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A união faz a força16/12/2015 | 12h46

Projeto Vizinho Solidário ajuda a diminuir ocorrências no Rio Tavares

Em oito meses de projeto, número de ocorrências reduziu de 50 por mês para três no período

Projeto Vizinho Solidário ajuda a diminuir ocorrências no Rio Tavares  Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Projeto Vizinho Solidário está trazendo resultados positivos no Rio Tavares Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS
Quando percebem alguma movimentação suspeita, rapidamente começa uma grande mobilização pelas ruas da Vila da Cruz, região do bairro Rio Tavares, em Florianópolis. Munidos de apitos e em contato constante por WhatsApp, cada morador é responsável por cuidar da sua própria casa e da dos vizinhos. A ideia do projeto "Vizinho Solidário" não é invadir a privacidade dos outros, mas conhecer quem mora ao lado e saber da rotina para conseguir identificar quando está acontecendo algo fora do comum.

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No último domingo, a vigilância coletiva resultou na prisão de um ladrão no bairro localizado no sul da Ilha. Um morador percebeu um homem estranho rondando e olhando para dentro das casas por volta das 17h30min, deu o alerta nos grupos e acionou a Polícia Militar (PM). Quando o ladrão tentava invadir uma residência foi abordado pelos vizinhos, que contiveram o suspeito até a chegada da PM. Toda a ação foi feita com cautela, sem agressões.

Outro problema enfrentado pelas mulheres da comunidade, são os casos de assédios e assaltos nas trilhas que levam para a praia. Com o número de ocorrências aumentando, todas começaram a se comunicar para andarem em grupos nas trilhas. Além disso, vão providenciar placas para as turistas desavisadas. A PM também intensificou as rondas com quadriciclos e policiais a paisana.

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Passado nebuloso

Mas nem sempre a situação no Rio Tavares foi assim, tranquila. Em abril, o alto índice de arrombamentos de casas — cerca de 50 casos registrados por mês — levou os moradores a buscarem uma solução junto com a Polícia Militar. Um grupo resolveu encarar de frente o problema: buscou apoio para confecção de placas, organizou os grupos nas ruas e realizou reuniões para implantar o projeto.

Em oito meses, aconteceram somente três arrombamentos, em casas que não estavam participando do Vizinho Solidário. 

— Tivemos que sair da nossa zona de conforto. Não adiantava a gente ficar reclamando da polícia, da violência e não fazermos nada para melhorar. Foi toda uma mudança de comportamento. Dá trabalho, mas vale a pena — explica Margarete Crepaldi, uma das coordenadoras.

Além da segurança

O vizinhos solidários foram além da questão da segurança. Colocaram um sentido único para estacionamento nas ruas, pintaram os meio-fios, estão fazendo campanha contra a dengue e correm atrás do poder público para garantir seus direitos. 

— Neste período foram 11 ofícios que conseguimos colocar de pé para melhorias. Até o dia 20 de dezembro vamos ter as câmeras da PM também. Com isso, todos nos unimos e nos conhecemos melhor. A gente fica muito na rotina de casa para o trabalho e acaba nem conhecendo quem mora do nosso lado — diz Margarete.

Exemplo serve para outros bairros

"Um case de sucesso", assim o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Araújo Gomes, define o projeto Vizinho Solidário, implantado na Vila da Cruz. Ele explica que somente na região do 4º batalhão são 16 projetos de Vizinho Solidário: 

— Dar certo ou não depende muito do engajamento das lideranças e de toda a comunidade. Na Vila da Cruz, existe um envolvimento muito grande, e estamos em contato direto com eles. O comandante local é o responsável por manter o projeto corretamente.

De acordo com Araújo Gomes, o objetivo não é que a comunidade assuma o papel do Estado, mas faça um exercício de cidadania: 

— A PM funciona como mediadora, para evitar que se crie um espaço de preconceito, em que os moradores queiram proibir a circulação de pessoas ou usar da violência. Uma simples vigilância entre vizinhos melhora o ambiente, muitos tornaram-se amigos.

Como implantar o projeto no seu bairro

Todas as comunidades podem participar do projeto Vizinho Solidário. Basta procurar o comando da Polícia Militar local, que será a responsável por orientar as ações no bairro.

Algumas das ações: 

— criação de grupos de residências, formando uma rede de vigilância comunitária
— indicação de líderes de ruas 
— fixar placas em locais visíveis 
— padronizar sinais com uso de apitos
— comunicar aos vizinhos quando for viajar
— comunicar aos vizinhos e a PM a presença de pessoas ou carros estranhos circulando muitas vezes no mesmo dia. dia.

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