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Impasse19/10/2016 | 08h31Atualizada em 19/10/2016 | 08h31

Projeto de construção de novos ranchos não agrada pescadores dos Ingleses

Estruturas próximas à praia estão sendo demolidas no bairro do norte da Ilha

Projeto de construção de novos ranchos não agrada pescadores dos Ingleses /Agencia RBS
Estruturas demolidas estão sendo retiradas aos poucos da praia Foto: Agencia RBS

Após mais uma reunião com a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), Instituto do Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e a Secretaria Municipal de Pesca, os pescadores dos Ingleses seguem sem saber onde e quando terão novos ranchos depois que seus antigos forem demolidos. Em função de uma ação da Justiça Federal, há mais de um mês a Floram iniciou uma série de demolições de construções que estavam em áreas de preservação entre dunas e o costão direito da praia, porém existe um acordo para manter 33 ranchos de pescadores artesanais até que novas estruturas sejam erguidas no padrão e área determinados pelos órgãos. 

O projeto apresentado pelo IPUF não agradou os pescadores, que dizem que os ranchos iriam ficar muito longe dos locais atuais, prejudicando a atividade, já que toneladas de peixe, principalmente na época da tainha, precisariam ser transportadas nos barcos ou em redes.

— Imagina em dia de vento, como vamos conseguir sair remando do canto até onde estiverem os peixes? — questiona o pescador João Pedro Nascimento, dono de um dos ranchos atingidos.

Ele participou da reunião na semana passada e diz que a preocupação é geral, ainda mais porque o local onde foi feita a proposta para realocar os ranchos aparenta ser pequeno:

— Querem colocar nós todos amontoados num canto, mas não tem como. Eles ficaram de vir aqui pra gente mostrar o lugar que achamos melhor — explica.

O pescador Otacílio Fernando da Silva também aguarda uma definição:

— Não concordei com eles derrubarem tudo isso aí, coisas que já eram patrimônio daqui. A gente vive da pesca, se tirarem isso o que vamos fazer? Só nesse rancho que eu trabalho tem duas canoas, mais muito material, não tem como caber em um ranchinho pequeno — disse.

Pescadores apontam que distância dos novos ranchos até a praia vai prejudicar trabalho Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Nova vistoria

De acordo com a assessoria jurídica da Floram, ficou definido que será feita uma nova vistoria no local para verificar se os ranchos grandes (8x10) poderão permanecer, atendendo a solicitação dos pescadores. Os ranchos de tamanho menor (4X8 e 4x10) deverão ser instalados a uma distância de 500 metros à direita do canto sul dos Ingleses.

O diretor de licenciamento da Floram, Francisco Antonio da Silva Filho, explica que a vistoria ainda não foi marcada, mas deve acontecer nas próximas semanas. Ele destaca que existe uma outra ação em que a Prefeitura é ré, de pessoas que alegam ser proprietárias de partes da área:

— Vamos ter que verificar no local e também em todos os órgãos para ver se é viável atender o pedido dos pescadores. Não adianta colocarmos eles ou deixar em algum local que esteja em conflito nesta outra ação — disse. 

Museu segue funcionando

Junto a um rancho de pesca nos Ingleses, também funciona o museu do Projeto Arqueologia Subaquática (PAS), que inicialmente fazia parte da ação judicial, mas está com a demolição suspensa até que um novo local seja encontrado.

De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o acervo é composto pelo material proveniente da pesquisa de arqueologia subaquática realizada no naufrágio da praia dos Ingleses entre os anos de 2004 e 2009. Segundo a pesquisa histórica realizada, se trata de uma embarcação de fins do século XVII, tripulada por piratas ingleses.

Por se tratar de material que permaneceu em ambiente subaquático por alguns séculos, grande parte precisa de cuidados especiais de dessalinização, estabilização, armazenamento e acompanhamento permanente de conservação. A remoção e transporte precisaria ser realizada com cuidado, de forma a manter a estabilidade e integridade dos artefatos arqueológicos, além da necessidade de local adequando para sua guarda. 

A responsabilidade pela guarda do material é da entidade, segundo o Iphan. Não há data para a transferência.

 
 
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