Entidades da Grande Florianópolis ajudam a mudar a realidade de crianças - Geral - Hora de Santa Catarina

Mãos que moldam o futuro12/10/2016 | 08h35Atualizada em 12/10/2016 | 08h35

Entidades da Grande Florianópolis ajudam a mudar a realidade de crianças

No dia dedicado a elas, apresentamos ONGs que cuidam e realizam atividades educativas, esportivas e artísticas no contraturno escolar

Entidades da Grande Florianópolis ajudam a mudar a realidade de crianças Marco Favero/Agencia RBS
Os campeões da Impacto Vivo Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Há dois anos, o jovem Ronan Mariano Pinheiro estudava durante a manhã e "não fazia muita coisa produtiva durante a tarde", como ele mesmo conta. No horário do descanso ou de fazer os deveres da escola, sem os pais em casa, ficava pela rua, no bairro Rio Vermelho, no norte da Ilha, onde mora.

— Era brigão. Ficava fazendo besteira — disse ele, em tom de lamento.

Para o tirar da rua, a família buscou apoio numa ONG (Organização Não-Governamental) que surgiu no bairro, que atende crianças e adolescentes no contraturno escolar. Ali, o jovem, na época com 13 anos, teve aulas de musicalização, reforço escolar e conheceu o jiu-jitsu.  

Hoje, aos 15, Ronan veste com orgulho o kimono da arte marcial. Está na faixa laranja e aguarda ansiosamente pela verde. Com este uniforme e apoio da entidade social Impacto Vivo, ele conquistou seis medalhas em sua categoria, em competições municipais, regionais e estaduais. Ronan não só saiu da rua, mas ganhou um propósito. A partir do ano que vem, ele deve virar voluntário na própria ONG que o acolheu e incentivar o esporte em mais crianças que estão em situação de vulnerabilidade.

— O foco do nosso projeto é a proteção. Tirar as crianças das ruas, do tráfico, da solidão da casa, e estimular o desejo neles de brincar, de praticar esportes, e a ter mais disciplina e valores — explicou a coordenadora do projeto, Jociane de Souza Medeiros de Souza.

A Impacto Vivo é uma das entidades da Grande Florianópolis que viu a importância de acolher crianças no contraturno escolar e garantir a segurança e educação delas. Os projetos nasceram da vontade de voluntários em fazer a diferença, e ganharam força – tamanha a necessidade e preocupação de pais que precisavam trabalhar durante o dia inteiro. Hoje, recebem apoio através de convênios com prefeituras, doações de pessoas físicas e ajuda de voluntários. O trabalho delas segue o que diz a lei de proteção integral à criança e ao adolescente: ¿É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária¿.

Igreja vira tatame

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

A Impacto Vivo, de Ronan, tem apenas dois anos, mas já fez uma grande diferença para a comunidade do Rio Vermelho. Através do ¿Projeto Inverso¿, atende 100 crianças e conta com uma lista de espera de mais 40 famílias que têm interesse em cadastrar os pequenos em suas atividades.

A entidade surgiu quando Joaciane e o marido, Sidnei César de Souza, se mudaram ao bairro para abrir uma igreja evangélica.

— Vimos muitas crianças na rua durante o dia. E isso nos preocupou. Sabíamos que havia pontos de tráfico na região, e que os jovens estavam à mercê — contou Sidnei.

O casal resolveu abrir as portas da igreja durante o dia para estas crianças. No início, eram apenas duas vezes por semana. Durante o dia, os bancos da igreja eram retirados para colocar um tatame para os pequenos praticarem jiu-jitsu. Jociane, que é pedagoga, ainda garantia atividades como reforço escolar. A novidade ganhou as ruas e mais e mais famílias procuraram ajuda. A Impacto Vivo firmou convênio com a prefeitura e passou a disponibilizar uma série de atividades pedagógicas, esportivas e de música com pequenos de 6 a 15 anos.

— O critério é ter os pais trabalhando durante o dia inteiro, e que a criança esteja matriculada em uma escola. Temos crianças também encaminhadas de CRAS e Conselho Tutelar — explicou Jociane.

Todos os dias os alunos devem seguir cronograma. Eles fazem aulas de musicalização (escolhem entre violão, flauta, canto); trabalham ainda o reforço escolar com apoio em matemática e português; aulas de espanhol ou inglês, com voluntários; e de esportes como jiu-jitsu e futuramente hóquei de grama e futebol, com o apoio de uma pousada que irá ceder o campo. A ONG conta com 26 alunos que participam de campeonatos. Ah! Além de aulas de robótica.

— Temos o desejo de ampliar o projeto, para atender mais crianças. Temos o sonho em criar uma escola integral, com um conceito pedagógico diferenciado, multidisciplinar, que o pai possa deixar das 7h30min às 18h — conta Jociane.

150 crianças atendidas na Frei Damião

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

A professora Ilda Gamarra ajudava na estratégia do jogo entre Kessy Machado, de 8 anos, e Marcos Antônio Rodrigues Ferreira, 7. Atentos, eles precisavam cuidar para não derrubar uma torre de bloquinhos. Tirar eles da concentração era difícil. Ocupados demais, só contaram que gostavam de fazer todas as atividades que a Associação Evangélica Beneficente de Assistência Social (Aebas) realiza na comunidade de Frei Damião, em Palhoça.

Desde 2003 a entidade está inserida nessa que é considerada uma das regiões mais carentes do Estado. No total, 150 crianças são atendidas pela ONG, de seis a 16 anos, sendo que apenas 110 são beneficiadas pelo convênio com a Prefeitura de Palhoça. As demais 40 são mantidas com apoio de doações à entidade que existe desde 1955 na Grande Florianópolis. Lá no início, a fundação tinha como objetivo atender a área da saúde no bairro Estreito, de Floripa. Com a percepção que muitas crianças ficavam doentes porque estavam sozinhas em casa, a entidade ampliou o leque de atividades e inaugurou, com a Frei Damião, o núcleo que atende pequenos no contraturno escolar.

— As crianças são separadas por idade. Cada grupo cumpre um cronograma diário. E todos precisam seguir. Eles têm apoio pedagógico com tarefas de escola, aulas de música, que hoje são o carro-chefe da entidade. Também realizamos conversas em que falamos de valores, e conseguimos trazer aulas de artes marciais, que os alunos mesmo pediram — contou a coordenadora do núcleo de Palhoça, Larissa Benner Gohring Heidemann. Eles têm ainda apoio com assistente social e psicóloga, em caso de necessidade.

— Gosto de vôlei. Gosto de judô também. Na verdade acho tudo legal — resumiu a pequena Mayara Mozzi, de 9 anos, que estuda de tarde e de manhã acompanha as atividades na Aebas.

A entidade ainda atende em outros três núcleos: na Caiera do Saco dos Limões, na Prainha, e na Vila Santa Vitória, todos em Florianópolis.

Ajuda para toda família em São José

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Próxima a completar 40 anos, a Vinde a Mim as Criancinhas, conhecida como CVM, foi criada em 1978 para atender crianças e também adultos que estavam em situação de vulnerabilidade, que foram abandonados ou foram vítimas de maus tratos em São José. Hoje, possui um amplo espaço no bairro Ipiranga aonde atende crianças numa creche, adultos num centro social, e realiza o trabalho de contraturno escolar com 60 menores. Além disso, cuida gratuitamente da recuperação de dependentes químicos em um centro terapêutico que fica em Biguaçu.

O projeto Convivência, que atende pequenos de 6 a 8 anos no contraturno, não tem como objetivo principal atividades pedagógicas. O programa não funciona como escola, explica a coordenadora administrativa Izaiane Latrônico Motta:

— O nosso objetivo principal é dar apoio à família da criança. Cuidar da criança enquanto os pais trabalham, e mostrar aos pais a responsabilidade que eles possuem na educação dos filhos — observou Izaiane.

Além do apoio de assistentes sociais e psicólogas, as crianças ainda passam por uma série de atividades como musicalização, esportes, cuidam da horta da escola – junto dos alunos da creche – e participam de uma série de atividades como aulas de nutrição e até panificação .

— É legal. A gente ganha brinquedos, pode brincar na quadra até a hora do almoço, desenha, cuida da horta. Mas a horta morreu, porque a gente molhou muito — revelou o pequeno Matheus de Souza, de 7 anos, que disse, orgulhoso, que era o ajudante do professor da turma de convivência.

Precisa-se de voluntários

As três entidades precisam – e muito – da ajuda de voluntários. Seja para dar aula de línguas, de disciplinas como matemática ou português, de música, artes ou esportes. Você pode ajudar ainda com uma atividade diferenciada, como uma palestra sobre sua profissão. Então? Que tal participar? Entre em contato com as entidades!

Vinde a Mim as Criancinhas: (48) 3357-9400

Aebas: (48) 3025-6622

Impacto Vivo: (48) 3232-9750

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