"A Chapecoense tem um DNA copeiro", diz Maringá, diretor de futebol do Verdão - Esportes - Hora de Santa Catarina

Entrevista06/03/2017 | 14h50Atualizada em 06/03/2017 | 14h50

"A Chapecoense tem um DNA copeiro", diz Maringá, diretor de futebol do Verdão

Dirigente é um dos pilares no processo de reconstrução da Chape

"A Chapecoense tem um DNA copeiro", diz Maringá, diretor de futebol do Verdão Sirli Freitas/Chapecoense
Foto: Sirli Freitas / Chapecoense
darci debona

O diretor de futebol João Carlos Maringá é um dos pilares no processo de reconstrução da Chapecoense. E agora, com o time prestes a estrear na Libertadores, a sua experiência pode contribuir ainda mais com o grupo do Verdão. Isso porque o ex-meio de campo carrega no seu currículo a participação no torneio defendendo dois clubes: o Guarani-SP, em 1987, e o Cerro Porteño, do Paraguai, em 1992.

Essa experiência na competição continental pode fazer a diferença na hora de preparar o grupo para o que está por vir. Ainda mais considerando que o agora diretor tem um histórico intimamente ligado à trajetória do clube do Oeste.

Aos 53 anos, o ex-jogador, que foi campeão catarinense com o Verdão em 1996, chegou a ter uma breve passagem como treinador, atuou no departamento de futebol como vice-presidente nos acessos para a Série B, em 2013, e para a Série A, em 2014.

Nessa entrevista ao Diário Catarinense, ele explica como pretende contribuir com o time e ressalta o espírito "copeiro" da Chapecoense. Afinal, como o próprio Maringá, que soube da queda do avião no mesmo dia em que velava sua esposa, a Chapecoense não desiste de lutar.

DC: Como foram suas participações em Libertadores como jogador?

Foram duas, uma por time brasileiro e outra por time estrangeiro. Em 1987, o Guarani não priorizou a Libertadores e caímos fora na primeira fase. Já no Cerro Porteño, os caras jogam a Libertadores como se fosse Copa do Mundo. Em 1992, fui contratado como reforço nas oitavas-de-final, em que perdemos por 2 a 0 para o Bolívar em La Paz e depois vencemos por 3 a 0 em casa. Nas quartas-de-final, empatamos por 1 a 1 com o Barcelona lá em Guayaquil e, no jogo em casa, estávamos vencendo por 1 a 0, mas tomamos um gol no final e fomos para os pênaltis. Em oito cobranças erramos cinco pênaltis e fomos desclassificados. Eu não bati pois estava com cãibra.

DC: O que mudou na Libertadores daquela época para agora?

Hoje os times brasileiros dão mais importância para a competição e também diminuiu a violência. A tecnologia ajudou, com mais câmeras nos jogos. Antes, tinha agressões, cotovelada, socos, mas não tinha punição, pois as imagens não eram captadas.

DC: Como você pode contribuir ao passar essa experiência para os jogadores?

Estamos falando muito com os atletas de que a arbitragem, por característica, deixa o jogo correr mais e não adianta ficar se jogando. Falamos muito da catimba dos uruguaios, argentinos, que ficam te provocando, puxando o cabelo e xingando. Não dá para entrar na provocação. Na bola aérea, eles empurram antes de a bola chegar. Em algumas coisas posso contribuir. Outra coisa é que tem saber jogar forte, mas também não pode ser violento, tem que saber o limite. Lá fora, eles jogam com muita raça a Libertadores, até porque os campeonatos nacionais são mais fracos, como Paraguai, Bolívia, Peru e até o Uruguai. Para eles, o campeonato mais importante é a Libertadores. Para nós também é importante, mas temos foco também no Campeonato Brasileiro, pela importância da verba e do campeonato. Temos que jogar com a mesma disposição dos adversários.

DC: O que representa a Libertadores para a Chapecoense?

É algo tão grande que é difícil até dimensionar. Pensar isso há cinco ou seis anos era um sonho mesmo. A gente vai se emocionar. É um motivo de orgulho.

DC: Essa competição é mais um passo na história do clube que agora se tornou uma marca mundial, infelizmente pelo motivo da tragédia.

Isso aumenta a nossa responsabilidade. Temos que fazer nosso melhor, pois, literalmente, muitas pessoas deram a vida para que estivéssemos aqui. Temos que retribuir com o máximo de vontade.

DC: Como a Chapecoense chega para essa competição, qual a meta?

Nosso sonho seria passar da primeira fase, mesmo sabendo que é difícil em virtude de tudo que ocorreu. Gostaríamos de ter mais dois ou três jogadores com experiência na competição, mas os valores pedidos iriam extrapolar nosso orçamento. Mas tenho confiança de que o grupo que temos vai representar bem o clube.

DC: Quais os cuidados na estreia contra o Zulia?

Pensei bastante nisso nos últimos dias. Vamos precisar de muito equilíbrio emocional. Temos que jogar no limite máximo, mas sem passar do ponto. Eu e o Mancini, que já jogamos Libertadores, vamos falar muito com eles, o que pode contribuir muito com os jogadores.

DC: Vocês contrataram os jogadores com esse perfil de Libertadores?

Não. Foi tão corrido entre o Natal e o Ano Novo, e infelizmente não conseguimos alguns nomes mais rodados.

DC: Mas a Chapecoense, apesar de ser estreante em Libertadores, já mostrou que tem um espírito copeiro na Sul-Americana.

A Chapecoense tem essa característica de ser um time copeiro e difícil de ser batido. No jogo contra o Atlético-MG (2 a 2 pela Primeira Liga), a cara da Chapecoense foi a do segundo tempo, com raça e determinação. Isso é característica do povo daqui, que tem bastante influência do gaúcho. A Chapecoense mudou bastante, mas não pode perder o seu DNA de brigar até o fim. O próprio jogo contra o San Lorenzo pela Sul-Americana, em que o Danilo fez uma defesa com o pé no fim, mostrou isso.

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