Crianças com deficiências apresentam teatro de sombras em escola de Florianópolis - Geral - Hora de Santa Catarina

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Educação especial13/10/2016 | 18h32Atualizada em 13/10/2016 | 18h32

Crianças com deficiências apresentam teatro de sombras em escola de Florianópolis

Alunos da Escola Municipal João Gonçalves Pinheiro, do Rio Tavares, criam obra para descobrir e mostrar seu potencial criativo 

Crianças com deficiências apresentam teatro de sombras em escola de Florianópolis Marco Favero/Agencia RBS
Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Com as cortinas fechadas, luzes apagadas e apenas um telão branco no meio do palco com um feixe de luz que incidia diretamente sobre ele, ganhavam vida personagens criados com sombras, interpretados por crianças especiais da Escola Municipal João Gonçalves Pinheiro, do Rio Tavares, em Florianópolis.

A história "A Lenda das Areias" virou peça teatral através das mãos de alunos cadeirantes, com paralisia, surdo, e crianças com deficiência intelectual. Nesta quinta-feira, foi apresentada para aos demais estudantes da escola com o objetivo de incluir, empoderar e mostrar às crianças que todos podem ser artistas e que que são capazes de qualquer coisa.

O conto do rio que queria conhecer o mar e que se tornou um "ser de transformação", de Regina Machado, tinha tudo a ver com a realidade ali inserida. No abrir das cortinas para os aplausos, era possível perceber nas crianças e adolescentes a sensação de orgulho e de dever cumprido. O objetivo da professora de Ciências, Elaine Seiffert — que idealizou a atividade para seu trabalho de conclusão de curso da pós-graduação de Gênero e Diversidade, na UFSC — foi atingido.

— A ideia era dar visibilidade ao potencial das crianças. A sociedade tem costume só de olhar para a limitação deles. Queríamos mostrar o protagonismo — disse a professora.

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

A escolha do teatro de sombra, explicou a educadora, ocorreu porque este tipo de dramatização estimula a imaginação do expectador e dá possibilidades de interação e aprendizagem aos alunos/atores.

Os estudantes trabalharam na produção da peça desde julho, com ensaios que ocorreram pelo menos uma vez por semana, no contraturno escolar. Eles mesmos criaram novos personagens para a história e confeccionaram animais como borboletas e peixes com material reciclável. Os protagonistas, como animais, o rio e o vento, eram manipulados pelas próprias crianças em frente à luz que reproduzia as imagens no telão.

Experiência e orgulho

Beatriz Chagas, de 13 anos, estava visivelmente emocionada. A cadeira de rodas não intimidou: ela foi a personagem principal, justamente o rio. Sobre o que mais gostou, ela contou que se apresentar para os demais alunos da escola (eram cerca de 50 do auditório) foi muito importante.

— Se possível, quero continuar a fazer teatro. Apresentar a peça foi a melhor coisa — revelou.

Cleiton César Ribeiro Antunes, de 14, é surdo e um dos mais experientes da equipe na arte dramática. Ele será um dos atores de um seriado chamado Crisálida, que está sendo produzido no Estado. Para o estudante, o teatro é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade de todas as crianças, seja qual for sua deficiência.

— Eu não me vejo como coitado. É possível realizar qualquer atividade tão bem quanto qualquer outra pessoa — avalia ele, que também é o único medalhista surdo das Olimpíadas de Matemática do país. Cleiton ganhou o bronze no mês passado.

Inclusão em toda escola

Toda a peça teatral dos alunos teve a colaboração do professor intérprete Mike Diano, que traduzia as falas e acontecimentos para a Língua de Sinais.

— Acabamos de passar por uma paraolimpíada. É o momento para falarmos mais sobre inclusão, sobre respeito, e sobre valorizar a capacidade das pessoas com algum tipo de deficiência — acredita.

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

O palco, onde os alunos especiais se apresentaram, tinha rampa para cadeiras de rodas — muito mais acessível que muitos espaços públicos de grande circulação.

A escola do Rio Tavares também é pólo de educação especial na região, onde alunos com deficiências realizam atividades no contraturno, em salas multimeios.

— Trabalhamos muito com jogos, pois estimulam o raciocínio — contou a professora da educação especial, Elisangela Munhoz.

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