Mulheres com hiperandrogenismo terão que reduzir níveis de testosterona para competir - Esportes - Hora de Santa Catarina

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Paris26/04/2018 | 18h14

Mulheres com hiperandrogenismo terão que reduzir níveis de testosterona para competir

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As atletas com hiperandrogenismo, como a atual bicampeã olímpica dos 800 metros Caster Semenya, terão que reduzir os níveis de testosterona para poder participar de competições internacionais de 400 m a até uma milha (1.609 m), anunciou nesta quinta-feira a Federação Internacional de Atletismo (Iaaf).

Estas novas regras, que entrarão em vigor em 1 de novembro de 2018, foram estabelecidas a partir de um estudo da Iaaf que prova que as atletas intersexuais, que produzem testosterona em excesso, têm vantagem em várias modalidades.

Provas científicas foram pesquisadas após a Corte Arbitral do Esporte (CAS) suspender em 2015 o regulamento com o qual a Iaaf obrigava as atletas com hiperandrogenismo a realizarem tratamentos para reduzir a taxa de testosterona.

O caso mais conhecido de intersexualidade é o da sul-africana Caster Semenya, bicampeã olímpica dos 800 metros (2008/2016) e três vezes campeã mundial da distância.

O estudo encontrou que a vantagem destas atletas com "diferenças no desenvolvimento sexual" se dá especialmente nas distâncias entre os 400 metros e uma milha, que transitam entra a fronteira da velocidade e da resistência.

A polêmica sobre a superioridade destas atletas ganhou notoriedade no Mundial de atletismo de Berlim em 2009, quando Semenya conquistou sua primeira medalha de ouro. A aparência física da sul-africana e sua grande performance suscitaram perguntas na imprensa e entre os fãs do esporte.

Desde então, Semenya é rainha das pistas. Aos 27 anos, ampliou seu reinado para as provas de 400 m e 1.500 m, reascendendo a polêmica.

O Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na África do Sul, mostrou "grande preocupação" com a decisão da Iaaf.

"Estas novas regras atentam contra os Direitos Humanos das atletas, principalmente do leste da Europa, Ásia e do continente africano. A conotação racial não pode passar despercebida", denunciou a ANC, que pediu ao governo para que acione a Corte Arbitral do Esporte contra esta "tentativa injusta, injustificada e, de maneira flagrante, racista".

- 'Preservar a igualdade' -

Ao anunciar a nova regra nesta quinta-feira, a Iaaf insiste no objetivo de "preservar a igualdade de oportunidades nas competições de atletismo".

"Não há intenção de julgar ou colocar em dúvida a identidade sexual ou de gênero de uma atleta. Pelo contrário, a Iaaf considera essencial respeitar e preservar a dignidade e a vida privada das atletas que apresentam DDS (diferença no desenvolvimento sexual)", completou a identidade que rege o atletismo.

Concretamente, estas atletas 'DDS' terão que reduzir suas taxas de testosterona para abaixo dos 5 nanomols por litro de sangue. Atualmente, o limite permitido é de 10 nanomols.

O estudo da Iaaf examinou mais de 2.000 amostras, levando em consideração as melhores atuações de atletas masculinos e femininos nos Mundiais de 2011 e 2013, e suas taxas de testosterona natural no sangue.

De acordo com os resultados, as mulheres com taxas mais altas tinham performances melhores em algumas modalidades em relação às atletas com taxas mais baixas.

"Imaginem até onde poderia chegar esta vantagem para as mulheres com taxa de testosterona equivalente a dos homens", comentou o médico Stéphane Bermon, citado pela Iaaf quando o estudo foi publicado pela revista médica Bristish Journal of Sports Medecine.

Taxas de testosterona anormalmente altas favorecem o crescimento de massa e potência muscular, facilitando a circulação da hemoglobina, o que supõe uma vantagem significativa para os atletas com hiperandrogenismo.

* AFP

 
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