"Até agora não vi ponte do Adhemar Garcia, 300 quilômetros de asfalto, nem teatro", diz Marco Tebaldi - Geral - Hora de Santa Catarina

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Fala, candidato!14/09/2016 | 22h43Atualizada em 14/09/2016 | 22h43

"Até agora não vi ponte do Adhemar Garcia, 300 quilômetros de asfalto, nem teatro", diz Marco Tebaldi

"Até agora não vi ponte do Adhemar Garcia, 300 quilômetros de asfalto, nem teatro", diz Marco Tebaldi Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

O Diário Catarinense entrevistou os seis candidatos à prefeitura de Joinville. Confira abaixo a entrevista com o candidato Marco Tebaldi (PSDB):

O que acontece com a saúde em Joinville? 

Tem pouco dinheiro, precisa ter mais dinheiro para a saúde. O maior erro do atual prefeito foi dizer que saúde o problema não é dinheiro, é gestão. Lógico, gestão é em tudo. Mas falta dinheiro. Não dinheiro do município, mas dinheiro do governo federal. Hoje o governo federal investe menos do que já investiu.

Mas por que a situação parece ser mais difícil em Joinville do que em outras cidades do mesmo porte? 

Todas as cidades regionais têm um problema. Atendemos muita gente da região, muita gente de fora. Florianópolis não tem nenhum hospital municipal. Se nós não tivéssemos a responsabilidade de administrar o São José, seria uma maravilha. Imagina você ter na conta uma sobra de R$ 10 milhões por mês, que é o que o São José consome só da folha, imagina o que daria para fazer. E de todos os pacientes que atendemos no São José, 40% são de fora. Esse problema cada vez se agrava mais. E quanto mais você atende melhor, mais vai atrair gente.

Pensa em tentar repassar o São José ao Estado, algum convênio para reduzir esse gasto?

Eu gostaria muito de poder passar o São José para o Estado ou para a União, não sei se eles vão aceitar. Convênio sim, é possível e é necessário. Sem convênio com o governo estadual e principalmente federal, não tem como sobreviver. Já falei com ministro, por exemplo, o que eu quero fazer no São José? Quero concluir minhas obras. Só ali já dá mais 42 leitos de UTI. Equipar e humanizar. Deixar ele prontinho. Quero fazer um convênio com o Bethesda e, se der, com outros hospitais, para a gente fazer cirurgias menores, eletivas, nesses hospitais. Para desafogar. Tenho uma boa esperança de que a gente possa dar uma melhorada. Resolver é muito difícil, mas acho que dá para melhorar bem. Tive dificuldades, mas na minha época a saúde era muito melhor do que é hoje. Nunca faltou um remédio em hospital nem nos postos de saúde. Hoje você vê pela imprensa, faltando 40 remédios. Outra coisa é a questão da implantação do prontuário eletrônico. Isto é uma vergonha que até hoje não se fez. Deixei encaminhado na minha época, aí depois não se concluiu. Vamos organizar toda essa fila de consulta, exames e cirurgias. 

O senhor não teve um bom resultado na última eleição, ficou em quarto lugar. O que aconteceu?

Acho que era outro momento. Na eleição passada era para quem era novo. Se fizer uma análise, todos os ex-prefeitos tiveram dificuldades. A gente sempre sai com ações, processos. Aí disseram "ó, então são ficha suja". Coisa que agora a gente viu que não, que esses novatos que entraram não fizeram nada.

É a primeira vez que o senhor e o Darci se enfrentam. É difícil ser adversário do Darci de Matos?

Darci é meu amigo, mas tem uma forma de pensar política. Eu tenho outra. Não quer dizer que vamos brigar, vamos competir. E aí vamos ver o que acontece no segundo turno. Se vamos para o segundo turno, se ele vai, se eu vou. Como é uma eleição que não se ganha no primeiro turno, acho que não tem problema nenhum dois amigos serem candidatos e depois ver o que acontece na frente.

Como o senhor avalia o peso do governador nessa eleição e o governo dele para Joinville? 

O governo dele é péssimo, não me atreveria nem a dar uma nota. Um governo ruim. Morno, não faz nada. Só tem aquela conversinha mansa, bate nas costas, não resolve nada. A saúde de Joinville é um desastre. Estamos ali com a Santos Dumont praticamente parada, a Rio do Morro parada. Segurança uma vergonha. Nunca Joinville teve tantos problemas na segurança como está tendo. Temos aqui 745 policiais. Florianópolis tem 1,7 mil. As gangues aqui estão tomando conta. Quem comanda Joinville são as gangues de drogas, quadrilhas, facções. E o governador faz de conta que não vê nada. Nem sequer marcou uma audiência. Estão os nossos deputados todos pedindo. Tá a sociedade, CDL, Acij pedindo uma audiência e ele não marca. Um desastre. 

Falando em segurança, o que o prefeito pode fazer nesse caso?

O prefeito não pode fazer cara de paisagem para isso, dormir tranquilo vendo as crianças morrendo de bala perdida, tantos crimes acontecendo. Ele tem que agir. Algumas coisas ele pode fazer, mas tem que cobrar do governador. Não ir lá abraçar o governador, tomar cafezinho e não fazer nada. Vamos criar o SOS Segurança, juntar todas essas entidades que diz respeito à segurança e levar para o gabinete do prefeito. Quem vai coordenar isso será a minha vice, delegada Marilisa. E em conjunto vamos tomar as decisões. E aí vamos exigir do governador. Não cobrar, exigir. Se ele não quiser, vamos invadir o Palácio e acabou-se. Enquanto ele não resolver o problema, não saímos de lá. Porque ninguém mais aguenta.

O senhor acha que o modelo da Guarda Municipal funciona?

Pode até ajudar alguma coisa na segurança das escolas, patrimônio público. Mas não é responsabilidade do município. Daqui a pouco o município vai assumir tudo, e daí? A segurança é uma responsabilidade do Estado. O município pode ajudar, mas não assumir tudo.

Quando era prefeito, o senhor sofreu diversas ações do Ministério Público. Como espera que seja sua relação com o MP caso eleito?

Fui o primeiro deputado de Santa Catarina que apoiou a PEC 37, mesmo tendo divergência com eles. Espero que nesse período eles tenham amadurecido. Eu amadureci. E vejo que dá para ter uma relação muito tranquila. Instituições diferencias, divergentes, mas que têm o objetivo comum de atender as pessoas. Não vejo que vou ter maiores problemas, até porque alguns deles já saíram daqui. Alguns mais radicais já saíram daqui.

Na sua eleição o debate foi marcado pela discussão do eixão. Pretende retomar? 

Já está no plano de governo. Tive uma conversa com o ministro. O ministro até se dispôs a vir aqui para poder dar apoio a esse projeto no caso de ganharmos. Vamos retomar o projeto sim. 

É a grande solução de mobilidade aqui?

Solução não é, mas ajuda. Vai criar uma via rápida ligando o sul ao norte da cidade. Isso, aliado a outras obras, vai ajudar bastante.

Em seu plano de governo, o senhor fala em recriar as secretarias regionais. Aquela reforma não deu certo?

Foi um estelionato eleitoral. O que você imagina quando fala em subprefeitura? Imagina que todos os serviços que você faz na prefeitura vai fazer lá também, em condições menores. E o que aconteceu? Se tirou aqueles serviços que as regionais faziam. Não tem um saco de cimento. Se tu for numa regional agora e achar um saco de cimento, eu pago um jantar. Não tem uma pá, um saco de cimento, uma máquina. Não tem nada. Aquilo foi para ganhar eleição, iludir o povo. Cortaram uns carguinhos pequenos que tinham lá porque achavam que iam reduzir e colocaram gente de salário grande. Porque lá hoje só tem cacique, ninguém trabalha. 

Vai voltar ao modelo de secretarias regionais? 

Vou voltar ao que era. Na nossa época, as regionais faziam a manutenção da cidade bem feita e faziam programa de pavimentação. Quero retomar o programa de pavimentação. Vamos retomar a fábrica de tubos, reformar as máquinas, comprar mais máquinas, colocar os funcionários  a fazerem a drenagem pluvial e esgoto. E vamos fazer parceria com os moradores para recuperar asfalto.

O senhor tem um programa de pavimentação comunitária. O senhor tem metas?

O prefeito tinha uma meta de 300 quilômetros e fez nove quilômetros. Isto é um absurdo, outro estelionato eleitoral. Não vi até agora a ponte do Adhemar Garcia, não vi 300 quilômetros de asfalto, não vi teatro. A meta é o máximo possível. Não quis colocar uma meta porque não sei em que condições vou pegar a prefeitura. No outro mandato fizemos 472 quilômetros de asfalto em sete anos. A meta é mais ou menos isto, 472 divididos por sete, vai ser mais uma meta por ano que queremos fazer.

O senhor pretende licitar o transporte coletivo? 

Durante o meu mandato não tivemos problema com isso (judicialização). Não estava na discussão nem no momento de se fazer. Depois veio essa discussão, foi judicializada agora nesse mandato. O que vou fazer? Vou assumir, ver a situação, em que ponto está na Justiça. E vou resolver. Se é para fazer, vou fazer. Por que não? Que mal tem fazer a licitação? Fazer o edital conforme a lei. Se não dá, se a Justiça impedir que se faça, vou fazer o que? Seguir o que for a orientação da Justiça.

Acha que a Câmara aprova a Lei de Ordenamento Territorial nesse mandato ou, se eleito, teria de se envolver? 

Não sei. Não conheço bem como é essa lei. O que eu ouço é muito triste e lamentável. A gente vê que essa lei é para beneficiar alguns, inclusive o prefeito. Dizem, né, dizem. Que essa questão da região sul é para atender aos interesses do prefeito e dos amigos dele. Então isso é muito perigoso. Não conheço também, não vou falar porque não conheço direito. Ouvi dizer. Não sendo aprovada, vou ver em que situação está, chamar novamente o Conselho da Cidade, as pessoas e também os vereadores para fazer uma discussão. Precisa, sim, evoluir. Joinville precisa ter em alguns lugares adequações. É normal, salutar que se faça. Até para a cidade evoluir e crescer. Agora, não pode vir para beneficiar alguns. Tem de beneficiar o município, a prefeitura. Se nós tivermos que fazer expansão em algumas áreas, antes tem que se fazer os decretos de desapropriação, as desapropriações para, depois, se fazer o projeto. Se tu aprovar antes, vai só beneficiar o dono daquele terreno. Ampliando vai o que? Valorizar essas terrar e quem vai sair ganhando é o particular e não o público.

Despoluir o rio Cachoeira ainda é uma meta para a prefeitura?

Não, porque foi... Quer dizer, é meta desde quando a gente fala em rede de esgoto. Quero ver se eu consigo evoluir. Aliás, com a criação da companhia, trazendo serviço para cá, conseguimos sair de 10% para 30 e poucos hoje (%). Quero aumentar isso, quero ver até se eu consigo terminar. Mas não projetos do rio Cachoeira em si, como era o Flotflux, porque isso foi, parou na justiça. Tenho processos ainda hoje, então isto está abandonado.

O incomoda essa quantidade de processos?

Lógico que incomoda, mas fazer o que? Tem que enfrentar...

O senhor acha que pesa contra o senhor eleitoralmente?

Alguma coisa pesa, mas o Executivo hoje que não fizer, que for... Que for prefeito, governador ou presidente e não tiver ações, ele não faz nada. O Luiz Henrique, por exemplo, tinha 106 processos. Ele me disse. Eu também tive vários. Graças a Deus só tenho dois ainda, pendentes. E que eu quero ver se resolvo isso em breve.

Como é uma eleição sem Luiz Henrique da Silveira?

Se abriu bastante o leque, tanto aqui no município quanto no Estado. Lógico que ele faz falta, mas fazer o que? Tem que superar seguindo. Eu acho que, se ele estivesse aqui hoje, a realidade da eleição seria outra. Mas fazer o que? Vamos para frente.

O que o senhor deixou de fazer como prefeito que gostaria de fazer agora?

A gente vai evoluindo. Se eu voltar a ser prefeito, vou ser diferente. Já melhorei, mudei. Podemos evoluir na questão de educação. Quero implantar o ensino em tempo integral, acho que isso é um avanço grande. A questão da infraestrutura a gente pode evoluir também, fazer parcerias melhores. Acho que o próximo prefeito terá de fazer um grande diálogo com a sociedade, reduzir a máquina pública e fazer as parcerias para... Terminar a Arena, chamar o JEC, a iniciativa privada para fazer uma parceria e terminar, dar uma concessão. Estação Ferroviária, Centreventos, Cidadela. Quero ver se tem a possibilidade de vender aqueles terrenos públicos que não interessam mais ao município, que não tem condições de se construir um posto de saúde, uma praça, para concentrar mais um prédio da prefeitura, acabar com esses aluguéis. Tem que ser bastante criativo para reduzir custos, fazer a cidade crescer e se desenvolver mais,  para ter mais tributos na prefeitura. 

As greves têm sido corriqueiras no funcionalismo público. Como lidar com a questão salarial em um ambiente de queda de arrecadação?

Não tem queda, a arrecadação aumentou mais do que a inflação. A minha arrecadação média, reajustada pelo INPC, tive em média nos sete anos, tive em torno de R$ 1 bilhão de receita. O atual prefeito tem R$ 2 bilhões. Quer dizer, e a inflação não foi o dobro. Já reajustado. Então tu vê que a receita cresceu muito mais que a inflação. Nesse caso é má gestão. Nunca tive uma greve e acho que não vou ter. Primeiro, vou respeitar os servidores. Segundo, ter diálogo com eles, falar franco. "O que vocês querem?". "Queremos salário em dia". Então vamos fazer a cidade crescer. Não vejo que isso seja um problema.

Há espaço para aumentos, reajustes salariais? 

No mínimo, reajuste da inflação. Imagino já no início do ano que vem mandar projeto para a Câmara estabelecendo já o quanto foi a inflação. No máximo tentar fazer um parcelamento, mas que o servidor entenda que ele está sendo reajustado pelo menos na inflação. Depois, se a receita for maior, você vai compensando. Como eu fiz na outra, teve ano que dei 18% de aumento.

Nuvem de palavras do candidato:


Foto: Arte DC / WordClouds
 
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