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ELEIÇÕES 201615/10/2016 | 07h04Atualizada em 15/10/2016 | 07h04

Lideranças do PT em SC consideram até fusão com outros partidos para recuperar força perdida em 2016

Quadro de prefeituras do partido caiu de 45 para 20 municípios no Estado

Lideranças do PT em SC consideram até fusão com outros partidos para recuperar força perdida em 2016 Carto.com/reprodução
Estrelas em destaque indicam os municípios onde o PT saiu vitorioso nas últimas eleições Foto: Carto.com / reprodução

As eleições do último dia 2 de outubro ofuscaram o brilho da estrela do PT em Santa Catarina. O Partido dos Trabalhadores atualmente controla 45 cidades catarinenses, mas só terá 20 prefeituras sob a bandeira petista no ano que vem. Municípios como Tubarão, Concórdia, Gaspar e Araranguá serão administrados por prefeitos de outras legendas a partir de 2017.

Nenhum outro partido perdeu tanto espaço em SC como o PT na última eleição. Imbituba, com pouco mais de 43 mil habitantes no Sul do Estado, será a maior prefeitura petista em janeiro. O encolhimento forçado pelas urnas não apenas freou o crescimento do partido após três eleições municipais como o rebaixou a um patamar ainda menor do que tinha em 2004, quando começava a "onda Lula" no país.

A maior rejeição ao 13 também se refletiu nas câmaras municipais. Com 204 vereadores eleitos para o próximo mandato no Estado, o PT terá a menor representação nos legislativos catarinenses desde 2000. Em Joinville, o Partido dos Trabalhadores não conseguiu eleger um único representante. Blumenau e Florianópolis terão apenas um vereador petista em suas câmaras no ano que vem.

Para as lideranças petistas, o recado das urnas não deixa dúvidas: é hora de repensar os rumos do PT e evitar o pior em 2018. A proposta de fusão com outros partidos de esquerda ganha força internamente. Um dos entusiastas é o deputado federal Décio Lima (PT). Ele defende que é momento de os partidos deixarem diferenças de lado para somar forças em oposição ao novo governo em Brasília.

—Teríamos como base jurídica a fusão dos partidos e teríamos, nesse momento, uma fala para a sociedade reconhecendo que foram cometidos erros no processo democrático e pedindo uma nova oportunidade para continuarmos sendo os depositários da esperança — reforça.

Segundo o deputado, a ideia de fusão já tem grande aceitação dentro do partido. PCdoB e o PDT seriam possíveis aliados na mudança. Por enquanto, diz Décio Lima, as intenções são tratadas em conversas informais com outros partidos. Nesta segunda-feira, o deputado deve receber um grupo de mais de 30 parlamentares para discutir a questão.

—Não podemos continuar na mesmice. Uma grande parte deixou de votar em nós, mas não votou em ninguém. Esse povo não migrou, dificilmente vai convergir para o pensamento à direita — aponta.

O presidente estadual do PT, Cláudio Vignatti, prefere não falar em fusão partidária, mas propõe uma "base de esquerda" para enfrentar as consequências "danosas" do novo governo. 

—Outros setores estão dialogando a necessidade de se criar uma frente nacional. Não precisa haver, necessariamente, uma fusão partidária. Mas juntar setores, pautas que unifiquem setores de esquerda, movimentos democráticos sociais, intelectuais, projetos sociais diferentes daqueles que o (presidente Michel) Temer vai querer construir no Brasil — argumenta.

A mencionada frente de esquerda, aponta Vignatti, deveria ter sido impulsionada já nas últimas eleições, mas não vingou porque as prioridades do PT estavam voltadas à ex-presidente Dilma Rousseff.

—Não conseguimos priorizar porque tratamos dos problemas da Dilma. O partido não discutiu eleição municipal, não preparou, apenas foi para a eleição — avalia o presidente estadual.


Oeste concentra maior força do PT

Lideranças do PT em Santa Catarina associam o enfraquecimento local do partido aos mesmos acontecimentos que desgastaram o ex-presidente Lula e levaram ao impeachment de Dilma Rousseff. O cientista político e professor de Ciências Sociais da Unisul Valmir dos Passos também não aponta razões unicamente regionais para a queda do PT em SC.

Na avaliação do especialista, a espetacularização de episódios como a condução coercitiva de Lula e as prisões dos ex-ministros Guido Mantega e Antonio Palocci, às vésperas das eleições, tiveram efeito eleitoral.

—De alguma forma a Lava-Jato se sobrepôs ao calendário eleitoral. O principal partido atingido, sem dúvida, foi o PT — analisa.

A maior concentração de cidades onde o PT resistiu se deu no Oeste catarinense. Lá estão 14 das 20 prefeituras que a legenda terá no próximo ano. Raízes da agricultura familiar e atuação mais forte de movimentos camponeses são apontados como alguns pilares do partido naquela região.

O professor da Unisul também destaca que nomes como o deputado Pedro Uczai, a ex-deputada Luci Choinacki e o ex-ministro José Fritsch, todos ligados ao PT, têm origem e peso na política regional do Oeste, o que não se repete no litoral. A região Oeste, acrescenta Valmir, também favorece campanhas mais pessoalizadas nas cidades de menor porte. 

—Quanto menor o município, mais pessoalizada fica a campanha, a relação do eleitor com o candidato. A discussão nacional, as corrupções, tudo fica um pouco mais distante. Aí, de alguma forma, o PT conseguiu se esquivar um pouco deste ambiente negativo para o partido — observa.

 
 
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