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Paz no volante19/09/2016 | 18h20Atualizada em 19/09/2016 | 18h25

Semana Nacional do Trânsito lembra as vítimas em Florianópolis

Cruzes foram colocadas no canteiro da Avenida Gustavo Richard

Semana Nacional do Trânsito lembra as vítimas em Florianópolis Betina Humeres/Agencia RBS
Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Arlete Ricardo Bridi, de 51 anos, não dorme antes da 0h40min. Mas a razão não é a mesma de oito meses atrás. Antes, ela esperava a filha, Simone Bridi, com então 28 anos, no pé do morro onde mora a família, na Vargem do Bom Jesus, norte da Ilha. A filha trabalhava como auxiliar de cozinha em Canasvieiras e chegava tarde do trabalho. Como Arlete tinha medo que ela subisse sozinha o morro de madrugada, a acompanhava todos os dias. Hoje, a mãe fica acordada por conta da tristeza.

— Passou de 0h40min e ela não apareceu. Isso foi no dia 24 de janeiro (de 2016). Chamei meus filhos para procurarmos ela. Não a encontramos — relembra Arlete.

A família seguiu para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas de Canasvieiras. Um dos filhos de Arlete foi chamado pela equipe médica.

— Fiquei uma hora sem saber de nada. Foi quando vi o carro do IML chegar. Saí desesperada, segurei no pescoço do meu filho e ele confirmou que era ela.

Um carro, que segundo câmeras de monitoramento da região seria um Gol branco, atropelou Simone, que andava numa bicicleta elétrica na ciclofaixa da SC-401. O motorista fugiu sem prestar socorro e até hoje não foi identificado.

— Minha filha estava voltando do trabalho. Ela só estava de bicicleta porque não tinha outro meio de locomoção. Ela nem gostava de andar de bicicleta. Mas era isso que ela tinha — lamentou Arlete.

Não é possível identificar a placa do carro pelas imagens. Segundo a mãe, o vídeo foi encaminhado para São Paulo para uma perícia mais minuciosa. Não há previsão para resultados. Mas ela aguarda que o responsável seja encontrado e que a "justiça dos homens" seja feita. A dor não será amenizada, disse. Mas o alívio poderá, quem sabe, acalmar o coração.

— Este motorista desestruturou uma família inteira. Minha filha tinha dois filhos, uma menina de três e outro de 11. Ela também era minha melhor amiga. Não tem um dia que eles não perguntam pela mãe e não tem um dia que eu não choro pela minha filha às 0h40min.

Arlete ainda guarda as roupas da filha Foto: Roberto Scola / Agencia RBS

Lembrar para sempre

As 55 cruzes brancas fincadas no canteiro da Avenida Gustavo Richard, desde segunda-feira, têm nomes. Evandros, Rogers, Teresas, Lucas. Cada uma delas indica uma pessoa que perdeu a vida para o trânsito da capital do ano de 2015. No ano que vem, infelizmente, Simone Bridi também será representada pelo símbolo.

A via do Centro da Capital foi escolhida porque entre 2013 e 2015 foi a que mais registrou mortes na cidade: 13. A ação é realizada pela Rede Vida no Trânsito, uma organização que reúne órgãos estaduais, municipais e associações, que quer chamar atenção para a Semana Nacional do Trânsito, que começou na segunda e segue até sexta-feira com palestras e passeios ciclísticos.

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O objetivo é diminuir as tristes estatísticas e conscientizar os motoristas. Tarefa árdua, até porque 2016 está se mostrando mais preocupante do que o ano passado. Enquanto houve 55 vítimas em 2015 em Florianópolis, no primeiro semestre deste ano, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde, já são somadas 44 mortes. Janeiro e março registraram o pior saldo: 11 mortes em cada um dos meses. Os dados ainda serão analisados pela Rede Vida no Trânsito.

— Queremos chamar a atenção da sociedade. Mesmo se comportando no trânsito, você pode ser vítima de quem foi imprudente. A conscientização é um papel de todos — avaliou Jane Cardoso, chefe de divisão de doenças crônicas não transmissíveis (onde se encaixa acidentes de trânsito) da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) e membro da Rede Vida no Trânsito.

Em 2015, segundo análise da Rede, dos 54 acidentes que vitimaram 55 pessoas, a maior parte envolveu motocicletas (38,2%), seguida por carros (21,8%) e bicicletas (12,7%). Os atropelamentos representaram os outros 27,8% das ocorrências. Excesso de velocidade e embriaguez ao volante foram as principais causas dos acidentes.

— Eu queria dizer aos motoristas que tenham mais cuidado, que sejam mais compreensivos com os ciclistas. Que tenham mais prudência. Quem não merecia, está pagando — resumiu Arlete Bridi.

Dia Mundial Sem Carro

Uma das principais ações da semana será o Dia Mundial Sem Carro, realizado em 22 de setembro, na quinta-feira. A ideia é deixar o carro em casa e ir trabalhar, estudar ou fazer qualquer coisa, com meios alternativos de transporte. A frota de ônibus será reforçada no dia, confirmou a Prefeitura de Florianópolis.

Às 16h do mesmo dia ocorrerá um passeio ciclístico em prol da criação do "Anel Cicloviário", com saída da avenida Beira-Mar Norte. E, às 19h, ciclistas partirão da pista de skate da Trindade na pedalada organizada pelo Movimento Livre dos Ciclistas. Confira a programação completa.

Mortes no trânsito em Florianópolis nos últimos três anos:

2013: 53

2014: 83

2015: 55

Taxa de mortalidade, por 100 mil habitantes:

2013: 11,9

2014: 18

2015: 11,7

Fonte: Rede Vida no Trânsito.

 

Óbitos no trânsito de Florianópolis no primeiro semestre de 2016:

Pedestre: 10

Ciclista: 2

Motociclista: 16

Ocupante de carro: 7

Outros e não especificados: 7

Aéreos (dados serão analisados ainda): 2

TOTAL: 44 mortes. 

Fonte: Dados são da Secretaria de Estado de Saúde. A última atualização dos dados foi realizada em 14 de julho de 2016. 



 
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