MLS se aproxima da elite com a ajuda do futebol sul-americano - Esportes - Hora de Santa Catarina

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Atlanta10/12/2018 | 14h39

MLS se aproxima da elite com a ajuda do futebol sul-americano

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A Major League Soccer, em outra época considerada um 'cemitério' de grandes jogadores, vem lutando com sucesso contra esse estigma aos olhos do mundo. Graças ao forte investimento, a uma torcida crescente e à parceria com o futebol sul-americano, pode gritar orgulhosa que está se aproximando das grandes ligas.

Grandes estrelas como o inglês David Beckham, o colombiano Carlos Valderrama ou o espanhol Raúl aterrissaram na MLS para dar os últimos lampejos da carreira antes de pendurarem as chuteiras.

Este ano, o sueco Zlatan Ibrahimovic e o inglês Wayne Rooney seguiram esses passos. Mas a MLS já não era a mesma que seus predecessores haviam encontrado em solo americano.

- Juventude -

O modelo do campeonato mudou, apostando mais em futuras estrelas do que em estrelas em fim de carreira. Enquanto no passado a MLS importava lendas consagrados do futebol, nesta temporada a idade média dos jogadores que chegaram aos Estados Unidos foi abaixo dos 25 anos pela primeira vez na história.

E boa parte da responsabilidade pertence ao Atlanta United, do técnico argentino Gerardo 'Tata' Martino.

Tata Martino recebeu a missão de liderar em 2016 o novo projeto do Atlanta United e, em apenas dois anos, conquistou o título nacional ao derrotar por 2 a 0 na final o Portland, apostando em jovens talentos como o venezuelano Josef Martínez ou o paraguaio Miguel Almirón.

Além disso, o argentino Ezequiel Barco se tornou há alguns meses a contratação mais cara da MLS ao ser recrutado pelo Atlanta por cerca de 15 milhões de dólares junto ao Independiente. Isso aos 18 anos e depois de se tornar campeão da Copa Sul-Americana como um dos destaques do clube argentino, na vitória sobre o Flamengo na decisão.

Em outra época, o destino de uma promessa desse quilate seria a Europa, mas Barco escolheu a MLS para ganhar experiência antes de cruzar o Atlântico para jogar no Velho Continente, assim como já havia feito Almirón.

- Sócio sul-americano -

Os elencos dos finalistas da MLS contaram com um total de 17 jogadores latino-americanos e 9 sul-americanos como titulares, uma comunhão perfeita que elevou o nível geral do futebol apresentado em campo.

"Nos olhos da América do Sul, a MLS tem cada vez mais credibilidade e agora cada vez mais gente olha para a MLS como um destino, enquanto antes as prioridades eram outras", declarou antes da final o técnico do Portland Timbers, o venezuelano Giovanni Savarese, que passou a maior parte da carreira em equipes americanas.

"Acredito que a MLS é uma boa proposta para meu tipo de jogo e acredito que isso vai me ensinar muito (...) Vim para cá para continuar melhorando, isso vai me ajudar muito", explicou à AFP o uruguaio Diego Rossi, que decidiu jogar no Los Angeles FC, aos 20 anos, antes de partir para uma aventura na Europa.

Com mais de 100 jogadores latino-americanos integrando os elencos das equipes, a MLS mudou seu foco e seu modelo de crescimento para os vizinhos continentais.

"Veremos uma das melhores ligas do mundo no futuro", garantiu o brasileiro Kaká, que jogou no Orlando City nos últimos três anos da carreira.

- Crescimento -

Em 2005, o campeonato contava com apenas 14 equipes. Este ano, 23 clubes participaram e outros quatro estão na lista de espera para poder competir na MLS nos próximos anos.

"Em 2005, eu não acredito que alguém teria dito que chegaríamos à posição em que estamos agora. Há dezenas de grupos interessados em ter uma equipe de expansão", afirmou na sexta-feira o comissário da MLS, Don Garber.

"Não há limites em relação ao que a MLS pode se tornar. Quando foi fundada, tínhamos uma visão do que poderia ser (...) e o que aconteceu é uma declaração de que nosso país e um verdadeiro país do futebol", completou.

O primeiro passo para este crescimento: a construção de estádios dedicados exclusivamente ao futebol. A MLS, com a estreia na próxima temporada da nova casa do Minnesota United, contará com 20 estádios onde só se jogará "soccer".

E todos os pacotes de ingressos para a próxima temporada foram esgotados.

"Quando cheguei (em 1999), era uma liga que havia sido fundada para contrapor a temporada da NFL com as equipes dividindo o estádio. Nos demos conta rapidamente que esse não era um bom modelo", explicou Garber.

O Atlanta, porém, rema contra essa corrente, e com sucesso: o dono do clube, Arthur Blank, construiu o Mercedes-Benz Stadium como a casa do United e dos Falcons, sua equipe na NFL, a liga de futebol americano.

E o estádio pulverizou todos os recordes de público para jogos de futebol nos Estados Unidos, chegando aos 73.000 espectadores na final e com média superior aos 50.000 durante a temporada.

Para isso, Blank investiu mais de 1 bilhão de dólares no estádio e no centro de treinamento da equipe.

O Atlanta United é hoje o clube mais valioso da MLS, com valor de mercado avaliado em 330 milhões de dólares. O valor médio de uma franquia da MLS é de 240 milhões de dólares, um aumento de 7,6% em relação a 2017.

Assim, o Atlanta United se tornou a primeira equipe a acolher mais de um milhão de pessoas em seu estádio durante a temporada regular, enquanto o campeonato registrou a melhor média de público de sua história.

Em 1994, os Estados Unidos sediaram a Copa do Mundo pela primeira vez, mas o evento não foi capaz de popularizar de verdade o "soccer" no país do basquete, do beisebol e do futebol americano.

Em 2026, os Estados Unidos voltarão a organizar a Copa, desta vez em conjunto com México e Canadá. Até lá, quem sabe, as grandes ligas do planeta já estarão vendo a MLS no retrovisor.

* AFP

 

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