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Paris16/11/2017 | 14h42

Olheiros no futebol: as estatísticas na busca pelo talento

AFP
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O filme 'Moneyball', de 2011, é uma referência para se compreender o lugar das estatísticas no esporte. Brad Pitt interpreta Billy Beane, que, à frente de uma modesta equipe de beisebol, adota com sucesso o uso de dados em contratações e nos treinos.

O futebol não escapou da invasão das estatísticas, muito úteis na hora de recrutar um jogador ou buscar um jovem de talento.

- 'Technical scouts' -

Fundador da empresa fornecedora de estatísticas Prozone, Thomas Schmider detalha: "No início, a análise estatística era feita somente sobre sua própria equipe, sobre seu rendimento e a maneira de melhorá-lo. Depois, as estatísticas foram usadas para ajudar a analisar um adversário, através de análises de vídeos e números. E não foi até uma terceira fase que se começou a usar esses dados em contratações".

Os clubes ingleses estão particularmente à frente dos competidores neste quesito: Manchester City e Liverpool, por exemplo, contam com uma dezena de pessoas dedicadas à análise de estatísticas para recrutamento. São os 'technical scouts', que poderia ser traduzido como 'olheiros tecnológicos'.

Enquanto os olheiros tradicionais se enfrentam nos estádios, os 'technical scouts' estudam os bancos de dados.

Foi graças a seus números defensivos que o pequeno volante N'Golo Kanté foi descoberto pelo Leicester. Duas temporadas depois, o francês conquistou dois títulos da Premier League, primeiro com os Foxes e depois com o Chelsea, e foi eleito na última temporada o melhor jogador da competição.

- 'Perspectiva científica' -

Questionado pela AFP sobre o uso de bancos de dados, o coordenador de 'scouting' da Roma, Francesco Vallone, explica: "Além da análise qualitativa e subjetiva de cada jogador, temos uma análise estatística e quantitativa que muitas vezes permite entender melhor a progressão e as características objetivas de um jogador".

Para Damien Comolli, ex-diretor esportivo do Saint-Etienne e do Liverpool e atualmente trabalhando como comentarista de rádio, "ter uma perspectiva científica da contratação permite reduzir a porcentagem de erro".

Estas ferramentas "mudaram" a maneira de se contratar, garante Vallone. "Atualmente, todos estes sistemas permitem a todo o mundo acompanhar todo mundo, em qualquer parte do mundo. Isso aumenta a competição e é por este motivo que é preciso ter a melhor organização possível para chegar em primeiro".

Tanto para as empresas especializadas como para os clubes é "uma corrida armamentista" para descifrar "mais campeonatos, mais jogos, mais estatísticas", afirma Schmider.

Isso explica o motivo de sua empresa ter sido comprada em 2015 pela americana Stats, ou do Arsenal ter pago 4 milhões de dólares em 2012 para adquirir a StatDNA, outra empresa especializada em análise de dados.

- Como no Football Manager -

Alguns clubes supervisionam até os videogames. "Várias equipes top do mundo usam a base de dados do Football Manager em suas operações de 'scouting'", garante à AFP um porta-voz da SI Games, desenvolvedora do famoso jogo.

o Football Manager é um jogo de simulação que propõe ao jogador se tornar o diretor de futebol de um clube, gerindo a equipe de maneira muito realista: equilibrar orçamentos, lesões de jogadores-chave, derrotas surpreendentes... E tudo isso apoiado numa base de dados de mais de 350.000 atletas, com seus pontos fortes, suas fraquezas, suas condições atuais, etc.

Este banco de dados "é um dos mais amplos do mundo" e foi criado pouco a pouco graças "a uma rede de mais de 1.300 olheiros", se orgulha a SI.

"Não pretendemos ter a base de dados perfeita, somos humanos", afirma Benjamin, um dos programadores da versão francesa do jogo. Encarregado da Ligue 1 e da Ligue 2 (1ª e 2ª divisões da França), ele precisa "dar uma valorização no potencial do jogador" que determina a margem de progresso do jogo.

Como? "Nos informamos como podemos, acompanhando os jogos pela televisão, entrevistando uma rede de correspondentes, mas também consultando os fóruns de torcedores e as matérias da imprensa", completa Ludovic, que supervisiona os jogos regionais franceses, ou seja, da 4ª divisão.

Estes dois especialistas fazem tudo isso em seu tempo livre. "Quanto mais confiável a base de dados, mais prazer de jogar", argumenta Benjamin.

E maior o interesse dos clubes.

* AFP

 

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