Haitianos e senegaleses em SC: "Imigrantes ocupam postos que são dispensados", diz representante da Fiesc - Geral - Hora de Santa Catarina

Versão mobile

Imigração24/05/2015 | 21h28

Haitianos e senegaleses em SC: "Imigrantes ocupam postos que são dispensados", diz representante da Fiesc

Durval Marcatto Jr, presidente da Câmara de Relações Trabalhistas da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), avalia a vinda dos estrangeiros para o Estado

Haitianos e senegaleses em SC: "Imigrantes ocupam postos que são dispensados", diz representante da Fiesc Lucio Sassi/Agencia RBS
Presidente da Câmara de Relações Trabalhistas da Fiesc é otimista com a imigração no Estado, mas teme atual conjuntura econômica Foto: Lucio Sassi / Agencia RBS

Pela internet, catarinenses têm demonstrado apreensão com a chegada de 88 imigrantes haitianos e senegaleses ao Estado. O principal temor apontado é relativo à possibilidade de perda de vagas no mercado de trabalho para os estrangeiros, que pode agravar a situação econômica em Santa Catarina.

Ônibus chegam com 25 senegaleses e 18 haitianos em Florianópolis

Em entrevista por telefone, o presidente da Câmara de Relações Trabalhistas da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Durval Marcatto Jr, ameniza a situação e ressalta que os postos ocupados pelos imigrantes são, geralmente, aqueles dispensados pela população local.

— Isso acontece porque muitos dos imigrantes têm capacitação e até nível superior, mas a qualificação ainda precisa ser propiciada para eles ocuparem essas vagas disponíveis — acredita.

Marcatto Jr vê a questão do fluxo migratório como uma oportunidade positiva para o país, porque os índices de natalidade da população brasileira estão abaixo da reposição e a chegada de pessoas economicamente ativas é importante para a renovação. Porém, o problema está na forma como elas acabam conduzidas.

— O que o governo faz hoje é receber esse pessoal lá no Acre, pagar passagem para São Paulo e jogá-lo por aí. Um outro aspecto a ser considerado é o decréscimo do nosso Produto Interno Bruto. Então com isso já vemos os índices de desemprego aumentando e aí essa mão de obra, querendo ou não, passa também a concorrer com as vagas do mercado de trabalho. Isso gera um certo atrito com as pessoas que estão perdendo emprego — analisa.

Leia a entrevista na íntegra:

Hora de Santa Catarina — Do ponto de vista econômico, a vinda dos haitianos e senegaleses é boa para o Estado?

Durval Marcatto Jr — Essa questão do fluxo migratório é extremamente interessante para o país. É uma oportunidade, porque os índices de natalidade da população brasileira estão abaixo da reposição. Então a vinda de imigrantes é um processo que colabora nesse sentido, porque traz pessoas economicamente ativas e, então, trata-se de uma renovação.

Mas o problema desse movimento é que as estruturas governamentais não estão fazendo o que cabe a elas fazer, que é preparar a chegada desses imigrantes, recebê-los e buscar direcioná-los, ver se precisam de capacitação.

O que o governo faz hoje é recebê-los lá no Acre, pagar passagem para São Paulo e jogar esse pessoal por aí. Um outro aspecto a ser considerado é o decréscimo do nosso Produto Interno Bruto. Então com isso já vemos os índices de desemprego aumentando e aí essa mão de obra, queremos ou não, passa também a concorrer com as vagas do mercado de trabalho. E aí gera um certo atrito com as pessoas que estão perdendo seus empregos e mais imigrantes buscando emprego também. Por esse lado, pode ser olhada de forma negativa.

Mas há de se lembrar que os postos ocupados pelos migrantes são, geralmente, aqueles dispensados pela nossa população, que consegue outro emprego e aquelas vagas de base de pirâmide acabam sobrando. Isso acontece porque muitos dos imigrantes têm capacitação e até nível superior, mas qualificação ainda precisa ser propiciada para eles. Em suma, há o lado bom da vinda dos imigrantes, mas na conjuntura atual torna-se mais um peso para a população.

HSC — Como deve ser a integração, principalmente em termos de produtividade, desses povos à cultura local?

DMJ — O nosso povo é aberto a novas situações e às pessoas que chegam até aqui. Então imagino que o recebimento dessas pessoas não tenha grandes problemas. É claro que o acolhimento é algo mais adiante, mas não vejo uma reatividade de algum setor ou de alguma parte da sociedade em relação à vinda desses imigrantes.

Eles vêm numa situação muito difícil, necessitando praticamente de tudo. Então seria importante haver uma estrutura que pudesse suprir isso. Eles chegam até aqui e encontram uma realidade que não é boa, mas comparada aos que eles têm nos países de origem, é. Basicamente, eles chegam, recebem uma carteira de trabalho, e começam as atividades.

HSC — Quais são os setores mais aptos à absorverem os imigrantes? Temos exemplos positivos recentes de estrangeiros que contribuíram para a economia do Estado?

DMJ — São setores intensivos de mão de obra. Em nosso histórico de recebimento de imigrantes, o setor que mais acolheu foi o da agroindústria, principalmente nos frigoríficos, depois a metalurgia e a construção civil.

No ano passado, a agroindústria do Oeste absorveu com naturalidade os imigrantes. Em Jaraguá do Sul, eles também contribuíram e muito com as metalúrgicas. Já em Balneário Camboriú, eles predominam nos setores de serviços, como em postos de combustíveis e em funções domésticas. Os informes que a gente tem é que esse pessoal tem interesse e produtividade maior do que os brasileiros. Talvez fosse pela necessidade, né?

HSC — Como as políticas públicas podem fazer com que o processo migratório seja totalmente positivo na economia?

DMJ — Deveria haver um monitoramento desse movimento e, principalmente, uma triagem para que, de acordo com a capacitação, essas pessoas já fossem encaminhadas para regiões onde há demanda. Isso lá na ponta quando vem e também aqui, para sondar empresas que também querem recebê-los.

Essa demonstração de interesse de recebimento praticamente partiu dos empresários, que tinham dificuldade de conseguir mão de obra, então eles é que acabavam tendo que ir buscar. Um papel que o governo não faz, teve de ser executado pela iniciativa privada. Mas ainda é necessário intermédio e organização por parte do governo.

Hora de Santa Catarina

 

Siga Hora no Twitter

  • horasc

    horasc

    Hora de SCAtletas de MMA contam a dificuldade de viver da luta em Santa Catarina. https://t.co/D7V2f863Nr https://t.co/gYsCcsAcNAhá 24 segundosRetweet
  • horasc

    horasc

    Hora de SCCampo do Palmeirinhas, no Porto da Lagoa, em Florianópolis, é reinaugurado após cinco anos: https://t.co/N1aoaZGBQK https://t.co/uHwHWrsk4Ohá 1 horaRetweet
Hora de Santa Catarina
Busca