"Chegar ao poder a qualquer custo tem o seu custo", diz Elson Pereira (PSOL) - Geral - Hora de Santa Catarina

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Eleições 201622/09/2016 | 14h00Atualizada em 22/09/2016 | 14h54

"Chegar ao poder a qualquer custo tem o seu custo", diz Elson Pereira (PSOL)

Candidato é o terceiro postulante à cadeira de prefeito de Florianópolis entrevistado pela Hora de Santa Catarina

"Chegar ao poder a qualquer custo tem o seu custo", diz Elson Pereira (PSOL) Cristiano Estrela/Agencia RBS
Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Urbanista e professor universitário, o candidato Elson Pereira (PSOL) vai disputar sua segunda eleição à Prefeitura de Florianópolis. Quarto colocado no pleito de 2012, com quase 35 mil votos, iniciou sua vida política em 2009, quando se filiou ao PSOL, e hoje se considera a melhor alternativa para estabelecer as bases que guiarão as ações e o futuro da cidade pelos próximos anos.

Elson é o terceiro candidato à prefeitura a conversar com a Hora de Santa Catarina ao longo desta semana, em entrevistas com os cinco postulantes cujos partidos têm representação superior a nove deputados na Câmara. Ele fala sobre mobilidade, saneamento, habitação, cultura, pesquisas eleitorais, governança e política.

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Se eleito o senhor terá quatro anos para resolver ou minimizar problemas urbanos, como a mobilidade. Como conseguirá?
Florianópolis tem hoje um acúmulo de problemas que são resultantes da visão de cidade que deveria estar guardada no passado, mas os últimos prefeitos continuaram a investir na construção de infraestrutura viária para o automóvel e na ausência de uma cidade que favoreça os espaços públicos de convivência. Como esse conjunto de problemas é muito grande e vem se acumulando há muito tempo, eu acredito que nenhum prefeito, em um mandato, vai conseguir resolver. Acredito que a gente possa estabelecer as bases de uma cidade melhor. Essas bases vão direcionar as ações. Um projeto que englobe toda a Região Metropolitana e o transporte de alta performance, pode ser o BRT ou outro, tem que ser pensado em conjunto. 

O setor de cultura sofreu corte de recursos e trocas constantes de secretários recentemente, o que desagradou a classe. O que o senhor propõe para a área?Ouvimos reclamação geral dos agentes de cultura. De todos os setores. Este ano, o Fundo de Cinema de Florianópolis destinou apenas R$ 90 mil para o setor. Tirando nossa candidatura e dos partidos menores, as outras candidaturas gastaram muito mais do que R$ 90 mil em suas campanhas. O Fundo Municipal de Cultura jamais foi implementado, só existe no papel. Mas nós vamos valorizar os eventos locais. Não vamos contratar eventos grandes para pagar aos artistas mais do que toda a verba destinada à cultura. Nós temos que fortalecer o Conselho Municipal de Cultura, garantir os recursos previstos nos fundos, e ser criativos no sentido de a prefeitura ser um suporte, não uma tutora. A cultura jamais pode ser tutelada. 

O senhor em seu plano de governo cita como proposta na área de direitos humanos a prioridade às mulheres nos programas habitacionais. Como funcionará na prática?
Eu agora estou falando como conselheiro do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, que congrega apenas 18 conselheiros no Brasil, e no qual eu represento as entidades acadêmicas e de pesquisa. O que se discute é que sempre há um maior compromisso da mulher com a família, na comparação com o homem. É uma questão cultural. Quando alguém deixa o conjunto familiar, normalmente é o homem, e a mulher segue cuidando dos filhos. É preciso garantir esse direito à moradia reconhecendo a mulher como central dentro desse contexto.

Em 2012, a pesquisa divulgada 48 horas antes das eleições apontava o senhor com 2% de votos. Quando as urnas foram abertas, o senhor tinha 15%. O senhor acredita em pesquisa eleitoral?
As pesquisa eleitorais hoje têm sido um instrumento de quase decisão dos pleitos. E isso é extremamente perigoso para uma democracia. Eu seria leviano se acusasse que há manipulação dos resultados. Talvez as metodologias precisem ser revistas, talvez a questão da divulgação das pesquisas precise ser melhor pensada. As pesquisas de 2012 erraram em todos os bairros. Mas o que a gente precisa pensar é que, talvez, o perfil do eleitor esteja mudando. Há um tempo se dizia que se votava como se apostava em corrida de cavalo, ¿eu vou votar naquele que eu acho que vai ganhar¿. E a eleição de 2012 mostrou que não era bem assim. 

O senhor fala em fazer uma ¿Florianópolis diferente¿. Como conseguir isso com uma coligação pequena?
Nosso compromisso é com a população. O próprio fato de a gente construir uma coligação a partir de ideias, jamais discutindo cargos e interesses particulares, já nos orienta e nos dá tranquilidade. Eu dizia aos correligionários no lançamento de nossa candidatura ¿chegar ao poder a qualquer custo, tem o seu custo¿. Nós vamos chegar à prefeitura extremamente livre de compromissos anteriormente traçados, sejam eles políticos, sejam eles de grupos que trabalham de maneira corporativa. Nós trataremos os problemas da cidade de maneira a criar aqui a cidade do bem viver.

O público de eleitores do PSOL é formado em sua maioria por jovens estudantes e intelectuais. Por que a periferia não se reconhece no partido?
Isso está mudando bastante. A gente reconhece isso, é um dado objetivo. Mas está mudando. Até me emocionei, no Facebook, com a mensagem de um senhor: ¿Minha mãe, de 90 anos, me pediu para ser levada para votar porque quer votar no Elson 50¿. Isso me emociona porque mostra que estamos atingindo outros corações, não apenas de intelectuais e estudantes. Isso mostra também que há uma necessidade de engajamento muito forte do conjunto da sociedade para que nós tenhamos uma cidade melhor.

Qual a sua proposta para o saneamento básico?
Nós precisamos ter uma estrutura interna, robustez, para fazer a fiscalização necessária e cobrar da Casan o que está determinado no Plano Municipal de Saneamento. A Casan tem a concessão da prefeitura, mas não tem total liberdade em relação à implantação do sistema de esgoto. Quem tem que determinar isso é o município que concede o serviço. Eu acredito que através de uma robustez maior do poder de fiscalização e controle da prefeitura e do Conselho Municipal de Saneamento nós possamos buscar no médio prazo, pelo menos, a universalização da cobertura da rede de esgoto.

Estamos a 10 dias do primeiro turno das eleições municipais. O que mudou de 2012 para 2016?
Em 2012, eu senti o clima favorável na última semana da campanha. E nesta eleição, eu estou sentindo esse clima com quatro, cinco semanas de antecedência. Eu tenho visto, pelos contatos e conversas nas ruas e pelas comunidades que nos recebem – e são múltiplas nas diferenças -, uma grande aceitação e uma grande confiança de que nós somos uma alternativa, na medida em que os dois grupos que se alteram no poder há 20 anos representam a mesma visão de cidade. 

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