Um tempo para chorar, outro para retomar o jogo - Geral - Hora de Santa Catarina

Estela Benetti30/11/2016 | 01h46Atualizada em 30/11/2016 | 01h50

Um tempo para chorar, outro para retomar o jogo

Garra dos chapecoenses será decisiva para formar um novo time

Cidade com nome indígena que significa caminho em que se avista a roça, Chapecó ganhou projeção nacional e internacional pela agroindústria pujante. Sua denominação já identificou marca de alimentos e time de vôlei, mas foi nos últimos anos com a surpreendente trajetória da Associação Catarinense de Futebol, conhecida como Chapecoense ou Chape que conquistou o coração de muitos apaixonados pelo esporte em Santa Catarina e no Brasil. É o clube que agora leva a identificação da cidade que sofreu a maior tragédia do futebol mundial, um acidente aéreo que vitimou quase todos seus jogadores e gestores, projetando o nome da cidade no mundo por notícia que causa imensa dor.

Este é o momento de chorar as perdas. Ontem foi uma terça-feira sem fim, especialmente para os que despertaram com a notícia do acidente que levou familiares e amigos. Para nós, do Diário Catarinense, foi o dia de trabalho mais triste das nossas carreiras. Perdemos cinco colegas queridos da RBS em Santa Catarina. Um deles trabalhava ao nosso lado, o jornalista André Podiacki, menino de ouro, competente, sério, apaixonado por esporte e pelo jornalismo esportivo, muito colaborativo e cheio de planos. Só para citar um exemplo, durante a Rio 2016 ele acompanhou com toda atenção a maioria das competições e dava dicas preciosas para destacar as medalhas conquistadas pelo Brasil na capa do jornal.

A tristeza é grande em Chapecó, cidade que abraçou o seu clube e fez dele um grande case de sucesso. Para muitos, o êxito nos gramados resultou da cooperação de muitas forças locais, inspirada justamente no cooperativismo. Afinal, a maior empresa do município, a Coopercentral Aurora Alimentos, é uma central de 13 cooperativas que tem no seu quadro de associados 70.700 famílias de agricultores de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. É ela também a maior patrocinadora privada da camisa do clube, com a marca Aurora. A primeira é a Caixa Econômica Federal e a terceira é outra cooperativa, a Unimed local.

Entre as razões do sucesso da Chapecoense está a gestão. O clube que há 10 anos estava endividado e fraco ganhou apoiadores de todos os segmentos locais, especialmente empresariais, que pagaram as dívidas, buscaram receitas de patrocínios e fizeram um projeto sustentável para um time se manter na sonhada Série A do Campeonato Brasileiro.

O sucesso no esporte mais concorrido do mundo foi alcançado também graças a experiências anteriores de alguns dos seus dirigentes. É o caso de Plínio de Nes, considerado o mecenas de esportes no Oeste do Estado. O empresário, que ontem de manhã chorava durante entrevista ao Bom Dia Brasil, em São Paulo, traz na bagagem a experiência de quem, à frente da agroindústria Chapecó Alimentos (que deixou de operar em 2004), nos anos 1980 e 1990 patrocinava a Chapecoense e o time de vôlei Chapecó na Liga Nacional. Mais tarde, também apoiava o promissor tenista Gustavo Kuerten e o piloto de Fórmula 1 Christian Fittipaldi.

No desafio de compor uma nova equipe para a Chapecoense, Plínio de Nes deverá ser novamente um dos protagonistas. Como o presidente Sandro Pallaoro também perdeu a vida, terá ao seu lado o empresário Gelson Dalla Costa e mais líderes que vão aderir à causa. Como a tragédia gerou uma comoção, não vão faltar colaboradores locais e de fora.Cidade planejada, colonizada principalmente por descendentes de italianos, alemães e portugueses que vieram do Rio Grande do Sul, Chapecó tem como símbolo um desbravador. 

Esse povo talentoso é protagonista de uma das agroindústrias de carnes - aves e suínos - mais competitivas do mundo, que exporta para mais de 150 países e gerou uma série de indústrias fornecedoras ao seu redor que montam fábricas até na Ásia. Essa garra vivida no mundo econômico e transferida também para dentro dos domínios da arena Índio Condá, o palco da Chapecoense, vai dar força para formar um novo time vencedor. Um tempo é para chorar as perdas, outro é para retomar o jogo.

Notas
Dia para acompanhar

O clima estava cinzento ontem e o acidente da Chapecoense afetou muito os catarinenses. A maioria não saiu de casa enquanto os veículos de comunicação bombardeavam os leitores e telespectadores com novidades que vinham da Colômbia. Isso deixou as ruas mais vazias não só no centro de  Chapecó, mas também em Florianópolis e em outras cidades do Estado.

Uma corrente de solidariedade

 Não raras vezes, se fala que Santa Catarina é dividida, cada região por si, tem sete capitais etc... Mas ontem o Estado se uniu em solidariedade a Chapecó. Entidades empresariais e prefeituras enviaram mensagens de apoio e pesar. Do exterior também vieram comunicações. Uma é do chefe da OMC, Roberto Azevedo. Ele enviou da Suíça a sua solidariedade ao clube do Oeste e a SC. 

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