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Solidariedade01/12/2016 | 00h52Atualizada em 01/12/2016 | 06h52

44 mil pessoas cantam "Vamos, Chape" em estádio na Colômbia

Cerca de 44 mil pessoas foram ao Estádio Atanazio Girardot para acompanhar a cerimônia nesta quarta-feira à noite

44 mil pessoas cantam "Vamos, Chape" em estádio na Colômbia Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Estádio Atanazio Girardot, em Medellín, na Colombia lotou nesta quarta-feira, mas tinha outra programação que não a primeira partida da final da Copa Sul-Americana. Não havia futebol nem festa, só oração, homenagens, incredulidade, comoção e vibrações positivas. Um momento marcante e dolorido que os brasileiros, catarinenses e chapecoenses nunca gostariam de estar vivendo: nada de bandeiras, de gritos de incentivo nas arquibancadas, só camisas com dizeres lembrando a Chapecoense, flores, velas, coros do público e, em muitos casos, o choro de milhares pela morte de 71 pessoas dentre elas praticamente um time inteiro de futebol, a delegação, desportistas e colegas da imprensa que perderam a vida.

Não só a Chapecoense terá de ser reconstruída, mas o coração de um povo terá de ser acalentado e um pequeno passo veio em forma de oração coletiva. "Vieram para ser campeões, voltaram como lendas" diziam as camisetas. Assim Medellín fez uma reverência histórica e inesquecível à Chapecoense, ao Brasil, a Santa Catarina, a Chapecó.

No começo da cerimônia, 71 pombas foram soltas e voaram, lembrando cada uma das pessoas que perdeu a vida no acidente. Um dos momentos mais fortes da homenagem foi quando os colombianos transformaram a grama em um carpete de flores. Outro momento emocionante foi na hora da execução dos hinos da Colômbia e do Brasil, que foi muito aplaudido. Participam da cerimônia toda a delegação do Atlético Nacional, os ministros das Relações Exteriores e Cultura, José Serra e Roberto Freire, assim como os prefeitos de Medellín, Federico Gutiérrez, e de Chapecó, Luciano Buglion.

Com 45 mil pessoas no estádio, que ficou completamente lotado,  cerca de 100 mil acompanhavam do lado de fora. Conforme alguns deixavam o lugar, o espaço era cedido para que outros colombianos pudessem acompanhar a cerimônia. Num perímetro de uma centena de quilômetros do estádio, outras movimentações fazem de Medellín uma cidade totalmente envolvida com a tragédia. Na clínica San Juan de Dios, em outros quatro hospitais da cidade, no IML, nos dois aeroportos e no local onde o avião caiu, na conversa com o povo, um exército de repórteres do Brasil, colombianos e de agências internacionais tenta desvendar as diferentes implicações de um acidente que é um dos maiores da história envolvendo o futebol.

O voo JJ 800 da Latam, que partiu de São Paulo, vindo de Florianópolis, chegou terça-feira para completar o enorme time de profissionais que acompanha a luta dos sobreviventes, o drama dos parentes das vítimas, o triste trabalho de reconhecimento, o translado dos corpos e a tensa investigação das causas da tragédia. A gentileza e dedicação extrema dos colombianos para atender a todos teve demonstrações fortes nas homenagens da tarde e da noite na cidade colombiana. Os assentos das arquibancadas, revestidas de branco, tinham faixas que traduziam mensagens de apoio e solidariedade: "Imortais". Outra lembrava: "Uma nova família nasce". E mais uma que dizia: "futebol não tem fronteiras". Mas, mesmo após todas as homenagens e discursos, a mais marcante foi antes de a cerimônia começar: 44 mil pessoas, em coro e em alto e bom portunhol, trouxeram Chapecó para dentro de Medellin ao cantar: "Vamos, vamos, Chape". Vamos, vamos, Chape, bater à porta do céu.

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