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Pesquisa24/10/2016 | 07h27Atualizada em 24/10/2016 | 07h27

Pílulas de Saber: alterar um gene no cérebro pode ser saída à obesidade

Pesquisadores estudam um novo alvo na busca de tratamento

Carlos Rogério Tonussi
Carlos Rogério Tonussi

tonussi@farmaco.ufsc.br

É bem sabido que o cérebro está envolvido no desenvolvimento da obesidade, mas como uma dieta rica em gordura muda o cérebro para que ele acione o acúmulo de gordura corporal ainda é incerto. Pesquisadores americanos estudaram o gene Rap1 dos camundongos, que é funcional em vários órgãos, incluindo o cérebro, onde está envolvido nas funções de memória e aprendizagem. 

Pouco se sabe, no entanto, o papel que o Rap1 do cérebro desempenha no equilíbrio energético. Para explorar esse papel, os cientistas silenciaram especificamente o gene Rap1 em um grupo de neurônios no hipotálamo, uma região do cérebro que está envolvida na regulação do metabolismo do corpo inteiro.

Foto: Mariana Pereira / Agencia RBS

HORMÔNIOS MUDADOS

Os cientistas separaram dois grupos de camundongos. Num grupo, os animais foram geneticamente modificados para não terem o gene Rap1, enquanto o grupo de controle tinham o gene Rap1 funcional. Em seguida, esses camundongos receberam uma dieta em que 60% das calorias eram pura gordura. Como esperado, os animais com o gene Rap1 trabalhando, ganharam peso. Porém, os animais que não tinham o gene Rap1, apresentaram peso corporal reduzido e menos gordura!

Os cientistas então se perguntaram o porquê de os camundongos sem o gene Rap1 não ganharem peso, apesar de comerem uma dieta rica em gordura. Esses camundongos sem Rap1 comeram menos e queimaram mais gordura corporal do que os animais com Rap1. 

Olhando atentamente o cérebro dos animais sem Rap1, os cientistas descobriram que a região chamada hipotálamo produzia mais hormônio que reduz o apetite, chamado de POMC, e menos hormônios que estimulam o apetite, chamados NPY e AgRP. Esses animais também tinham níveis mais baixos de açúcar no sangue e insulina do que os normais. 

HORMÔNIO DA SACIEDADE

A leptina, produzida pelo tecido adiposo, ajuda a regular o peso corporal através da inibição do apetite. As pessoas obesas, no entanto, não respondem aos sinais de saciedade da leptina, e os níveis sanguíneos de leptina são mais elevados do que aqueles em pessoas não obesas. A resistência à leptina é uma característica da obesidade humana. Os camundongos sem o Rap1 e que consumiram uma dieta rica em gordura, por outro lado, não desenvolveram resistência à leptina; e isso se refletiu em menos apetite e menor ganho de peso. 

NOVO MEDICAMENTO

Esses cientistas também testaram o efeito de se inibir o Rap1 com uma droga experimental chamada ESI-05, em vez de eliminar o gene em camundongos. Quando o ESI-05 foi administrado em animais obesos, foi restaurada a sensibilidade à leptina para um nível semelhante ao dos animais que receberam uma dieta normal. Os animais comiam menos e, por isso, perderam peso. 

Este estudo, que aparece na revista científica Cell Reports, mostra que o desenvolvimento de tratamentos para inibirem o Rap1 no cérebro poderá representar um novo alvo terapêutico para o tratamento de obesidade humana no futuro.

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