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Governo30/11/2016 | 07h52Atualizada em 30/11/2016 | 08h25

Em processo de transição, Trump ainda busca chefe da diplomacia

Entre os mais cotados para assumir o Deparmento de Estado norte-americano estão o republicano Mitt Romney, o ex-diretor da CIA David Petraeus e o senador Bob Corker

Em processo de transição, Trump ainda busca chefe da diplomacia JOHN GURZINSKI/AFP
Foto: JOHN GURZINSKI / AFP
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Donald Trump ainda busca o chefe para a diplomacia norte-americana, enquanto a equipe do magnata se encontra dividida entre o peso-pesado republicano Mitt Romney, o ex-diretor da CIA David Petraeus ou o senador Bob Corker.

Terceiro cargo mais importante dos Estado Unidos, voz e rosto do país no mundo, o posto de secretário de Estado é alvo de disputa para substituir o ex-senador democrata John Kerry. O Departamento de Estado é responsável por uma máquina de 70 mil pessoas que compõem diversos setores da diplomacia americana.

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O presidente eleito jantou, na terça-feira, em um dos restaurantes mais elegantes de Nova York com Mitt Romney, um antigo rival que se tornou o potencial favorito para assumir o comando da diplomacia dos Estados Unidos.

A escolha do restaurante Jean-Georges, perto do Central Park e comandado pelo famoso chef francês Jean-Georges Vongerichten — local muito popular entre a alta sociedade de Nova York —, foi o indício mais claro até o momento de que Trump pode escolher Romney como secretário de Estado.

Depois do jantar, Romney reservou elogios para Trump, que contrastaram com suas críticas durante a campanha. Ele disse que ficou "impressionado" com o discurso da vitória do presidente eleito e com os preparativos para assumir o governo, antes de afirmar que teve um "jantar maravilhoso".

Romney, ex-candidato presidencial republicano, mantém a influência no partido, apesar de ter classificado o agora presidente eleito de "charlatão" e "fraude" durante a campanha.

A eventual nomeação de Romney para o Departamento de Estado ajudaria a unificar o partido republicano em torno de Trump, mas aliados mais próximos ao presidente eleito o consideram uma figura muito ligada ao "establishment" político.

Na última semana, em meio a uma verdadeira avalanche de rumores, se consolidaram os três nomes considerados os favoritos, embora não se possa descartar o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani.

Petraeus é o mais celebrado general de sua geração, um ex-diretor da CIA e ex-comandante das forças americanas no Iraque e no Afeganistão, embora tenha caído em desgraça em 2012 por um caso extramatrimonial.

Na Torre Trump de Nova York, Petraeus teve, na segunda-feira, uma reunião de uma hora com o presidente eleito. Depois do encontro, Trump usou a rede Twitter para dizer que havia ficado "muito impressionado" com o general.

Aos 64 anos de idade, o militar é claramente o que tem os mais profundos conhecimentos de política internacional entre todos os nomes considerados para o cargo. Sua reputação é tão sólida que, no auge de sua trajetória, em 2011, chegou a ser considerado um potencial candidato presidencial.

De adversário a aliado

No entanto, um romance com uma jornalista que mostrou uma documentação secreta provocou sua queda. Em 2015, Petraeus admitiu sua culpa pela forma como manteve o material sigiloso e foi punido com dois anos em liberdade condicional. 

O escândalo poderá ser um ser um sério obstáculo para a eventual aprovação de Petraeus no Senado. Os republicanos acusam a ex-candidata presidencial democrata Hillary Clinton de ser irresponsável com o uso de documentação secreta, o que tornaria o apoio a Petraeus uma contradição.

Na terça-feira, dois influentes senadores republicanos, Lindsey Graham e John McCain apoiaram abertamente a escolha de Petraeus, e até a senadora democrata Dianne Feinstein expressou seu "mais profundo respeito". No entanto, Jason Miller, porta-voz de Trump nesta fase de transição, disse que é "um pouco prematuro" considerar a nomeação de Petraeus um fato consumado.

Bob Corker, presidente da comissão das Relações Exteriores no Senado, também se reuniu. na terça-feira. com Trump.

— É uma decisão que (Trump) deve tomar. Precisa escolher alguém com quem se sinta confortável em trabalhar e deve estar seguro de que não há diferenças — disse Corker ao deixar a reunião.

Enquanto isso, em Washington, o atual secretário de Estado, John Kerry, previu que haverá um "intenso debate" sobre as novas orientações na política externa.

— Posso assegurar-lhes que vamos ter um intenso debate nos próximos anos e posso prometer-lhes isto: não vou embora descansar tranquilamente — disse Kerry em um discurso diante de uma organização de mulheres pertencentes ao corpo diplomático.

A raposa e o galinheiro

Na terça-feira, Trump anunciou a nomeação do legislador e cirurgião Tom Price para ser o futuro secretário de Saúde. Price é crítico feroz do atual sistema de saúde pública, denominado "Obamacare", e sua nomeação sugere que Trump está disposto a cumprir a promessa de campanha de acabar em uma canetada com essa política.

Price "está excepcionalmente qualificado para conduzir nosso compromisso de desmontar e substituir o sistema Obamacare", expressou Trump em nota oficial.

O Partido Democrata reagiu imediatamente, e o novo líder no senado, Charles Schumer, disse que colocar Price à frente do Departamento de Saúde equivale a "pedir à raposa que tome conta do galinheiro".

Também na terça-feira, Trump nomeou como secretária de Transporte a legisladora conservadora Elaine Chao, nascida em Taiwan, e ex-secretária de Trabalho no governo George W. Bush entre 2001 e 2008.

Menciona-se, ainda, o nome do ex-banqueiro Steven Mnuchin como secretário do Tesouro e, segundo vários meios de comunicação americanos, sua nomeação seria iminente.

Finalmente, o The Wal Street Journal fez alusão à nomeação de Wilbur Ross, um empresário especializado em resgatar empresas em dificuldades, à frente do Departamento do Comércio.


 
 
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