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Superação18/08/2015 | 07h42

Bombeiro e paratleta se reencontram em Florianópolis nove anos após acidente no Meio-Oeste de Santa Catarina

Aline Rocha ficou paraplégica após batida de carro em que foi socorrida por Valmir Parise. Hoje ela treina forte em cadeira de rodas para correr na Paralimpíada no Rio em 2016

Bombeiro e paratleta se reencontram em Florianópolis nove anos após acidente no Meio-Oeste de Santa Catarina Betina Humeres/Agencia RBS
Superação de Aline, que se tornou paratleta, emocionou o socorrista Valmir Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Aos 15 anos, Aline Rocha ia de Catanduvas a Vargem Bonita, no Meio-Oeste de Santa Catarina, com a mãe e o irmão quando sofreu um acidente de carro. Ela estava no banco de trás e usava cinto de segurança, mas o impacto da batida registrada na BR-282 no dia 25 de junho de 2006, às 17h25min, foi suficiente para fraturar a coluna, atingir a medula e deixar a jovem paraplégica. O bombeiro Valmir Parise, que atuava em Joaçaba, foi deslocado para atender a ocorrência e sensibilizou-se com a lesão da garota, que à época tinha a mesma idade de sua filha.

— Quando cheguei ao local, ela me disse que sentia formigamento nas pernas e reconheceu que isso não era um bom sinal. Eu já sabia da gravidade. Aquilo me tocou muito, principalmente por ela ser jovem. Guardei o telefone da família por muito tempo — conta o bombeiro.

Eles nunca se esqueceram um do outro. Passados nove anos do acidente, Aline e Valmir se reencontraram em Florianópolis no último fim de semana, depois de combinarem pelo Facebook graças a um amigo em comum. Os dois não puderam conter as lágrimas no primeiro abraço em frente à ponte Hercílio Luz. 

— Obrigada. O esporte me deu asas — disse, emocionada, Aline a Valmir.

O bombeiro atualmente trabalha em Tijucas, na Grande Florianópolis, e fez questão de vir à Capital ver de perto a superação de Aline, que descobriu o amor pela corrida em cadeira de rodas.

Agora com 24 anos, a paratleta competiu e bateu o próprio recorde no percurso de 42 quilômetros da Maratona Caixa de Santa Catarina no domingo: de 2h18min para 1h58min, a melhor marca brasileira nesse tipo de prova feminina. Ela é a líder do ranking brasileiro na maratona de rua, 1,5 mil metros e 5 mil metros. Nas outras modalidades, é vice-campeã.

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Da cadeira de rodas cor-de-rosa à de competição

Aline fala com naturalidade sobre o acidente que a deixou paraplégica.

— Ninguém queria me dar a notícia, mas eu já sabia o que viria. Quando me falaram, só pedi uma cadeira de rodas cor-de-rosa — lembra.

A evolução para a vida esportiva foi um passo maior para a jovem. Isso porque Aline fugiu a vida inteira das aulas de Educação Física. Não gostava de esportes até que foi convidada a conhecer a Associação Regional dos Atletas com Deficiência (Arad) quatro anos depois do acidente. Fernando Orso, um dos fundadores do órgão que hoje é seu companheiro, a convidou para participar de três provas dos Jogos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc), em 2010.

— Vi que ela tinha porte para ser corredora. Sem treinar muito, ela ganhou bronze em três provas: 100, 200 e 400 metros — lembra o namorado.

— Relutei um pouco no início, mas a sensação de liberdade e as vitórias me convenceram — complementa.


Aline e Valmir, visivelmente emocionados, colocaram o papo em dia. Foto: Betina Humeres/Agência RBS

Quer voar alto

Depois disso, ela não largou mais a cadeira de rodas para competições estaduais, nacionais e até internacionais. Com as asas que diz ter recebido, quer voar alto: competir na Paralimpíada do Rio de Janeiro no ano que vem. Para atingir o objetivo, vem treinando forte há um ano e meio, quando se mudou para São Caetano do Sul, em São Paulo, para frequentar o Centro de Treinamento onde é mantida pelo governo, três patrocinadores e pela própria família.

Em uma prova no Japão em outubro, ela espera atingir o tempo necessário para a classificação olímpica na maratona de rua: 1h55min.

— Só falta baixar três minutos. Mas eu quero sempre mais — diz a esportista, que conta com o olhar de aprovação do socorrista Valmir.

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