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Conflito28/11/2016 | 11h17Atualizada em 28/11/2016 | 11h19

Exército sírio retoma controle sobre bairros rebeldes em Aleppo

Desde 2012, grupos armados de oposição vinham resistindo a diversas ofensivas das forças do governo

Exército sírio retoma controle sobre bairros rebeldes em Aleppo GEORGE OURFALIAN/AFP
Foto: GEORGE OURFALIAN / AFP
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O exército sírio retomou, nesta segunda-feira, o controle dos bairros no extremo da zona leste de Aleppo e avança, ao que parece, para a vitória em uma das batalhas mais importantes e simbólicas da guerra civil na Síria.

O avanço do exército sírio provocou, pela primeira vez em quatro anos, uma grande fuga de civis para os bairros de Aleppo controlados pelos curdos ou pelo governo.

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O exército, com o apoio de milícia iranianas e combatentes do Hezbollah libanês, capturou nesta segunda-feira os bairros de Sakhur, Haydariyah e Sheikh Khodr, ao mesmo tempo que as forças curdas tomaram Sheikh Fares das mãos dos rebeldes, de acordo com a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

As forças curdas não estão oficialmente aliadas a Damasco ou aos rebeldes, mas a oposição acusa o grupo de cooperar com o regime sírio para reconquistar a cidade.

— Os rebeldes perderam o controle de todos os bairros do nordeste de Aleppo. Esta é sua pior derrota desde que assumiram o controle de metade da cidade em 2012 — afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Em 2012, mais de um ano depois do início da guerra, os grupos armados de oposição ao presidente Bashar al-Assad tomaram o controle de metade da grade cidade da região norte da Síria e capital econômica do país. Durante anos, resistiram a várias ofensivas das forças do governo, mas a intervenção russa em 2015 mudou o equilíbrio de forças.

Com a ajuda da aviação de Moscou, o exército conseguiu, em julho, cercar completamente a cidade. Em 15 de novembro iniciou uma grande operação terrestre e aérea que quebrou a resistência dos rebeldes.

A tomada de Aleppo pelo governo seria um "ponto de inflexão", já que o regime passaria a controlar as cinco principais cidades do país, afirma Fabrice Balanche, especialista em Síria no Washington Institute for Near East Policy. Além disso, evidenciaria que "a oposição é incapaz de obter um êxito militar maior" e de apresentar-se como "alternativa" ante Damasco.

A perda do leste de Damasco também representaria a derrota dos aliados da oposição, em particular Arábia Saudita, Catar e Turquia, além dos países ocidentais. 

Êxodo

Os combates dos últimos dias estimularam um êxodo de parte dos 250 mil habitantes da zona leste de Aleppo. Quase 10 mil civis fugiram durante o fim de semana: seis mil para o território curdo de Sheikh Maqsud e os demais para zonas controladas pelo governo, informou o OSDH.

— É o primeiro êxodo deste tipo no leste de Aleppo em quatro anos — afirmou Rami Abdel Rahmane.

Os moradores sofrem com a falta de mantimentos e remédios em consequência do cerco imposto pelo governo, assim como pelos bombardeios incessantes de aviões sírios e russos, criticados pela ONU. A ofensiva iniciada em 15 de novembro provocou a morte de 225 civis, incluindo 27 crianças, nos bairros do leste de Aleppo, segundo o OSDH.

Os bombardeios rebeldes contra os bairros controlados pelo governo mataram 27 civis. O avanço das tropa do regime se intensificou no sábado com a captura do bairro de Massaken Hanano, o maior do leste de Aleppo.

A vitória permitiu ao expercito avançar para os bairros de Sakhur, Haydariyah e Sheikh Khodr, conquistados nesta segunda-feira, e dividir a zona rebelde em duas, de acordo com a imprensa oficial síria.

— A aviação destrói tudo metodicamente, zona por zona — denunciou no domingo Yasser Al-Yussef, um dirigente do grupo rebelde Nureddine al-Zinki, um dos mais importantes de Aleppo.

A comunidade internacional permaneceu em silêncio nos últimos dias a respeito dos combates em Aleppo. A ONU expressou grande preocupação em vários momentos com o destino dos civis, mas não fala mais em retomar as negociações de paz. Já o governo dos Estados Unidos está paralisado à espera da posse do presidente eleito, Donald Trump, em janeiro.

— Sabemos que não tem interesse em um envolvimento na Síria. Se, além disso, Aleppo cair, não vai valer mais a pena apoiar a oposição síria — opina Balanche.


 
 
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