Angela Amin: "Quero mostrar que fizemos obras" - Geral - Hora de Santa Catarina

Versão mobile

Eleições 201617/10/2016 | 09h02Atualizada em 17/10/2016 | 09h02

Angela Amin: "Quero mostrar que fizemos obras"

Em entrevista na reta final do segundo turno, a pepista, que foi prefeita de Florianópolis por duas vezes, garante que deixou um legado que quer continuar

Angela Amin: "Quero mostrar que fizemos obras" Ricardo Wolffenbüttel/Agencia RBS
Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agencia RBS

Prefeita de Florianópolis por dois mandatos, entre 1997 e 2004, Angela Amin (PP) chega ao segundo turno em Florianópolis com um objetivo claro: retomar a política implantada durante sua gestão, como os projetos para a área de habitação. Até 30 de outubro, ela pretende dar destaque às realizações de seu governo e avançar nas propostas.

Leia todas as notícias sobre as Eleições 2016

Com mais de 50 mil pessoas vivendo em áreas irregulares e a estimativa de que esse número ultrapassará 75 mil pessoas em 15 anos, o que é possível fazer para corrigir um dos principais problemas de Florianópolis?
Dar continuidade ao programa de política habitacional que foi implantado em nossa administração. Acho que isso é fundamental. Esse era um compromisso que tínhamos em 1996, e é de fundamental importância dar continuidade. Regularizamos a comunidade Chico Mendes, na entrada da cidade, que foi bastante complicado. E deixamos alguns projetos em andamento, programados para dar continuidade a esse processo de regularização fundiária, para dar, não única e exclusivamente um endereço a essas famílias, mas dar a garantia da inclusão social: era a casa, a creche, a escola, o posto de saúde, o centro de convivência. E esse processo tem que continuar. Isso é de fundamental importância para a inclusão dessas famílias no ambiente social da cidade. 

Em relação ao saneamento básico, a cidade não tem nem 50% de cobertura de seu território. O que a senhora pretende fazer para corrigir esse problema?Vamos cobrar da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) aquilo que lhe cabe: a rede de esgoto com a estação de tratamento de maneira adequada. E cabe à prefeitura fiscalizar a ligação correta dos domicílios à rede por parte das famílias e dos equipamentos comerciais e industriais. E as famílias que não têm condições financeiras de fazer essa instalação, eu entendo que tem que ter um programa da prefeitura para, como a política habitacional, que as pessoas possam fazer a ligação de maneira regularizada. Nossa fiscalização também será feita com muita força. Em nossa época, tínhamos um robô que detectava as ligações clandestinas e aplicava multas.

Florianópolis teve altos índices de praias impróprias para banho na última temporada de verão, o que inclusive afastou turistas da cidade. A senhora acha que esses problemas de balneabilidade nas praias estão relacionados apenas aos imóveis não ligados na rede? As ligações clandestinas ou a Casan também têm sua parcela de culpa?
Na época da nossa gestão, conseguimos deixar nossas praias com 100% de balneabilidade. E, certamente, a Casan tem a sua parcela de culpa, porque temos várias redes de instalação de esgoto na cidade sem ligação na rede de tratamento. Vou destacar o Campeche, toda a região de Santo Antônio de Lisboa, e acho que isso é irresponsabilidade por parte da Casan.

No sul da Ilha, não há nada de cobertura de esgoto. Isso envolve questões ambientais e jurídicas, já que o Ministério Público Federal (MPF) embargou as licenças ambientais concedidas pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma). Como a senhora pretende trabalhar essa questão?
A região tem a rede e não tem ligação na estação de tratamento. É possível ligar na Estação de Tratamento do Rio Tavares, amplia a estação e liga. Vamos exigir da Casan que amplie a estrutura e faça a ligação. A estação existe fisicamente. É uma questão de autoridade. Cabe à prefeitura mostrar sua autoridade para fazer a ligação.

O que a senhora pretende fazer na tentativa de solucionar os problemas de mobilidade urbana que não está no Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (Plamus)?
No Plamus, estão muito claras ações da prefeitura, ações do governo do Estado e ações da União. O papel da prefeitura e do prefeito é de liderar essas ações. Eu vou fazer os ajustes emergenciais que cabem ao poder público municipal, para melhorar o sistema atual, fazer as obras emergenciais, executar e concluir as obras que já estão contratadas. E cobrar do governo do Estado e da União as obras programadas no Plamus. Claro que há obras que podem ser feitas de imediato, obras de médio prazo e as de longo prazo. Eu acho que tem que ter esse planejamento. Essa ação de liderança cabe ao prefeito.

A senhora fala que a sua prioridade, se eleita, é a gestão. O atual governo admite que o problema na Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap) é má gestão. O que a senhora propõe administrativamente para resgatar a Comcap da dívida que chega a R$ 200 milhões?
Renegociar. Fizemos isso quando assumimos a prefeitura, em 1997, e a Comcap tinha uma dificuldade, principalmente com o plano de seguridade dela. Nós renegociamos, fizemos com que o planejamento viesse a ser total. Vou citar um exemplo. Quando assumimos havia lixo na rua, mato na altura do joelho das pessoas na Avenida Beira-Mar Norte, e a Comcap sem condições de atender as necessidades da cidade no verão, quando o número de pessoas é muito maior do que no período normal. Aí dizem, por exemplo, que eu privatizei a Comcap com relação ao sul da Ilha. Eu não privatizei, eu terceirizei os serviços da Comcap no sul da Ilha para atender as necessidades emergenciais da cidade, terceirizando e alugando uma série de equipamentos para atender de maneira condizente a cidade naquele período emergencial. Reequipamos a Comcap. Analisamos o quadro financeiro da companhia, fizemos com que ele se tornasse novamente viável e compramos equipamentos. A partir do momento que ela se tornou novamente viável, eficiente e capaz, retomamos o atendimento do Sul da Ilha e deixamos a Comcap totalmente eficiente novamente. Ela é uma empresa deficiente, mas queremos torná-la eficiente novamente. E vamos fazer isso com gestão.

Atualmente, não se vê mais mato na Beira-Mar Norte, como a senhora relatou que estava quando assumiu, em 1997. A senhora pode, caso seja eleita, repetir esse modelo de terceirização da Comcap em alguma região da cidade?
Acho que neste momento não tem esse tipo de necessidade. Eu apenas citei como exemplo, porque eles vêm me atacando, principalmente o candidato de oposição (Gean Loureiro), que na época era situação, era da nossa base e aprovou esse processo. E eu entendo que fizemos certo, fizemos de maneira correta, porque o importante na administração pública é atender a população. E nós atendemos de maneira eficiente, nunca deixamos o lixo na rua. 

A candidata ficou quase 40 mil votos atrás de seu adversário no primeiro turno da eleição. Qual a estratégia para reverter essa desvantagem?
Muito trabalho e dedicação. E agora, com tempos iguais, mostrar com mais ênfase o que foi feito, de maneira muito clara, o que foi feito e como foi feito quando fui prefeita de Florianópolis. Mas, principalmente, o que queremos fazer pela cidade nos próximos quatro anos.

Alguma mudança na rota de campanha em comparação com o que foi feito no primeiro turno?
Não. Apenas focar e insistir na questão técnica.

A senhora recebeu mais votos que seu adversário no Centro, mas perdeu no continente, sul e norte da Ilha. Como pretende reverter esses votos nas regiões em que perdeu e manter a vantagem na área central?
É a comunicação. Tem que lembrar que tanto o sul como o norte da Ilha são duas regiões que cresceram muito, e faz 12 anos que eu saí da prefeitura. Essas duas regiões cresceram muito após a nossa passagem pela prefeitura, e muita gente não sabe o que foi a Angela prefeita de Florianópolis. E tem toda uma história espalhada nessas duas regiões, que, por exemplo, dizem que eu não fiz nada na Tapera. Eu fiz 22 obras na Tapera. Fiz o posto de saúde, a creche, um centro de atendimento pelas crianças no contraturno escolar, iniciei a rede de esgoto e fiz o calçamento de várias ruas na Tapera. Fiz, ainda, um contorno viário que dá lá na Base Aérea. Para chegar na região, a comunidade tinha que ir a pé. Fizemos todo esse sistema viário. E meus adversários, principalmente esse que era da nossa base (Gean Loureiro), dizem que eu não fiz nada na Tapera. Então, eu quero mostrar à população que nós fizemos obras. 

Por que a senhora não utilizou e nem mencionou o apoio do Cesar Souza Junior durante o primeiro turno, mesmo tendo o vice do partido dele?
O vice participou da nossa campanha ativamente. Eu sempre disse isso, não tenho por que não dizer. O meu filho (João Amin) foi vice-prefeito dele. Eu não preciso me esconder, e não vou me esconder. Agora, o Gean se esconde. Ele tem o Tiago Silva, que foi secretário municipal, na sua base de apoio. Foi secretário municipal do Cesar Souza Junior. Ele que se esconde. E ele também teve o meu vice como candidato a vice dele (em 2012), que foi secretário da Educação da base dele. Eu não preciso me esconder. Não tenho nenhuma necessidade de me esconder. E o Cesar Souza Junior esteve em vários eventos de nossa campanha.

A senhora governou a cidade por oito anos. O seu adversário, candidato Gean, participou ativamente do governo que administrou a cidade pelos oito anos seguintes. O que a senhora fez/executou melhor do que ele?
A população vai avaliar. Apresentamos à cidade, durante os oito anos de nossa administração, os indicadores. E o que mais me orgulha, como prefeita de Florianópolis, foi ter salvado vidas. Um exemplo é o índice de mortalidade infantil, que nós iniciamos com 23 em 1.000 crianças nascidas vivas, e depois deixamos em sete para cada 1.000 nascidos vivos. Erradicamos a desnutrição infantil. Por isso eu posso olhar e andar pela cidade de cabeça erguida. Eu não quero dizer que fiz mais e melhor, eu apresentei os indicadores. Não sei se a administração que me seguiu apresentou indicadores, mas eu apresentei. 

A candidata chegou a ter, até como interlocutor próximo durante um tempo de seu governo, o hoje seu adversário e então vereador Gean Loureiro. O que fez com que vocês se afastassem?
A opção política. Eu pertenço até hoje ao meu partido, e ele tomou outro rumo.

Na semana passada, o candidato Murilo Flores – quarto colocado no primeiro turno – e seu partido, o PSB, anunciaram apoio à sua candidatura. O que esse apoio pode agregar?
O amor pela cidade, o compromisso com a cidade. Não tenho nenhum receio em afirmar que ele veio porque tem compromisso com o município e quer construir esse novo momento com a nossa participação.

A senhora considera que a política na sua vida é uma vocação ou isso veio por meio da família?
É uma vocação. E sempre me dediquei. E o mais importante é chegar, como cheguei hoje numa casa de família, que participou do Capital Criança, e a mãe me falou: ¿Se eles (crianças) estão cursando o segundo grau hoje, foi graças ao apoio que a senhora me deu¿. Isso faz com que a gente prossiga no objetivo de fazer o bem pela cidade.

A senhora acha que essa sentença do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que a condenou por improbidade administrativa um dia depois do primeiro turno, teve motivação política?
Sem dúvida nenhuma.

Segundo a denúncia, a peça ¿A cidade que mora em mim¿ teria sido divulgada três meses após a data de aniversário da cidade. Por que ela foi divulgada após o aniversário de Florianópolis, mais próximo da eleição de 2000?
Em todos os anos, durante o período do aniversário da cidade, fazíamos uma prestação de contas. Nos oito anos de nossa administração, era praxe. Nós fizemos em todos os oito anos, e era sempre nesse período que a gente fazia a prestação de contas. 

*  Por incompatibilidade de agenda, a candidata Angela Amin (PP) não gravou o vídeo sobre curiosidades de sua carreira e campanha.

 
 
Hora de Santa Catarina
Busca
clicRBS
Nova busca - outros