Moradores do sul da Ilha contabilizam estragos causados pela maré alta - Geral - Hora de Santa Catarina

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Ressaca15/09/2016 | 22h12Atualizada em 15/09/2016 | 22h12

Moradores do sul da Ilha contabilizam estragos causados pela maré alta

Eles narram que o fenômeno nunca foi tão forte no local 

Moradores do sul da Ilha contabilizam estragos causados pela maré alta Leo Munhoz/Agência RBS
Marta teve a casa invadida pela água Foto: Leo Munhoz / Agência RBS

Mesmo morando ao lado do mangue, a dona Maria de Fátima diz que a maré alta nunca levou água para dentro de sua casa, que foi construída sobre um aterro. Só que nesta quinta-feira o fenômeno que atingiu o Carianos, no sul da Ilha, foi tão intenso que a sala e a cozinha ficaram inundadas, acima do joelho. A moradora de 60 anos, que trabalha vendendo Trimania, perdeu geladeira, fogão e os móveis. O mesmo aconteceu com quase todos os vizinhos dela.

— Mais uma noite que eu não vou conseguir dormir sem saber se a água vai subir ainda mais. Eu tenho uma filha de 13 anos que está com muito medo — contou a senhora.

A ressaca foi sentida em todo o litoral catarinense, provocada por um ciclone na Argentina. Mas o sul da Ilha de Santa Catarina particularmente viveu um dia de caos. O alagamento causou bloqueios e filas enormes na Via Expressa, houve acidentes provocados pela água na pista e até um incêndio em quatro ranchos na Costeira, que os pescadores acreditam ter sido causado por um curto circuito nos freezeres molhados. 

Além de tudo isso, os moradores do Carianos protestaram durante a tarde, bloqueando totalmente a ponte da Avenida Dionísio Freitas, indignados com tudo que perderam – mais uma vez.

Foto: Leo Munhoz / Agência RBS

A fila foi parar no túnel. Teve gente que deixou o carro ou o ônibus e saiu correndo para o aeroporto com as malas na mão. A manifestação queria justamente isso: chamar atenção para a tragédia que aconteceu. Todos diziam que nunca houve uma maré tão forte como essa. A reclamação geral era de que as obras do aterro da duplicação da avenida acabaram contendo a água na comunidade do Trevo da Seta. O clima era tenso.

— Alguém tem que resolver nossa situação, se não a gente vai dormir aqui. Porque o único lugar que está seco é a ponte. Minha cama, guarda-roupas, está tudo embaixo d'água — protestou a moradora Michele Albino, enquanto o trânsito seguia bloqueado.

Ela conta que acordou de madrugada com a água molhando o colchão. Com ajuda da família, teve tempo de colocar os eletrodomésticos sobre tijolos. Já a dona de casa Marta Antunes, de 34 anos, não teve a mesma sorte. Estava sozinha em casa e não podia nem pedir ajuda para os vizinhos, porque a maioria estava na mesma situação. O pedreiro Paulo Cezar de Souza, que mora na frente da Marta, acredita que perdeu até o carro, um Astra comprado recentemente por R$ 12 mil.

Paulo teme ter perdido o carro Foto: Leo Munhoz / Agência RBS

O sentimento dos moradores era de incerteza. Na metade da tarde, a maré começava a baixar. Mas enquanto crianças e cachorros até brincavam na água suja, pais não sabiam onde a família iria dormir. No final da tarde, a Defesa Civil de Santa Catarina emitiu um nova alerta: a condição se estenderia até a madrugada desta sexta-feira, e por volta das 2h estava previsto outro pico de maré, com risco de novos alagamentos nas áreas mais baixas da costa catarinense.

 
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