esportes. Mas tem que ver como meu corpo vai se adaptar. No momento é pensar na recuperação.

A Chapecoense ofereceu a você a chance de continuar no clube. Vai aceitar?
Não conversei com minha família ainda. Mas quero ficar na Chapecoense pois gosto das pessoas daqui. Aqui é minha segunda casa.

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