Luta contra homofobia ganha a sala de aula em Santo Amaro da Imperatriz - Geral - Hora de Santa Catarina

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Igualdade21/09/2016 | 08h31Atualizada em 21/09/2016 | 08h31

Luta contra homofobia ganha a sala de aula em Santo Amaro da Imperatriz

Escola leva o debate aos alunos do Ensino Médio através de aula de Cinema

Luta contra homofobia ganha a sala de aula em Santo Amaro da Imperatriz Danieli Kreuch/Arquivo Pessoal
Foto: Danieli Kreuch / Arquivo Pessoal

A história do pintor dinamarquês Einar Wegener que, em 1931, foi uma das primeiras pessoas do mundo a realizar uma cirurgia de mudança de sexo, foi levada e discutida em sala de aula em Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis. O filme A Garota Dinamarquesa – lançado no Brasil no começo deste ano – foi visto pelos alunos do Ensino Médio Inovador da Escola Estadual Nereu Ramos e especialmente escolhido pelos educadores para tratar o tema homofobia e transfobia (preconceito com pessoas travestis, transexuais e transgêneros) na escola.

O filme até chocou alguns alunos, contou a assistente de direção Danieli Kreuch. Com cenas de nudez e diálogos fortes sobre a descoberta até a mudança de sexo, a escolha do filme para a disciplina extracurricular de Cinema, avalia a assistente, foi acertada para tratar o tema.

— Nós queríamos tratar o respeito dentro da escola. Chegavam muitos relatos tristes de alunos que passavam por algum tipo de preconceito. E achamos que era hora de falar sobre como mudar este cenário — explicou a educadora.

Além dos muros

Os alunos foram divididos em grupos de discussão e trouxeram trabalhos e dados interessantes para serem compartilhados. Um grupo até realizou uma pesquisa na escola e nas ruas próximas em que questionava os alunos e moradores se eles já tinham sido alvo de algum tipo de preconceito. O resultado dá ainda mais razão para a atividade: 45% disse que já sofreu e 9% sofreu uma vez. Na pergunta se você já praticou bulliyng, 33% falou que sim, 10% apenas uma vez e 32% ¿apenas por brincadeira¿.

— Quando conversamos diretamente com alunos sobre o tema, a maioria fala que não quis ofender o colega, que era apenas uma brincadeira. Mas queremos que eles entendam que há formas de falar que machucam — complementou Danieli.

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O aluno do 3º do Ensino Médio, Marcus Vinicius da Silva, de 17 anos, disse que a ação foi bastante diferenciada do que eles estavam acostumados em sala de aula.

— Acho que o filme e os trabalhos fizeram as pessoas pensar, se colocar na mente de outras pessoas. Acho que foi uma discussão válida — observou o estudante.

Entre os trabalhos apresentados, ainda foram elaboradas músicas contra homofobia e transfobia, apresentações teatrais, e grupos até buscaram casos na delegacia sobre agressão.

— Ficamos muito felizes com o resultado. A ideia é que eles repassem o ensinamento para os pais, para fora da escola. Que eles aprendam a respeitar todas as partes — finalizou a educadora. 

 
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